Brasil lança novo leilão para captar até 8,57 mil milhões em inovação e economia verde
O programa, coordenado pelos Ministérios da Fazenda (Finanças) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, utilizará recursos públicos do Fundo Clima para alavancar investimentos privados em cadeias consideradas estratégicas para a nova economia global.
O Governo brasileiro lançou hoje o 5.º leilão do Eco Invest Brasil, com expetativa de mobilizar até 8,57 mil milhões de euros em investimentos para inovação tecnológica, combustíveis verdes, fertilizantes e minerais críticos.
O programa, coordenado pelos Ministérios da Fazenda (Finanças) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, utilizará recursos públicos do Fundo Clima para alavancar investimentos privados em cadeias consideradas estratégicas para a nova economia global.
O Governo estima aportar um valor multimilionário em reais, o equivalente a 428,7 milhões de euros em capital público do Tesouro Nacional, sendo o montante de 257,2 milhões de euros destinado aos fundos de inovação.
Além disso, vai alocar mil milhões de reais, o equivalente a 171 milhões de euros, à linha de crédito corporativo, com a condição de os bancos investirem pelo menos o dobro desse valor.
Considerando que os bancos façam os investimentos máximos, a expetativa do Governo brasileiro é mobilizar 50 mil milhões de reais, o equivalente a 8,57 mil milhões de euros.
Conforme as regras, as instituições financeiras disputarão cada cadeia estratégica do leilão com base na capacidade de mobilização de capital privado.
As vencedoras serão responsáveis pela estruturação dos fundos e dos demais instrumentos financeiros.
As áreas contempladas incluem fertilizantes verdes, combustíveis sustentáveis avançados, automação industrial com inteligência artificial, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e veículos elétricos, química verde e biomateriais.
Entre os segmentos apontados como prioritários está o combustível sustentável para aviação (SAF, na sigla em inglês), considerado estratégico para a descarbonização do setor aéreo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa pode aumentar a resiliência económica brasileira perante as tensões geopolíticas internacionais e a pressão sobre cadeias globais de energia.
"Essa é uma guerra que vai começar a desarranjar cadeias mundo afora", declarou Durigan ao comentar os impactos do conflito envolvendo o Irão sobre mercados internacionais.
Segundo o ministro, o Brasil sofre efeitos menores do que outros países devido à sua capacidade de produção energética, mas precisa ampliar investimentos em combustíveis verdes, biometano e fertilizantes para reduzir dependências externas.
O 5.º leilão também prevê que empresas apoiadas contratem projetos de pesquisa e inovação junto de universidades, centros tecnológicos e instituições estrangeiras, além da possibilidade de aquisição de empresas tecnológicas no exterior para internalizar conhecimento no Brasil.
Parte dos recursos será destinada de forma não reembolsável para pesquisas em estágios iniciais e empreendedorismo tecnológico, áreas consideradas de maior risco e com menor participação do mercado privado.
Durigan disse que existem três "vales da morte" no processo de inovação no país: tirar as ideias do papel com pesquisa aplicada, produção em grande escala e comercialização.
"O Brasil tem um patamar de pesquisa semelhante ao da Coreia do Sul, mas a gente não consegue tirar do papel, registar patente", afirmou, ao declarar que o programa pode mudar essa realidade de "vale da morte" no país.
Embora lançado hoje, o 5.º leilão deve ocorrer apenas em julho em data ainda a ser anunciada.
Segundo o Ministério da Fazenda, os quatro leilões anteriores do programa já mobilizaram mais de 140 mil milhões de reais, o equivalente a 24 mil milhões de euros, em investimentos, e reúne 13 instituições financeiras credenciadas.
Hoje também, o Governo brasileiro divulgou o resultado do 4.º leilão, com 13,3 mil milhões de reais, cerca de 2,28 mil milhões de euros, em investimentos em bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura, com foco na Amazónia.