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Catarina Martins defende que Portugal "não deve nem pode aceitar sanções"

No dia em que o colégio de comissários decidiu adiar uma decisão sobre a aplicação de sanções a Portugal e Espanha, a líder do Bloco de Esquerda defendeu que "Portugal não pode aceitar as sanções".

Catarina Martins Bloco de Esquerda Convenção Nacional
Catarina Martins Bloco de Esquerda Convenção Nacional Miguel Baltazar
05 de Julho de 2016 às 16:42

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu esta terça-feira, 5 de Julho, em declarações proferidas através de um vídeo emitido em directo a partir da página da Esquerda Net no Facebook, que "nós não devemos aceitar as sanções. Portugal não pode aceitar as sanções".

 

A líder bloquista reiterou as críticas face ao funcionamento das instituições europeias, manteve a oposição à possibilidade de Portugal ser alvo de sanções por défice excessivo e repetiu a defesa de um referendo sobre o Tratado Orçamental evidenciada na última convenção do partido"Nunca houve sanções antes na Europa", lembrou Catarina Martins para quem os objectivos inscritos no Tratado Orçamental e no Pacto de Estabilidade e Crescimento não passam de "metas estúpidas, impossíveis e que destroem as economias".

 

"Toda esta chantagem e pressão é feita sobre Portugal e Espanha, mas sobre França não se fala de sanções", criticou numa alusão às declarações de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, que recentemente defendeu a não aplicação de sanções a Paris porque "a França é a França".

 

Para Catarina Martins trata-se de "sanções políticas, não são sanções técnicas". Das quais decorrem arbitrariedades. "A Alemanha tem um enorme excedente da balança comercial" e não é alvo de sanções", apontou a bloquista que vê neste facto a "imagem da hipocrisia e da falência" da actual União Europeia. 

 

Depois de a Comissão Europeia ter adiado em Maio, para o início de Julho, uma decisão sobre as sanções a Portugal e Espanha, esta tarde o colégio de comissários europeus atirou, desta vez para os próximos dias a decisão sobre a aplicação de sanções. Pierre Moscovici, comissário para os Assuntos Económicos, fez uma breve declaração dizendo que eventuais penalizações a Lisboa serão decididas "muito em breve". Catarina Martins, que falava à mesma hora que o comissário gaulês, considera que esta é uma discussão "absurda".

 

"A Europa está a debater sanções a Portugal pelas contas de 2013 a 2015. De facto as coisas não correram bem e os portugueses já sancionaram essas políticas nas urnas", disse a líder do Bloco recordando o resultado nas eleições legislativas que em Outubro retiraram a maioria parlamentar da coligação PSD-CDS.

 

A também deputada insiste que "Portugal não se devia ter obrigado e devia ter capacidade de se desobrigar de cumprir regras que são absurdas", o que levou Catarina Martins a defender um referendo que permita perceber se os portugueses estão, ou não, dispostos a viver sob as regras de funcionamento da Zona Euro.

 

"O PCP já propôs uma conferência intergovernamental" para enterrar o Tratado Orçamental, sublinhou considerando tratar-se de "uma boa ideia", embora reconheça que "é preciso saber se temos aliados". E voltando à questão das sanções, Catarina Martins explicou que para recusar sanções o Governo português "tem de saber se tem apoio popular".

 

"O Tratado Orçamental é um tratado intergovernamental, não é um tratado europeu", prosseguiu Catarina Martins para quem uma "boa medida seria que Portugal se comprometesse a não deixar que o Tratado Orçamental continue a vigorar".

 

E regressando a outro tema caro ao BE, a líder bloquista constatou que "de facto, hoje há um grande consenso sobre a [necessidade de proceder a uma] reestruturação da dívida pública", com Catarina Martins a recorrer à ex-ministra das Finanças social-democrata, Manuela Ferreira Leita, que na passada semana, na TVI, garantiu que Portugal não terá crescimento se não a dívida não for reestruturada.

 

Já apontando à direita portuguesa e recordando que o Partido Popular Europeu (PPE) tem liderado o lado daqueles que defendem uma leitura rigorosa da regras europeias, Catarina Martins deixou uma dúvida/questão: Perceber se os "partidos portugueses, que são contra as sanções (PSD e CDS), vão continuar a apoiar o partido europeu que defende essas sanções?".

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