pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

CIP saúda acordo UE/Mercosul e apela a políticas públicas que permitam "abrir novos mercados"

Acordo comercial com quatro países do Mercosul, que vai eliminar as tarifas sobre 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos, será assinado este sábado.

Armindo Monteiro, da Confederação Empresarial de Portugal
Armindo Monteiro, da Confederação Empresarial de Portugal Vítor Chi
17 de Janeiro de 2026 às 10:38

A Confederação Empresarial de Portugal congratulou-se com o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que será assinado hoje, considerando que abre "grandes perspetivas de crescimento económico" e apelou a políticas públicas que permitam "abrir novos mercados".

O Conselho da União Europeia anunciou, em 09 de janeiro, a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul, que vai eliminar as tarifas sobre 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos, enquanto acabam, progressivamente, as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul num período de até 10 anos.

Em comunicado hoje divulgado, a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) afirma que o acordo abre "grandes perspetivas de crescimento económico nos dois lados do Atlântico" e é "uma boa notícia para as empresas" da União Europeia (UE), dado que "representa uma oportunidade para reverter o arrefecimento genérico que se verificou nos mercados ao longo de 2025", o qual, segundo a confederação, foi "agravado" pela política tarifária dos EUA.

Para a CIP, "as dificuldades sentidas, quer pelos países da União Europeia, quer pelos países do Mercosul, na relação comercial com os Estados Unidos desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, podem, a partir de 2026, ser compensadas pelo alargamento dos mercados para as empresas às geografias do outro lado do Atlântico".

Neste contexto, a confederação apela para que a UE e os seus Estados-membros invistam em políticas públicas que permitam "abrir novos mercados".

É fundamental que os governos, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia cumpram as promessas de reformas que fizeram, por forma a permitir que as empresas invistam e criem empregos", afirma o presidente da CIP, citado na mesma nota.

"A diversificação comercial deve ser o foco essencial dos governos e das empresas europeias nos próximos anos, utilizando todo o potencial de crescimento que o acordo UE-Mercosul representa", defende Armindo Monteiro.

Segundo a CIP, a soma dos mercados da UE com o Mercosul "representa um produto interno bruto (PIB) combinado de cerca de 20 biliões de euros", e "reunirá 700 milhões de consumidores e passará a representar 25% das trocas globais".

No que toca especificamente ao mercado português, o presidente da CIP defende que "as empresas portuguesas têm qualidades e instrumentos para aumentar o valor acrescentado das suas vendas, melhorando de forma substancial as quotas de mercado na América Latina".

Apesar de sublinhar que "Portugal tem com o mercado do Mercosul uma relação desequilibrada", com as importações a excederem as exportações, a confederação dos 'patrões' acredita que as empresas nacionais têm "instrumentos, competências e dinâmica" para inverter esta tendência e melhorar "de forma substancial as quotas de mercado na América Latina".

A confederação aponta "a língua e a proximidade cultural" como uma "vantagem relevante", dado que "dos 270 milhões de consumidores que representa o mercado do Mercosul, cerca de 215 milhões estão no Brasil e falam português".

A CIP, considera, por isso, este acordo uma "oportunidade estratégica" para acelerar a transição da indústria nacional "para uma economia mais tecnológica, mais digital, com maior sustentabilidade energética e ambiental".

"Estas são grandes vantagens competitivas que importa afirmar e desenvolver: a sustentabilidade e a circularidade são fundamentais para que o tecido empresarial de Portugal possa competir na América Latina com o dinamismo económico americano e asiático", conclui.

A assinatura do acordo comercial no Gran Teatro José Asunción Flores, do Banco Central do Paraguai, contará com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, dos ministros os Negócios Estrangeiros dos países que compõem o Mercosul e ainda do atual líder do bloco sul-americano, o Presidente do Paraguai, Santiago Peña.

Ver comentários
Publicidade
C•Studio