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Alemanha a caminho da recessão, prevê Ifo. Inflação nos 8,1% este ano e 9,3% em 2023

O instituto alemão de investigação económica, Ifo, reviu em forte baixa as previsões económicas para a maior economia da Europa para este ano e o próximo. Só em 2024, atividade deverá “normalizar”.

Olaf Scholz poderá suceder a Angela Merkel como chanceler da Alemanha, mas a configuração governativa ainda não está fechada.
Sebastian Gollnow/ Pool via Reuters
Paulo Ribeiro Pinto paulopinto@negocios.pt 12 de Setembro de 2022 às 09:32
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São previsões nada animadoras para a maior economia da Europa. A Alemanha deverá crescer este ano apenas 1,6%, entrando em recessão em 2023, com uma variação real do PIB de -0,3%. A inflação salta para 8,1% este ano e para 2023 ainda mais, fixando-se nos 9,3%, prevê o instituto Ifo.

"Estamos a caminhar para um inverno de recessão", resumiu o economista-chefe do Ifo, Timo Wollmershäuser.  "Os cortes no fornecimento de gás da Rússia durante o verão e os aumentos drásticos dos preços que desencadearam estão a causar estragos na recuperação económica após a covid-19. Não esperamos um regresso ao normal até 2024, com um crescimento de 1,8% e uma inflação de 2,5%", adiantou, citado em comunicado.

Face às previsões de junho, o Ifo reduziu de forma significativa (4 pontos percentuais) os números para o crescimento em 2023 e aumentou a da inflação em 6 pontos percentuais. "São alterações invulgarmente grandes em tão pouco tempo", sublinhou Wollmershäuser.

A justificar esta forte revisão dos indicadores macroeconómicos, o Ifo aponta os elevados preços da energia, em que os fornecedores "estarão a ajustar consideravelmente os seus preços de eletricidade e gás à luz dos elevados custos de aquisição, especialmente no início de 2023", empurrando a taxa de inflação para cerca de 11% no primeiro trimestre do próximo ano.

"Os rendimentos reais das famílias vão cair de forma acentuada e o poder de compra diminuirá notavelmente", acrescentam os técnicos, acreditando que "o terceiro pacote de ajuda do Governo pode contrariar um pouco este declínio, mas ficará muito aquém de o compensar. "A perda de poder de compra, medida pela diminuição dos salários reais per capita este ano e no próximo em cerca de 3% cada, é maior do que em qualquer momento desde que o atual sistema de contas nacionais foi introduzido em 1970", acrescenta Wollmershäuser.


À medida que o próximo ano for avançando, o Ifo espera um abrandamento gradual da inflação, assumindo que haverá gás suficiente disponível durante o inverno. Os preços da energia deverão parar de subir, começando uma trajetória de descida, "o mais tardar", na primavera de 2023, refere o instituto.

O mercado de trabalho, por seu turno, não deverá sofrer grandes efeitos, prevê o Ifo. "O aumento do emprego só irá abrandar temporariamente" e o aumento do desemprego será por via da contabilização dos cidadãos ucranianos desempregados durante o verão deste ano, mas que "serão gradualmente integrados no mercado de trabalho".

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