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Portugal em risco de crescer menos de 1% este ano

O desempenho desapontante da economia no segundo trimestre do ano tornou mais real o risco da economia portuguesa crescer menos de 1% este ano. O Ministério das Finanças garante que a retoma está apenas atrasada.

Bruno Simão/Negócios
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 12 de Agosto de 2016 às 16:15
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Portugal poderá crescer menos de 1% este ano, desacelerando face aos 1,5% do ano anterior e ficando distante da previsão do Governo de um crescimento de 1,8% inscrita no Orçamento do Estado e no Programa de Estabilidade.

Este é o resultado do desempenho desapontante da economia no segundo trimestre do ano, tendo o produto interno bruto (PIB) aumentado somente 0,8% face a segundo trimestre de 2015, e 0,2% face ao primeiro trimestre do ano, avançou o INE na sua estimativa rápida que será reavaliada no final do mês.

Com meio ano corrido, para atingir a meta de crescimento anual do Governo, a economia portuguesa teria de crescer em termos homólogos 2,7% na segunda metade do ano – isto após um aumento do PIB de apenas 0,85% no primeiro semestre. Mesmo para atingir os 1,5% previstos pela Comissão Europeia em Maio, o crescimento teria de acelerar para 2,1% em termos homólogos no segundo semestre, o que parece improvável.

Usando as previsões de Bruxelas para o crescimento do resto do ano (1,7% e 2%, homólogos, no segundo e terceiro trimestres, respectivamente) a economia portuguesa poderá ainda crescer na casa dos 1,4% em 2016 – um valor que o Governo admitiu recentemente como cenário alternativo numa troca de correspondência com Bruxelas. Este é no entanto um número que à luz do que aconteceu na primeira metade do ano pode ser optimista.

FMI e OCDE apontaram nos últimos meses para 1% e 1,2%, e face aos dados divulgados pelo INE na sexta-feira, 12 de Agosto, e também estes valores podem estar em risco: é que vários analistas apontam  agora para a possibilidade de um crescimento inferior a 1%.

"Os dados sugerem nova contracção do investimento, o que é bastante preocupante, e uma desaceleração do consumo privado acompanhada nas exportações e nas importações", escreveram os economistas do núcleo de previsões da Universidade Católica numa nota enviado ao Negócios, na qual mantiveram a previsão de crescimento de 0,9% para o ano. "Os riscos que pesam sobre a economia portuguesa continuam a ser maioritariamente descendentes e os sinais muito desfavoráveis do investimento continuam a ser o principal factor de preocupação", acrescentam.

A equipa do Montepio, que apontava para um crescimento de 1,2% em 2016, reviu a sua previsão para 1%, sublinhando que os riscos descendentes sobre a economia são "maioritários". "A nossa previsão de crescimento para 2016 (1%) está agora em linha com os 1% previstos pelo FMI (30 de Junho), mas mais afastada dos 1,3% previstos pelo Banco de Portugal (8 de Junho), dos 1,5% previstos pela Comissão Europeia (3 de Maio) e afasta-se ainda mais dos 1,8% do Governo (30 de Março)", comenta por e-mail ao Negócios, Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio.

Filipe Garcia, da Informação de Mercados Financeiros, enviou também uma nota a clientes na qual alerta que "para o conjunto de 2016, pensamos que o PIB poderá crescer, no máximo, 0,8% a 0.9%, com riscos de revisão em baixa".

Do lado do governo, a mensagem procurou ser tranquilizadora. O Ministério das Finanças reagiu em comunicado, reconhecendo que "a economia está assim a levar mais tempo a acelerar o ritmo de crescimento", mas confiando que "nos próximos meses, o crescimento económico deverá ser sustentado nos sinais de franca recuperação do mercado de trabalho", e também na maior confiança dos empresários e das expectativas de investimento reflectidas nos últimos inquéritos do INE.

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