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Cristina Casalinho "surpresa" com perceção "desfasada" sobre sustentabilidade das pensões

A antiga presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e Dívida Pública (IGCP) mostrou-se "surpresa" com o facto de os portugueses acreditarem ainda na capacidade das pensões em substituir os rendimentos de trabalho a 100% e sublinhou que essa perceção está "desfasada da realidade" e impõe "uma reflexão".

Fernando Ferreira
Joana Almeida JoanaAlmeida@negocios.pt 17 de Novembro de 2022 às 13:28
A antiga presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e Dívida Pública (IGCP) e atual diretora executiva do BPI, Cristina Casalinho, mostrou esta quinta-feira "surpresa" com o facto uma parte "significativa" dos portugueses acreditarem ainda na capacidade das pensões em substituir os rendimentos de trabalho a 100%.

Cristina Casalinho falava assim na conferência anual da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), onde foi apresentado um estudo, coordenado pelo professor universitário Fernando Alexandre, onde é revelado que menos de metade dos portugueses (43%) está a poupar para a reforma. 

"Tenho alguma surpresa por haver um número ainda muito significativo de respondentes que acreditam que a taxa de substituição [diferença entre o último salário no ativo e aquilo que se começa a receber de pensão] é de 100%, face à discussão acalorada que tem sido conferida à taxa de substituição e ao fator de sustentabilidade [das pensões]", referiu Cristina Casalinho. 

A ex-presidente do IGCP considera que essa perceção "desfasada da realidade" impõe "uma reflexão sobre essa realidade", para perceber se isso está "relacionado com problemas de comunicação ou questões de literacia financeira", "porque se as pessoas têm ainda hoje essa expectativa devem ser devidamente informadas". 

"Até 2030, os 65% da taxa de substituição relativamente aceitável. A partir daí, claramente não é. Em 2060, se tudo correr como previsto, vamos estar abaixo dos 40% de taxa de substituição face ao último salário. É algo muito significativo e essas expectativas estão totalmente desajustadas face à realidade", explicou.

A antecipação de uma perda de rendimentos no futuro é a principal razão apontada para essa poupança para a reforma (54%), seguida da previsão de custos mais elevados com a saúde e a intenção de viajar.

A principal aplicação das poupanças para a reforma são a aposta na compra de ações (26%), seguida pelos depósitos a prazo (18%) e, em terceiro lugar, os planos poupança reforma (13%).

Cristina Casalinho disse ainda estar surpreendida com o facto de as pessoas que poupam para a reforma terem "uma composição tão significativa em ações", porque, "olhando para o balanço das famílias portuguesas, a percentagem investida em ações é muito diminuta" e o investimento em depósitos "é avassalador".
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