Durão Barroso: Educação, infra-estruturas e democracia explicam desenvolvimento dos países
O ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso disse esta quarta-feira, numa conferência em Lisboa, que a trilogia educação, infra-estruturas e Estado de Direito explica por que é que alguns países são mais desenvolvidos do que outros.
Durão Barroso - que encerrou o primeiro dia da 1.ª Conferência de Lisboa, dedicada ao desenvolvimento global, que prossegue na quinta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian - socorreu-se de uma pergunta colocada pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, num encontro de líderes internacionais. "Por que é que uns países conseguem e outros não?", repetiu, para dizer que o que distingue os bem sucedidos é a trilogia "educação, infra-estruturas e respeito pelas regras de Direito".
Apesar de conhecido de "todos os portugueses", Durão Barroso foi apresentado por Hélder Oliveira, administrador da Fundação Portugal-África, que não se coibiu de o considerar "uma figura controversa" e de recordar o célebre episódio do cherne.
No penúltimo dia da campanha eleitoral de 2002, a mulher de Durão Barroso apelou ao voto no, na altura, líder do PSD e futuro primeiro-ministro, citando um poema de Alexandre O'Neill no qual se segue o cherne, na opinião de Margarida Sousa Uva o peixe mais indicado para descrever o marido.
Presidente da Comissão Europeia durante uma década, finda este ano, José Manuel Durão Barroso confessou que, de todos os cargos que já desempenhou, gostou especialmente de ser secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação. "Foi aí que descobri África", justificou, acrescentando que foi também nessa altura que percebeu que "Portugal podia, em alguns casos, fazer a diferença".
Garantindo que procurou "sempre", como presidente da Comissão Europeia, "salientar a vocação especial da Europa relativamente a África", Durão Barroso destacou também "o papel importante que a Europa pode ter no que diz respeito às políticas de cooperação para o desenvolvimento".
O crescimento económico, defendeu, deve ser "sustentável" e não assentar no endividamento. "Nem todos precisam de crescer o mesmo e nem todos têm o mesmo potencial de crescimento, mas todos precisam de crescer", frisou.
Reconhecendo que "o crescimento global tem sobretudo beneficiado das economias emergentes", Barroso rejeitou a ideia de que a Europa esteja em terreno negativo. "A Europa está em terreno positivo, embora tímido e débil", contrapôs.
A China é "o grande vencedor, até agora, da globalização", reconheceu, expressando, porém, "dúvidas sobre a sustentabilidade" das chamadas economias emergentes e dando como exemplo "os problemas graves na Rússia".
Por outro lado, referiu, alguns países africanos revelam elevados níveis de crescimento, que exigem "maior atenção" por parte da Europa, que precisa de pôr fim à "perspectiva assistencialista" da ajuda externa e de compreender que os países doadores também têm a ganhar com a cooperação.
O ex-primeiro-ministro de Portugal, que, à saída, se recusou a prestar declarações aos jornalistas que o esperavam, alegando estar "sem voz", disse ainda acreditar que África "é o continente com maior potencial" futuro.