Obras na refinaria da Galp "condicionaram ligeiramente" exportações de 2025, diz Governo
Ministro da Economia e da Coesão Territorial admitiu, no Parlamento, que a queda das exportações no final do ano "condicionou ligeiramente" o resultado anual e justificou essa queda com as obras de manutenção da refinaria da Galp. "Queda não tem nada de estrutural", garantiu.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, defendeu esta quarta-feira que as obras de manutenção da refinaria da Galp "condicionaram ligeiramente" o resultado anual das exportações de bens em 2025. No ano passado, as exportações cresceram apenas 0,5%, mas o governante rejeita que esse aumento ténue tenha sido explicado por fatores estruturais.
"Houve no final de dezembro uma queda das exportações que condicionou ligeiramente o resultado anual. Mas essa queda não tem nada de estrutural. Teve apenas a ver com obras de manutenção da refinaria da Galp, que é um grande exportador, e que alterou o resultado habitual das exportações no último mês do ano de 2025", afirmou, em audição na comissão de Economia e Coesão Territorial, no Parlamento.
Os dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, no conjunto de 2025, Portugal exportou um total de 79.312 milhões de euros, o que correspondeu a um aumento anual de 417 milhões face ao ano anterior. A Alemanha foi o mercado que mais contribuiu para este acréscimo, tendo-se mantido como segundo principal destino das exportações nacionais, com um peso de 13,9%.
Em sentido contrário, os Estados Unidos foram o mercado que mais penalizou as exportações nacionais, tendo-se observado uma queda de 13,4% face ao ano anterior (-715 milhões de euros), devido essencialmente à diminuição dos combustíveis e lubrificantes. Essa contração foi explicada sobretudo pela política comercial imprevisível de Donald Trump.
Uma alteração nas regras aplicáveis às estatísticas europeias impede que, a partir deste ano, seja conhecida a lista completa das dez maiores empresas exportadoras em Portugal. Assim, não se sabe que lugar ocupou a Petrogal, empresa do Grupo Galp Energia, no top de principais exportadoras nacionais em 2025. Porém, a Petrogal tem sido uma presença constante nos lugares cimeiros da lista, tendo sido a maior exportadora do país em 2024 e em anos anteriores.
No que toca às importações, Manuel Castro Almeida lembrou que os dados do INE apontam para um crescimento de 3,9%, um valor "acima das exportações". Porém, sublinhou que "a maior parte desse crescimento é imputado a bens de equipamento – não são bens de consumo – são equipamentos que vêm reforçar a capacidade do setor produtivo" do país.
Ao todo, o país comprou um total de 111.412 milhões de euros em mercadorias ao exterior, o que refletiu um aumento de 4.169 milhões face ao ano anterior, segundo o INE. Espanha foi o mercado que mais contribuiu para o acréscimo das importações, tendo-se observado um aumento de 3,9% nas compras ao país vizinho. No conjunto do ano, Espanha manteve-se como principal fornecedor de bens a Portugal, com um peso total de 32,9%.
O ministro da Economia referiu ainda que a expectativa dos empresários nacionais "é que as exportações voltem a crescer em 2026". Esses dados constam do inquérito sobre perspetivas de exportação de bens para 2026, realizado em novembro de 2025, com as empresas portuguesas a anteciparem conseguir exportar mais 5,1% este ano. Porém, esse valor não tinha ainda em conta a forte incerteza internacional criada pela guerra no Irão e pela escalada dos preços da energia.
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