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BCE defende que subida dos preços da energia pode repercutir-se em outros produtos

Nas atas da reunião de política monetária do BCE de junho, na qual subiu as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, a entidade monetária chama a atenção para os efeitos secundários do conflito.

Christine Lagarde no Fórum BCE
Christine Lagarde no Fórum BCE D.R.
09 de Julho de 2026 às 16:26
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O Banco Central Europeu (BCE) considera que os efeitos secundários da guerra no Irão são "uma clara possibilidade", pelo que o aumento dos preços da energia pode ser transferido para os preços de outros produtos.

Assim mostram as atas da reunião de política monetária do BCE de junho, na qual subiu as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%.

"Os efeitos secundários continuam a ser uma possibilidade clara e a sua probabilidade aumenta quanto mais tempo persistir a crise de energia", segundo as atas publicadas hoje.

O BCE reviu em junho em alta as previsões de inflação e em baixa as de crescimento.

Além disso, o BCE considera que a inflação subjacente, que desconta a energia e os alimentos porque são mais voláteis, superará 2% até 2028.

Por isso, todos os membros do Conselho de Governadores do BCE apoiaram a decisão de aumentar o preço do dinheiro e reiteraram o compromisso de assegurar que a inflação se estabilize em 2% a médio prazo.

A taxa de inflação da zona do euro caiu surpreendentemente para 2,8% em junho, contra 3,2% em maio, depois de o BCE ter aumentado as taxas pela primeira vez em quase três anos.

O Conselho de Governadores considerou que o aumento das taxas de juro de 25 pontos base era "consistente com a estratégia de um ajustamento moderado da política monetária em resposta a um choque da oferta que gera uma superação de grande magnitude mas não demasiado persistente do objetivo de inflação".

Este aumento moderado das taxas de juro deixa o Conselho de Governadores bem posicionado para "navegar a incerteza causada pela guerra, avaliar os dados que chegarem e manter a flexibilidade para as reuniões futuras", acrescentam as atas.

"A guerra no Médio Oriente gera pressões sobre a inflação. A inflação mais elevada devido ao choque persistente nos preços da energia já não era apenas uma previsão, mas já se tinha materializado", considerou o Conselho de Governadores do BCE na reunião de junho.

Os dados recebidos indicam cada vez mais "efeitos indiretos visíveis e amplos sobre a inflação não energética", segundo o BCE, ou seja, o encarecimento da energia pressiona os preços de outros produtos e serviços de maneira generalizada.

O aumento dos preços da energia é transferido para outras partes da cesta de consumo.

A subida das taxas de juro de junho "deveria conter os efeitos indiretos e os riscos de efeitos de segunda ronda do choque energético", acrescenta o BCE nas atas.

"Além disso, deveria apoiar a credibilidade do compromisso do BCE com a estabilidade de preços" porque as expectativas de inflação a curto prazo são elevadas.

O BCE também prevê que, mesmo que os preços da energia sejam menos elevados, caso o conflito se resolva em breve e de forma duradoura, o dano inflacionista já está feito.

Os problemas nas cadeias de abastecimento, os custos de produção mais elevados e os ajustamentos nos preços das empresas não vão reverter rapidamente com a resolução do conflito, prevê o BCE.

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