Fed avança com "Operação Twist" para estimular a economia (act.)
O banco central norte-americano anunciou que vai vender 400 mil milhões de dólares de obrigações de curto prazo e comprar dívida de longo prazo no mesmo valor. É a chamada "Operação Twist", em que substitui as maturidades mais curtas por prazos mais longos para aliviar a pressão sobre os juros dessas obrigações.
A medida agora anunciada é conhecida como “Operação Twist” porque o objectivo, ao comprar obrigações de longo prazo e criando pressão compradora nessas maturidades, é precisamente fazer descer os juros sobre essas mesmas obrigações.
A “Operação Twist” é uma das poucas ferramentas não testadas e que o presidente da Fed, Ben Bernanke, disse que poderia vir a usar.
A perspectiva da “Operação Twist”, a que um jornal espanhol chamou de “bailado da Fed”, tem estado a animar as bolsas norte-americanas desde ontem, mas agora, com o anúncio efectivo, os mercados norte-americanos - que já tinham entrado em terreno negativo - intensificaram as perdas.
A Fed vai assim substituir 400 mil milhões de dólares de obrigações de curto prazo do seu portfólio (avaliado em 1,65 biliões de dólares) por obrigações de longo prazo, tendo como objectivo reduzir os custos dos empréstimos, uma vez que os juros do crédito em geral estão indexados a estes títulos de dívida. Com esta medida, a Reserva Federal pretende evitar que a economia volte a mergulhar na recessão.
A autoridade monetária norte-americana comprará 400 mil milhões de obrigações com maturidades entre 6 e 30 anos, ao mesmo tempo que venderá um montante igual de dívida com prazo a 3 anos ou inferior, anunciou o Comité do Open Market, citado pela Bloomberg.
Esta operação decorrerá até Junho do próximo ano e constitui aquilo a que se chama o “QE3” – uma terceira ronda de “quantitative easing”, ou seja, de estímulos à economia.
A “Operação Twist” já tinha sido usada pela Fed, mas não sob a presidência de Bernanke. Aconteceu em 1961 e teve igualmente como intuito a revitalização da economia.
A ideia, com esta medida, é reduzir as taxas de juro e evitar emitir mais moeda – prática que tem sido bastante criticada pelos Republicanos.
“Existem significativos riscos de contracção em termos de perspectivas económicas, incluindo tensões nos mercados financeiros globais”, refere o comunicado da Fed.
A Reserva manteve inalterado o seu compromisso de manter a taxa de juro de referência entre 0,25% e 0% até pelo menos meados de 2013, isto no caso de o desemprego permanecer elevado e de o “outlook” para a inflação não parecer ameaçado.
Desde Março de 2009 que a Fed assume o compromisso de manter os juros de referência em mínimos históricos. A grande alteração, feita na reunião de 9 de Agosto, é que deixou de dizer que o compromisso era por um “período alargado”, passando a dizer que é até meados de 2013.
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