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A história improvável por trás do teste britânico de 90 minutos à covid-19

Uma pequena empresa de testes de ADN, que há uns meses tentava estabelecer-se na área da genética do consumidor, agora faz parte de um esforço para tornar os hospitais do Reino Unido mais seguros durante a pandemia.

Bloomberg 11 de Agosto de 2020 às 15:11
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A empresa, DnaNudge, obteve uma encomenda de 161 milhões de libras para 5.000 máquinas para testar pacientes para o novo coronavírus em centenas de hospitais do sistema nacional de saúde (National Health Service).

Para o fundador Christofer Toumazou, professor no Imperial College London, é o resultado de meses de esforços para adaptar uma máquina do tamanho de uma torradeira, que desenvolveu originalmente para analisar partes-chave do ADN das pessoas, de forma a que os utilizadores pudessem adaptar as suas dietas à hereditariedade.

Agora, o seu minilaboratório portátil será usado para verificar se os pacientes que chegam aos hospitais para cirurgia, tratamento de cancro e outros procedimentos estão com covid-19 – uma mudança inesperada na sua contribuição para a revolução da genética do consumidor.

A sua máquina, a Nudgebox, dá o resultado em 90 minutos no local - sem necessidade de enviar amostras para um laboratório. Ela também consegue identificar gripe e outra doença pulmonar comum como a causada pelo vírus sincicial respiratório.

O governo do Reino Unido também encomendou este mês 450.000 testes rápidos da empresa de testes de ADN Oxford Nanopore Technologies. Os diagnósticos inovadores são os exemplos mais recentes do recurso à ciência britânica para combater a pandemia, juntamente com a vacina contra o coronavírus que está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca Plc.

Assunto sensível

O teste do coronavírus tornou-se um tema sensível no Reino Unido depois de os esforços iniciais para acelerar o diagnóstico terem fracassado. Milhares de testes encomendados na primavera passada revelaram-se defeituosos, impedindo o aumento da deteção previsto pelo primeiro-ministro Boris Johnson. O Reino Unido teve mais de 46.000 mortes, o número mais elevado entre os países europeus.

Algumas das Nudgeboxes encomendadas já foram colocadas em oito hospitais e centros de saúde de Londres, onde médicos e enfermeiras podem usá-las para determinar rapidamente se novos pacientes devem ser isolados. A DnaNudge pode chegar ao público dentro de um ano ou mais, de acordo com Toumazou.

Mais dinheiro

Toumazou foi ao encontro do seu maior investidor, o ex-primeiro-ministro tailandês e magnata dos telemóveis Thaksin Shinawatra, que concordou em investir mais dinheiro no negócio para financiar a transição.

A Nudgebox deixou de analisar o ADN humano para passar à tarefa mais restrita de reconhecer o projeto genético do vírus SARS-CoV-2.

Toumazou, de 59 anos, diz que pouca coisa da sua formação o preparou para os campos da saúde ou da ciência. Filho de uma família de imigrantes gregos cipriotas que tinha restaurantes no Reino Unido, foi inspirado por um tio que era engenheiro.


Embora a sua escola não oferecesse os exames que permitiam o acesso às melhores faculdades do Reino Unido, Toumazou inscreveu-se num programa de engenharia elétrica na então chamada Oxford Polytechnic.

Lá, ele e o seu instrutor John Lidgey começaram a trabalhar num novo tipo de circuito que reduziu drasticamente a quantidade de energia necessária. Enquanto investigador no Imperial College London, tornou-se o mais jovem da instituição a ser promovido a professor, aos 33 anos. Toumazou começou a usar a tecnologia numa variedade de aplicações, incluindo telemóveis e próteses para crianças surdas, e interessou-se na ligação entre tecnologia e genética.

Agora, passa a maior parte dos seus dias nos hospitais do serviço nacional de saúde em Londres e Oxford, a supervisionar o uso das Nudgeboxes para a covid.

Nos hospitais, estão a fazer centenas de testes todos os dias e o seu criador ainda vê margem para aumentar as possíveis aplicações. Os dispositivos podem ser usados para testes rápidos em aeroportos ou empresas quando as pessoas apresentarem sintomas, por exemplo, ou para verificar rapidamente os voluntários para testes de vacinas.

E também há a possibilidade de voltar à missão original da DnaNudge - ajudar as pessoas a combinar os alimentos com a sua predisposição genética - para evitar diabetes, doenças renais e outras condições que podem torná-las mais vulneráveis à covid.


"O meu sonho é levar testes como este ao consumidor", disse Toumazou. "Um teste que possa desmistificar e simplificar isso rapidamente - em vez de deixar as pessoas com dúvidas - será muito útil."

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