Stoxx 600 atinge novo máximo com impulso das mineiras. Heineken perde 4% com saída de CEO
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta segunda-feira.
- 2
- ...
Stoxx 600 atinge novo máximo com impulso das mineiras. Heineken perde 4% com saída de CEO
Os principais índices europeus encerraram com ganhos em praticamente toda a linha. O “benchmark” do Velho Continente renovou máximos históricos e de fecho nesta segunda-feira, com o setor mineiro a impulsionar os índices num dia em que o ouro e a prata atingiram novos recordes.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – subiu 0,21%, para um novo máximo de fecho nos 610,95 pontos, tendo também chegado a bater um novo recorde intradiário nos 611,27 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX subiu 0,57%, o espanhol IBEX 35 ganhou 0,14%, o italiano FTSEMIB valorizou ligeiros 0,03%, o francês CAC-40 cedeu 0,04%, ao passo que o britânico FTSE 100 somou 0,16% e o neerlandês AEX subiu 0,54%.
Os investidores continuaram a avaliar o impacto da ação judicial da Administração Trump contra a Reserva Federal norte-americana, que suscitou novas preocupações em torno da independência do banco central, fator que acabou por impulsionar a procura por metais preciosos enquanto ativo de refúgio. Nesta linha, empresas do setor dos recursos naturais - que foi o que mais valorizou na sessão, tendo registado ganhos de 1,82% - como a Glencore (+3,32%) ou a ArcelorMittal (+1,91%) beneficiaram da forte procura por metais preciosos.
Já do lado das perdas, destacou-se o setor do turismo (-1,54%) e o automóvel (-1,22%).
Entre os movimentos do mercado, a Abivax travou os ganhos de mais de 30% que chegou a atingir na sessão para apenas 5%, depois de o ministério das Finanças francês ter afirmado que não foi contactado pela norte-americana Eli Lilly sobre uma possível oferta de aquisição pela empresa francesa de biotecnologia. Por outro lado, a Heineken caiu 4,14%, após o CEO, Dolf van den Brink, ter anunciado que deixará o seu cargo no final de maio, com a cervejeira holandesa a alertar para uma queda nos lucros devido à diminuição das vendas.
Juros aliviam em toda a linha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro registaram alívios em toda a linha na sessão de hoje, num dia em que a grande maioria dos índices bolsistas do Velho Continente ganharam terreno.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviaram 2,3 pontos base para 2,838%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade caiu 1,7 pontos para 3,504%. Já em Itália, os juros recuaram 2,7 pontos para os 3,466%.
Pela Península Ibéria, registou-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a recuar 1,6 pontos base para 3,080% e as espanholas a caírem igualmente 1,6 pontos para 3,229%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviaram 0,1 pontos base, para 4,372%.
Ouro e prata fixam novo recorde. Incerteza geopolítica e ataques à Fed impulsionam metais
O ouro atingiu nesta segunda-feira um novo máximo histórico nos 4.627,470 dólares por onça, com o metal amarelo a ganhar terreno numa altura em que os “traders” avaliam ataques da Administração Trump à independência da Reserva Federal (Fed) norte-americana, enquanto a incerteza geopolítica e um dólar mais fraco impulsionam a procura por ouro.
A esta hora, o metal amarelo soma 2,48%, para os 4.621,350 dólares por onça.
A par do ouro, também a prata renovou máximos históricos nos 85,772 dólares por onça, estando a negociar agora com uma valorização de 6,92%, para os 85,383 dólares por onça.
No plano geopolítico, Trump disse no domingo que estava a ponderar uma série de respostas, incluindo opções militares, à repressão violenta dos protestos no Irão. A situação vivida no país do Médio Oriente está assim a contribuir para os receios dos investidores e a impulsionar a procura por metais preciosos.
Noutros metais, a platina soma 3,71%, para os 2.363,100 dólares por onça, enquanto o paládio avança 3,16%, para os 1.880,590 dólares por onça.
Intimação contra a Fed dá a maior queda ao dólar em três semanas
O dólar está a registar a maior queda em quase três semanas, pressionado pela ação judicial interposta pelo Departamento de Justiça norte-americano contra a Reserva Federal (Fed), que pode culminar na destituição de Jerome Powell do cargo de presidente do banco central. A intimação diz respeito às obras para a renovação da sede da instituição, mas o líder da autoridade monetária - e os investidores - estão a encarar este processo como uma ameaça à independência da Fed por não ir ao encontro dos desejos de Donald Trump e cortar as taxas de juro.
A esta hora, o euro avança 0,38% para 1,1681 dólares, enquanto a libra salta 0,54% para 1,3476 dólares. O índice do dólar da Bloomberg encaminha-se mesmo para a pior sessão desde 23 de dezembro, depois de até ter arrancado o ano com alguma força, com os investidores a procurarem refúgio na "nota verde" do aumento das tensões geopolíticas a nível mundial - nomeadamente, após o ataque dos EUA à Venezuela.
"Trump parece determinado a exercer controlo sobre a Reserva Federal, o que pode comprometer a independência da política monetária da Fed", explica Fiona Lim, estratega de câmbio do Malayan Banking Bhd, à Bloomberg. "A impaciência e determinação de Trump em reduzir as taxas de juro sugerem que a sua escolha para o próximo presidente poderá passar por alguém leal [a si próprio}, o que pode representar um risco para o dólar", esclarece ainda.
O Presidente dos EUA tem sido bastante crítico da política monetária da Fed. Por diversas vezes, Donald Trump utilizou as redes sociais para atacar o líder do banco central, defendendo um alívio imediato nos juros diretores, e foi um dos principais rostos na investida contra Lisa Cook, membro do conselho de governadores da Fed. Jerome Powell está certo que "esta ameaça", como descreve, "não tem a ver com o meu testemunho", mas é sim um "pretexto" para minar a independência do banco central através de uma instrumentalização da justiça.
Os investidores aguardam ainda novos desenvolvimentos em torno da política comercial da atual administração dos EUA, com o Supremo Tribunal a tomar uma decisão sobre a legalidade das tarifas - algo que pode acontecer já na quarta-feira. Ainda em foco está os dados da inflação relativos a dezembro, que vão ser divulgados já na terça-feira.
Preços do petróleo cedem com "traders" a avaliar situação no Irão e Venezuela
Os preços do petróleo seguem a negociar com perdas nesta segunda-feira, depois de Teerão ter afirmado que a situação no país está “sob controlo”, após se ter registado uma intensificação dos protestos contra o regime iraniano ao longo dos últimos dias. As declarações de Abbas Araqchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, aliviaram algumas preocupações relacionadas com o abastecimento de crude, enquanto os "traders" continuam a seguir de perto os desenvolvimentos na Venezuela.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – cai 0,39%, para os 58,87 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 0,19% para os 63,23 dólares por barril.
Ambos os preços de referência subiram mais de 3% na semana passada, marcando a maior valorização semanal desde outubro.
No que toca à Venezuela, o país deverá retomar as exportações de petróleo em breve, já que Trump disse na semana passada que o Governo de Caracas irá entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Isto à medida que se espera que os preços do “ouro negro” continuem a ser pressionado por um excedente no mercado, embora os riscos geopolíticos ligados à Rússia, Venezuela e Irão continuem a impulsionar a volatilidade dos preços do crude.
Pressão sobre a Fed e banca atiram Wall Street para o vermelho. American Express perde mais de 4%
Os principais índices norte-americanos negoceiam com perdas em toda a linha, à medida que os investidores reduzem a exposição a ativos de risco, depois de a Administração Trump ter intensificado a pressão sobre a Reserva Federal (Fed) norte-americana, pondo novamente em causa a independência do banco central.
O “benchmark” S&P 500 recua 0,34%, para os 6.942,66. Já o Nasdaq Composite perde 0,23%, para os 23.615,86 pontos. O Dow Jones, por sua vez, desvaloriza 0,82% para os 49.100,25 pontos.
Os futuros dos três principais índices começaram a perder terreno depois de o presidente da Fed, Jerome Powell, ter anunciado que enfrenta uma ação judicial por não cortar as taxas diretoras, algo exigido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Estas perdas estendem-se agora ao início da sessão do lado de lá do Atlântico.
Num comunicado divulgado no domingo, Jerome Powell disse que a instituição recebeu uma intimação do Departamento de Justiça que pode levar a um processo de destituição, com base numa audiência em junho. O líder do banco central defendeu que a intimação faz parte da pressão contínua, exercida por Trump sobre a instituição, para cortar as taxas de juro de forma mais drástica, mesmo com a inflação a manter-se acima da meta de 2%.
“As preocupações com a independência da Fed foram realmente reforçadas com a última investigação criminal”, disse Jan Hatzius, economista-chefe do Goldman Sachs, numa conferência em Londres, citado pela Bloomberg. “A nossa expectativa, porém, é que esta seja uma decisão do comité. Não tenho dúvidas de que, no resto do seu mandato como presidente, Powell tomará decisões com base nos dados económicos.”
Além de preocupações em torno da independência do banco central, as declarações de Trump seguem a pressionar o setor da banca norte-americano. Isto depois de o republicano ter apelado, ainda que em tom de exigência, que as instituições financeiras limitem as taxas de juros nos cartões de crédito a 10%, durante o período de um ano, já a partir da próxima semana.
Nesta linha, o Citigroup (-3,41%), American Express (-4,53%) e a Capital One Financial (-6,50%), entre outras instituições financeiras, estão a registar perdas expressivas a esta hora. A par disso, cotadas do setor tecnológico também seguem a perder terreno, numa altura em que a Intel, por exemplo, perde mais de 1%.
Quanto às "big tech”, a Nvidia soma 0,28%, a Meta mantém-se praticamente inalterada com um deslize de 0,0045%, a Apple cede 0,48%, a Alphabet ganha 0,049%, a Amazon avança ligeiros 0,074% e a Microsoft ganha 0,018%.
Taxa Euribor sobe a três e a seis meses e desce a 12 meses
A taxa Euribor subiu esta segunda-feira a três e a seis meses e desceu a 12 meses face a sexta-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que subiu para 2,020%, permaneceu abaixo das taxas a seis (2,130%) e 12 meses (2,249%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu, ao ser fixada em 2,130%, mais 0,014 pontos que na sexta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a novembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,6% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,84% e 25,17%, respetivamente.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses subiu para 2,020%, mais 0,001 pontos do que na sexta-feira.
Em sentido inverso, no prazo a 12 meses, a taxa Euribor recuou de 2,251% para 2,249%.
A média mensal da Euribor em dezembro subiu 0,006 pontos para 2,048% a três meses e 0,008 pontos para 2,139% a seis meses. A 12 meses, a média mensal da Euribor avançou 0,050 pontos para 2,267%.
Na reunião de 18 de dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras, de novo, pela quarta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou este ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 04 e 05 de fevereiro, em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Zona Euro com tendência mista: 'Bunds' alemãs aliviam; juros em Espanha e França sobem
Os juros das dívidas soberanas entre os principais membros da Zona Euro seguiam numa tendência mista na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, entre os receios de um aumento das interferências junto da reserva federal norte-americana, mas animadas com a melhoria na confiança dos investidores do bloco.
Pelas 10:30 horas, os juros a dez anos das obrigações francesas e espanholas seguiam no vermelho, a agravarem-se em 0,4 pontos-base, para 3,525% e 3,249%, respetivamente. Os juros da Grécia também aumentaram 0,3 pontos base, para 3,349%. Em Portugal, a tendência também era de agravamento, mas em apenas 0,1 pontos-base para 3,079%.
Pela positiva, destaque para as 'bunds' alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, e para as obrigações italianas, ambas a aliviar 0,2 pontos-base, para 2,859% e 3,491%, respetivamente.
Fora da Zona Euro, os juros das 'gilts' britânicas a dez anos estavam no vermelho, agravando-se em 0,9 pontos-base para 4,382%.
A marcar a manhã e a análise dos investidores estão dois acontecimentos contraditórios. Por um lado, os receios associados à independência da Reserva Federal norte-americana (Fed), após a intimação do Departamento de Justiça norte-americano, que pode levar a uma investigação criminal e, em última análise, à destituição do líder daquela autoridade monetária, Jerome Powell.
Por outro, a confiança dos investidores da Zona Euro subiu mais do que o esperado no início do ano, com o indicador Sentix, uma empresa alemã de estudos de mercado, a atingir o valor mais elevado desde julho passado.
Receios com independência da Fed deixa Europa sem rumo
As bolsas europeias estão a negociar sem tendência definida, com as praças do bloco divididas entre ganhos e perdas, numa altura em que o foco dos investidores passa dos conflitos geopolíticos ao braço de ferro entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.
Powell disse este fim-de-semana ter recebido uma intimação por, na sua perspetiva, não cortar as taxas de juro. A ação judicial norte-americana pode levar a um processo de destituição de Powell, que termina o mandato em maio deste ano, e coloca ainda em risco a independência do banco central face ao Governo. Os analistas dizem que, como Trump não pode intervir diretamente na política monetária, exerce pressão desta forma.
Neste contexto, o Stoxx 600 perde 0,17% para 608,62 pontos, afastando-se do recorde atingido na última sessão, pressionado sobretudo pelo setor da energia, das viagens e do automóvel, que caem cerca de 1%.
É um passo atrás no arranque otimista de ano que o "benchmark" estava a registar, à boleia das mineiras e tecnológicas. Os investidores estão ainda de olho nos desenvolvimentos da geopolítica mundial, com os EUA a continuarem as ameaças de intervenção no Irão.
"O início do ano tem sido estelar até agora, então esta é uma boa oportunidade para os investidores realizarem alguns lucros", disse Andrea Tueni, do Saxo Banque France, à Bloomberg.
Quanto aos resultados por praça, o espanhol IBEX 35 recua quase 1%, o francês CAC-40 cede 0,25%, o britânico FTSE 100 avança 0,06%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,42% e o alemão Dax valoriza 0,1%. O neerlandês AEX cede 0,14%.
Entre as ações individuais, a Abivax dispara 22%, numa altura em que se fala de uma possível aquisição da empresa francesa de biotecnologia.
As ações do Barclays tombam 3,2%, depois de o presidente Donald Trump ter dito que as empresas gestoras de cartões de crédito estariam a "violar a lei" se não limitassem as taxas de juros a 10% por ano, como apelou Trump.
As ações da Heineken caíram 4,54%. O diretor executivo, Dolf van den Brink, deve deixar o cargo meses depois de a empresa ter alertado sobre a queda nos lucros devido à redução nas vendas de cerveja.
O mercado espera pelos novos catalisadores desta semana: os dados da inflação nos EUA e o arranque da "earnings season" nos EUA.
Juros da dívida dos EUA sobem ligeiramente após intimição contra Powell
A 'yield' das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos (EUA) a 10 anos subiu nesta segunda-feira, 12 de janeiro, na abertura da negociação em Londres, depois de o presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell, ter anunciado que recebeu uma intimação do Departamento de Justiça, o que pode levar a um processo de destituição.
"Na sexta-feira, o Departamento de Justiça notificou a Reserva Federal com intimações de um grande júri, ameaçando uma acusação criminal relacionada com o meu depoimento perante a Comissão Bancária do Senado, em junho passado. Esse depoimento dizia respeito, em parte, a um projeto plurianual de renovação de edifícios históricos dos escritórios da Reserva Federal", anunciou Powell.
Pelas 09:40 horas, os juros a 10 anos subiam 3,2 pontos-base para 4,197%, com os mercados a penalizarem a decisão, receando que uma política monetária menos exigente possa desencadear novas pressões inflacionistas.
Em causa está a possível abertura de uma investigação criminal a Jerome Powell, decidida pela procuradoria do Distrito de Columbia (liderada por Jeanine Pirro, uma magistrada nomeada por Donald Trump). Em causa estão as declarações prestadas por Powell ao Congresso dos EUA e a possibilidade de ter mentido sobre as obras de renovação da sede da Fed.
Recorde-se que Trump acusou a Fed de exceder o orçamento para a renovação da sede, em Washington, sugerindo que poderia haver fraude e citando um custo total de 3,1 mil milhões de dólares (2,66 mil milhões de euros), em comparação com os 2,7 mil milhões de dólares (2,31 mil milhões de euros) inicialmente projetados, um valor que Jerome Powell nega e que vê como mais uma pressão para que a instituição corte juros (como o presidente norte-americano pretende).
"Esta ameaça não tem a ver com o meu testemunho. Isto é um pretexto. A ameaça de processo é uma consequência do compromisso da Fed em definir as taxas de juro no melhor interesse do público, em vez de ir ao encontro das preferências do Presidente", afirmou Powell num vídeo inédito publicado no portal da Fed.
Dólar recua com novo ataque à independência da Fed
A Reserva Federal (Fed) recebeu uma intimação do Departamento de Justiça que pode levar a um processo de destituição. A ação judicial em causa está relacionada com a renovação da sede do banco central americano, mas Jerome Powell fez uma análise pública diferente.
"Esta ameaça não tem a ver com o meu testemunho. Isto é um pretexto. A ameaça de processo é uma consequência do compromisso da Fed em definir as taxas de juro no melhor interesse do público, em vez de ir ao encontro das preferências do Presidente", afirmou Powell num vídeo publicado no portal da Fed.
Esta ação judicial, que está a ser vista como um novo ataque à independência da Fed, está a ter um impacto direto na negociação do dólar. O índice do dólar americano (DXY), que compara o valor da moeda norte-americana com outras divisas, recua 0,41% para os 98.7239 pontos.
Já nesta segunda-feira, Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu, considerou que recentemente o dólar não tem mostrado um comportamento típico de um ativo-refúgio, o que traz pressão acrescida sobre a negociação cambial da divisa americana.
A esta hora, o euro segue a valorizar 0,49% para 1,1693 dólares e a libra também segue a avançar 0,43% para 1,3463 dólares. O dólar também recua 0,65% para 0,7960 francos suíços. O dólar cede ainda 0,06% face à divisa japonesa, para 157,79 ienes.
Já noutros pares de câmbio, o euro avança 0,07% para 0,8686 libras e avança 0,41% para 184,50 ienes.
Petróleo com quedas ligeiras com o Irão na mira de Trump
Os preços do petróleo arrancam a semana com uma queda muito ligeira, numa altura em que o mercado continua a seguir os desenvolvimentos na Venezuela e no Irão.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – desce 0,64%, para os 58,91 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 0,3% para os 63,15 dólares por barril. Com a escala de conflitos geopolíticos, os dois índices subiram 3% na semana passada.
Os protestos no Irão entram na terceira semana, e o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Casa Branca está a ponderar "opções fortes" para intervir. O Irão afirmou, no entanto, que situação está "sob controlo total" após a escalada de violência do fim de semana.
O aumento do conflito levou à subida do prémio de risco nos preços do petróleo, mas o mercado parece ainda estar a subestimar a ideia de um conflito mais alargado entre os EUA e o Irão, que poderia impactar as exportações de petróleo no Estreito de Ormuz. O Irão é o quarto maior produtor de crude no mundo e exporta cerca de dois milhões de barris todos os dias.
Até que os protestos "interrompam efetivamente as exportações ou o transporte marítimo, o mercado irá, na sua maioria, ignorá-los", afirmou Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, acrescentando que "a fasquia para um aumento da volatilidade é baixa", citado pela Bloomberg.
Na Venezuela, espera-se que o país retome as exportações em breve, já que Trump afirmou na semana passada que Caracas deverá entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA e as empresas do setor já se mobilizam para encontrar navios que transportem a matéria-prima.
Na sexta-feira, Trump convocou os líderes das gigantes petrolíferas, incluindo a Chevron e a Exxon, para uma cimeira na Casa Branca para discutir o conflito. Lá, o Presidente prometeu 100 mil milhões de dólares para reconstruir o setor petrolífero venezuelano, membro da OPEP. No entanto, Trump disse estar inclinado a retirar a Exxon da operação, depois do CEO ter dito que a Venezuela é um país "inviável para investimentos".
No sábado, Trump assinou uma ordem executiva para proteger as receitas petrolíferas do país sul-americano mantidas nos cofres norte-americanos e esta madrugada afirmou-se mesmo como presidente interino da Venezuela.
Ouro e prata batem recordes com novo ataque à Fed e tensão no Irão
O dia está de feição para os ativos-refúgio, como os metais preciosos. E é por isso que tanto o ouro como a prata bateram novos recordes na negociação desta segunda-feira.
O dia está a ser marcado por um novo ataque contra a Reserva Federal (Fed) dos EUA. Foi o próprio líder da Fed, Jerome Powell, quem anunciou que o banco central enfrenta uma ação judicial, relacionada com o processo de renovação da sede da Fed, mas que associa ao facto de a política monetária seguida não ser tão agressiva no corte de taxas de juro tanto quanto era ambicionado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
"A ameaça de processo é uma consequência do compromisso da Fed em definir as taxas de juro no melhor interesse do público, em vez de ir ao encontro das preferências do Presidente", afirmou Powell num vídeo publicado no portal da Fed. Como consequência, o dólar está a perder força, o que traz melhores condições para que investidores fora dos EUA possam apostar nos metais preciosos.
Num contexto em que a independência do banco central norte-americano é novamente colocado em causa, o ouro valorizava às 08:54 horas 1,91% para os 4.595,82 dólares por onça, enquanto a prata saltava 5,47% para os 84,22 dólares por onça. O metal amarelo chegou mesmo a tocar nos 4.600,33 dólares na sessão, um novo recorde, enquanto o metal "branco" tocou nos 84,60 dólares por onça.
"É uma lembrança do elevado número de incertezas que os mercados estão a gerir – a geopolítica, o debate sobre o crescimento [económico] e as taxas de juro", comentou Charu Chanana, analista da Saxo Markets.
A situação vivida no Irão, com protestos populares que ameaçam a continuidade da atual liderança no país, assim como a possibilidade de os EUA fazerem uma intervenção militar em território iraniano, estão também a contribuir para os receios dos investidores e a impulsionar a procura por metais preciosos.
Tecnológicas e dólar mais fraco dão força à Ásia em dia de feriado no Japão
As bolsas asiáticas terminaram a sessão em terreno positivo, num dia em que as praças japonesas estiveram fechadas por conta do feriado da "Dia da Maioridade". O impulso surgiu sobretudo das ações de tecnologia do bloco e do dólar norte-americano mais fraco, que ajudaram a compensar as preocupações que têm vindo a crescer com o aumento das tensões geopolíticas.
O índice MSCI Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, subiu 0,68% para 748,67 pontos. Na China, o Shangai Composite avançou 1,1% para 4.165,29 pontos, enquanto em Honk Kong o Hang Seng ganhou 1,25% para 26.559,7 pontos. Em Taiwan, o Taeix somou 0,92% para 30.567,29 pontos e o sul-coreano Kospi saltou 0,84% para 6.624,79 pontos. A praça da Coreia do Sul sobe há sete sessões consecutivas, tendo hoje tocado num novo recorde, já que o mercado sul-coreano é significativamente focado em tecnologia. Está agora a menos de 10% dos 7.000 pontos.
“A recuperação contínua das ações asiáticas continua concentrada em temas que tiveram um desempenho superior em 2025, nomeadamente a inteligência artificial e a defesa”, disse Gary Tan, gestor de carteiras da Allspring Global Investments, à Bloomberg.
Entre os principais movimentos do mercado asiático, a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC) estendeu os ganhos da semana passada e valorizou 0,6%, ainda a beneficiar dos bons resultados obtidos em 2025, à boleia da inteligência artificial.
Além desta, o Alibaba Group e a Tencent foram as empresas que mais impulsionaram os índices asiáticos, com ganhos de cerca de 5% e 2%, respetivamente. As ações das maiores empresas que gerem plataformas de entrega de comida chinesas subiram, depois de ter sido divulgada uma investigação sobre as práticas de concorrência no setor, que deverá ajudar a pôr fim a uma guerra de preços que tem prejudicado as margens dos negócios.
A líder do setor, a Meituan, chegou a escalar 8%, tendo acabado a sessão com ganhos de 6,5%. A Alibaba, a maior concorrente da Meituan, subiu até 5,4% em Hong Kong, enquanto a JD.com Inc. valorizou quase 2%.
As ações das empresas de baterias chinesas caíram esta segunda-feira após a decisão do país de reduzir os descontos do IVA para as exportações de baterias. A CATL recuou mais de 2%.
A atenção dos investidores esta segunda-feira deverá seguir para o confronto entre a Reserva Federal dos EUA e o Governo de Donald Trump. Jerome Powell, presidente da Fed, disse que a Casa Branca o ameaçou com uma ação criminal, estando em causa o depoimento que prestou ao Congresso no verão passado, sobre o projeto da renovação da sede da Fed, que Powell chamou de "pretexto" para pressionar o banco central a cortar as taxas de juros. O confronto alimenta as preocupações sobre a independência do banco central, que deverá conhecer o sucessor de Powell no início deste ano.
O mercado europeu deverá reagir a este braço de ferro, com os futuros do Euro Stoxx 50 a recuarem ligeiramente.
Últimos eventos
Últimos eventosMais lidas