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Campeão das exportações atinge recorde de 24,2 mil milhões de euros

“Estes números não se repetirão tão cedo caso a Comissão Europeia não reverta o caminho das medidas que tem vindo a adotar, especialmente no que respeita à proteção da cadeia de valor ‘downstream’”, alerta a associação portuguesa do setor da metalurgia e metalomecânica.

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trabalhador, trabalho, empresas, metalomecânica Getty Images
12:45

Depois de ter fechado 2023 com o recorde de 24.017 milhões de euros, que baixou para 23.492 milhões no ano seguinte, as exportações da indústria metalúrgica e metalomecânica somaram no ano passado 24.169 milhões de euros, o valor mais elevado de sempre do setor.

No último mês do ano, as exportações desta indústria registaram um aumento homólogo de 3,5%, para 1.792 milhões de euros, apesar das perturbações significativas registadas em dezembro, causadas pela crise nas alfândegas devido à implementação deficiente do novo sistema informático.

“É um resultado notável, tendo em conta que o mês de dezembro ficou marcado por atrasos muito significativos no desalfandegamento de matérias-primas essenciais para as nossas indústrias”, sublinha Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da AIMMAP, associação do setor mais exportador de Portugal, em comunicado.

Três quartos das exportações seguiram para países da União Europeia, não havendo alterações na lista dos maiores parceiros comerciais - Espanha, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, assim como os Estados Unidos, com os dois primeiros países a destacarem-se com o maior crescimento absoluto.

As exportações do setor representam 33% de toda a indústria transformadora portuguesa, com a taxa de crescimento anual a acelerar de 2% para 3%, mas enfrenta uma pressão crescente sobre a competitividade europeia e nacional.

“A economia global continua a enfrentar choques macroeconómicos com consequências imprevisíveis. Estamos a assistir a uma mudança estrutural: de um paradigma de globalização para um de protecionismo”, alerta Rafael Campos Pereira.

O dirigente reforça que “a Europa tem falhado no equilíbrio das suas políticas económicas, deixando desprotegida uma indústria que compete com países que muitas vezes aplicam medidas protecionistas amplas, como é o caso da indústria metalúrgica e metalomecânica que, fruto de medidas europeias desajustadas, está hoje sujeita a um ambiente concorrencial altamente desequilibrado”.

Estes números não se repetirão tão cedo caso a Comissão Europeia não reverta o caminho das medidas que tem vindo a adotar, especialmente no que respeita à proteção da cadeia de valor ‘downstream’, onde se incluem milhares de empresas metalúrgicas e metalomecânicas e mais de 13 milhões de trabalhadores a nível europeu”, realça.

Citado no comunicado, Rafael Campos Pereira assinala que o novo enquadramento europeu para as tarifas sobre a importação de aço, assim como outros regulamentos como o CBAM, “estão a penalizar fortemente a competitividade e a situação concorrencial da indústria transformadora, e no médio no curto / médio prazo vão conduzir a Europa para um processo de desindustrialização”, sinaliza.

Especificamente no que respeita às cláusulas de salvaguarda, a AIMMAP reuniu recentemente com a DG Trade, que transmitiu a mensagem de que “o Governo português deve defender e apoiar a posição da sua indústria transformadora para que seja possível proteger o setor mais exportador do país — o verdadeiro motor do crescimento económico nacional”, nota a AIMMAP.

Para Rafael Campos Pereira, esta posição evidencia uma urgência política: “Portugal não pode continuar a ser um mero espectador enquanto medidas europeias penalizam severamente a indústria transformadora, nomeadamente através das tarifas sobre a importação de aço, que criam assimetrias graves em relação a outros competidores globais”.

Face “ao contributo contínuo, robusto e decisivo do Metal Portugal para o desenvolvimento e a estabilidade económica e social do país”, a AIMMAP considera que o Governo português “tem a obrigação de agir e implementar um conjunto de medidas capazes de: mitigar os efeitos das tarifas europeias sobre o aço, garantir condições de competitividade iguais às dos concorrentes internacionais, e assegurar estabilidade às empresas que sustentam milhares de empregos diretos e indiretos”.

“A indústria metalúrgica e metalomecânica tem demonstrado, repetidamente, que é uma âncora da economia nacional. Agora, é urgente que o Governo corresponda com políticas que defendam esta indústria estratégica e assegurem a sua continuidade e crescimento”, preconiza o vice-presidente da associação.

Neste contexto, vê com “muito bons olhos os acordos assinados entre a UE e o Mercosul, e entre a UE e a Índia”, sendo que “Portugal deve saber aproveitar as oportunidades que vão seguramente surgir”.

“Não tenho dúvida que destes acordos resultará um crescimento do comércio com os dois blocos”, afirma, acrescentando que, “se a Comissão Europeia e o Governo estiverem atentos e alinhados com o acima exposto, estes acordos comerciais são uma oportunidade de ouro para recentrar a economia europeia no mapa geoestratégico mundial”.

(Notícia atualizada às 13:12)

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