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Afinal, há mais ou menos testes à covid-19?

A tendência de descida do número de testes em Portugal começou na segunda fase de desconfinamento e prosseguiu na primeira quinzena de junho. Os dados publicados esta terça-feira dão conta de uma pequena recuperação na última semana, mas a testagem mantém-se em níveis ligeiramente inferiores aos registados na segunda quinzena de abril e em todo o mês de maio. Menor intensidade da epidemia pode explicar descida.

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Confrontado com um surto persistente na região de Lisboa e com a colocação de Portugal nas "listas negras" de vários países, o Governo tem defendido que Portugal está a ser vítima da sua elevada capacidade de testagem. Na conferência de imprensa da passada quinta-feira, o primeiro-ministro disse inclusivamente que o número de testes tem vindo a aumentar, contrariando notícias que apontavam em sentido oposto. Afinal, o número de testes está a subir ou a baixar?

 

Depende do que se compara. No final do Conselho de Ministros da semana passada, António Costa comparou o número semanal de testes realizados no período que antecedeu o início do desconfinamento, a 4 de maio, com o número de testes feitos após essa data. E aí, a conclusão é evidente: o número de testes aumentou 29% e é nisso que o governo se baseia para afirmar que há mais pessoas a serem testadas. 

 

No entanto, isso não significa que o número de testes esteja a subir e que tenha crescido ao longo do processo de reabertura da economia. Pelo contrário, desde o início da segunda fase de desconfinamento, a 18 de maio, que se verifica uma tendência de redução do número de testes. Essa tendência é visível nos dados oficiais, reunidos pela Direção-Geral de Saúde, mas também nos dados semanais divulgados recentemente pelo Governo.


Usando estes dados publicitados pelo Governo (ver gráfico onde não consta a última semana), o número semanal de testes atingiu o seu pico no período entre 11 e 17 de maio. Na semana seguinte, sofreu uma quebra assinalável, que foi, contudo, recuperada imediatamente. Porém, na semana entre 1 e 7 de junho dá-se uma nova quebra, ligeira, que se agrava muito na semana seguinte e que é essencialmente explicada pelos dois feriados (o número de testes tende sempre a cair nos dias de descanso), conforme notou António Costa na quinta-feira passada.

 

No entanto, na semana posterior aos feriados, entre 14 e 21 de junho, já sem feriados, a recuperação do número de testes foi insuficiente para regressar aos níveis anteriores. Finalmente, hoje, ao fim de alguns dias sem atualização da informação devido a problemas técnicos segundo a DGS, foram divulgado os dados relativos à última semana que dão conta de uma pequena subida. De 84 mil testes semanais passou-se para 87 mil, ainda assim abaixo dos níveis registados desde meados de abril. Com efeito, com exceção da tal semana atípica de junho, o número semanal de testes tem andado sempre acima da fasquia dos 90 mil.

 

Resumindo, mesmo excluindo a semana dos feriados de junho, existe uma ligeira tendência de quebra no número de testes realizados face ao ritmo registado após meados de abril e durante todo o mês de maio.

 

Menos sintomas, menos testes

A explicação para isso pode residir na diminuição da intensidade da epidemia. Na quarta-feira da semana passada, um dia depois da publicação da primeira notícia do Negócios sobre a redução de testes e um dia antes da conferência de António Costa onde afirmou que os testes estavam a subir, a diretora-geral de saúde confrontada com a tendência de descida da testagem avançou com uma justificação. Graça Freitas afirmou que as orientações internacionais vão no sentido de testar, com prioridade, todas as pessoas que apresentem sintomas e que atualmente são menos. "É natural que à medida que a nossa epidemia vai tendo menos pessoas que apresentam sintomas, sejam testados menos indivíduos do que estavam a ser testados antes", explicou, citada pela agência Lusa.

Na mesma ocasião, a secretária de Estado Adjunta e da Saúde explicou que a política de testagem foi reforçada na fase inicial do período de desconfinamento, sob uma lógica de rastreio massificado, e que, atualmente, essa política acompanha a evolução do número de casos. Ainda assim, Jamila Madeira sublinhou que o país mantém uma forte capacidade de testagem e que essa capacidade será ativada sempre que se mostre necessário.

Portugal é o 22º país que mais testa

Mesmo com esta tendência de ligeira redução do número de testes, Portugal continua a surgir bem classificado na comparação internacional. De acordo com o site Worldometers, Portugal surgiu, respetivamente, nos dois últimos dias como o 22º e 23º país que mais testa em percentagem da população.

Na Europa é superado pela Islândia, Malta, Dinamarca, Luxemburgo, Lituânia, Reino Unido, Chipre e Espanha, mas fica à frente de Itália, Alemanha, Suíça ou Áustria. E fora da Europa Portugal bate países como os Estados Unidos, Israel, Austrália ou Canadá.

Como o Governo tem insistido, quanto mais um país testa maior é a probabilidade de serem identificados novos casos. Claro que isso depende também da pontaria da política de testagem e da capacidade das autoridades de saúde em identificarem as regiões e setores mais vulneráveis. 

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