Inflação na Zona Euro supera estimativa. Afinal disparou para 2,6% com a guerra no Irão
Dados finais do Eurostat revelam que a taxa de inflação acelerou mais uma décima do que o inicialmente avançado. Disparo nos preços de venda aos consumidores europeus foi explicado sobretudo pela escalada nos preços dos combustíveis, devido à guerra no Médio Oriente.
Afinal, a taxa de inflação na Zona Euro acelerou, em termos homólogos, para 2,6% em março, mais uma décima do que o inicialmente avançado. Os dados finais do Eurostat, divulgados esta quinta-feira, confirmam que houve um disparo nos preços de venda aos consumidores dos 21 países da moeda única no primeiro mês da guerra no Irão, explicado sobretudo pela escalada nos preços dos combustíveis.
A variação homóloga de 2,6% compara com 1,9% de inflação observados na Zona Euro em fevereiro. Para essa aceleração de sete décimas, contribuíram sobretudo os preços dos produtos energéticos. Entre as quatro grandes componentes do índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), a energia foi a que registou a maior aceleração em março, tendo passado de valores negativos para positivos. Segundo o Eurostat, passou de -3,1% para 5,1%, mais duas décimas do que o tinha sido avançado na estimativa rápida.
Essa forte aceleração (de 8,2 pontos percentuais) no IHPC da energia deve-se à subida vertiginosa dos preços do petróleo e gás, devido ao bloqueio do Irão ao estreito de Ormuz – via marítima fundamental por onde passa 20% do petróleo e gás consumido em todo o mundo – em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) defende que a Zona Euro pode estar perante um "verdadeiro choque" energético e promete que o banco central não vai ficar "paralisado" pela incerteza. "Não agiremos antes de termos informação suficiente sobre a magnitude e persistência do choque e a sua propagação. Mas não nos deixaremos paralisar pela hesitação: o nosso compromisso de alcançar uma inflação de 2% a médio prazo é incondicional", referiu, depois de o BCE ter decidido manter as taxas de juro inalteradas na última reunião.
Porém, o maior contributo para a inflação na Zona Euro continua a vir dos serviços. Os dados finais do Eurostat revelam que, em março, os serviços contribuíram com 1,49 pontos percentuais para a taxa de inflação de março, ao passo que o contributo da energia foi de 0,48 pontos percentuais. Mas, em março, o IHPC dos serviços até abrandou, passando de 3,4% para 3,2%, retomando a trajetória decrescente que foi interrompida no último mês. Os restaurantes e hotéis explicam, em grande medida, a persistência de uma inflação elevada nos serviços.
Nas restantes componentes, houve também um alívio na subida de preços. O índice relativo aos alimentos, álcool e tabaco aliviou uma décima, de 2,5% para 2,4%, e o IHPC relativo aos bens industriais não-energéticos passou de 0,7% para 0,5% em março. Os alimentos contribuíram em 0,45 pontos percentuais para a taxa de inflação registada e os bens industriais não-energéticos com 0,13.
A inflação subjacente da Zona Euro – que exclui os produtos que estão mais sujeitos a grandes variações de preços (produtos energéticos e alimentos, álcool e tabaco) e à qual o BCE tem estado particularmente atento – aliviou de 2,4% em fevereiro para 2,3% em março. Esta desaceleração da chamada "inflação crítica" mostra que, apesar do disparo na inflação global, as componentes com preços menos voláteis, como a educação e saúde, ainda não foram "contagiadas" pela subida a pique dos preços.
Portugal em linha com euro e abaixo da média dos 27
Os dados finais do Eurostat revelam que, considerando os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), a taxa de inflação foi superior à da Zona Euro. Acelerou de 2,1% para 2,8%, mais uma décima do que o registado pelo grupo dos países da moeda única.
Entre os 27 países da UE, 23 viram a taxa de inflação acelerar no primeiro mês da guerra no Irão, um manteve a taxa inalterada (Malta) e três registaram uma desaceleração (Eslováquia, Eslovénia e Suécia). No caso de Portugal, o IHPC de março fixou-se em 2,7%, um valor que está em linha com a média da Zona Euro e uma décima abaixo do registado na UE. Esse valor compara ainda com 2,1% de inflação registada no mês anterior.
As variações homólogas da taxa de inflação mais baixas foram observadas na Dinamarca (1%) e na República Checa, Chipre e Suécia (cada com uma taxa de 1,5%). Em sentido contrário, as taxas de inflação mais altas registaram-se na Roménia (9%), Croácia (4,6%) e Lituânia (4,4%).
(notícia atualizada às 10:48)