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Gesto Energia joga as cartas, e os mapas, do futuro de África

Com 25 colaboradores, a empresa criada por Miguel Barreto tem a ambição de ser uma das três maiores consultoras de energia em África

Miguel Prado miguelprado@negocios.pt 11 de Junho de 2013 às 09:44
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Miguel Barreto | Antigo líder da DGEG dedica-se agora a oferecer serviços de consultoria na área da energia.

 

Miguel Barreto liderou, de 2004 a 2008, a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o que lhe valeu um conhecimento profundo de como pode um país integrar fontes renováveis no seu "mix" energético. Uns anos mais tarde fundaria a Gesto Energia, empresa criada para promover projectos na área da geotermia e da bombagem hidroeléctrica, mas que acabou por se afirmar na consultoria. Hoje o horizonte da Gesto está fixado além-fronteiras. "A nossa visão é sermos um dos três maiores consultores de energia em África", revela Miguel Barreto.


A Gesto é ainda uma pequena empresa de 25 colaboradores, mas a internacionalização já arrancou. Em 2012 facturou 2,8 milhões de euros, dos quais mais de 95% fora de Portugal. Em 2011 a facturação da Gesto havia rondado os 1,5 milhões. "Este ano esperamos ultrapassar os 3 milhões", conta o fundador da empresa. Mas em Portugal, diz Miguel Barreto, "há pouco" para fazer. A perspectiva de se afirmar como uma das principais consultoras de energia em África mais do que duplicará a actividade actual. "Isso projectar-nos-á para facturações acima de 10 milhões de euros e para um quadro de pessoal com pelo menos 50 consultores", explica o gestor.

 

De Cabo Verde à Namíbia
A Gesto teve um primeiro projecto internacional em 2010, em Cabo Verde, para tentar ver se a geotermia e a bombagem se integrariam no "mix" energético cabo-verdiano. "A partir daí surge o projecto de fazer o plano renovável para Cabo Verde", conta Miguel Barreto. Embora a África lusófona fosse um mercado natural para as empresas portuguesas, a Gesto não se ficaria por aí. Seguiu-se a Namíbia.


Na Namíbia a Gesto integrou um consórcio para estudar o potencial de aproveitamento da energia solar no país.


Alavancada pela experiência nesses dois mercados, a empresa portuguesa acabou por ser seleccionada pelo Banco Mundial para fazer parte de um grupo de nove consultoras que irão trabalhar com a instituição no "mapeamento" de energias renováveis em vários países do mundo. E dessas nove, a Gesto fará parte de um núcleo de três consultoras qualificadas para trabalhar especificamente o potencial hídrico.


"Nós somos um dos três consultores que foram seleccionados a nível mundial para trabalhar com o World Bank nos próximos quatro anos no mapeamento de recursos hidroeléctricos. Eles já têm aprovados projectos para a Tanzânia, Madagáscar, Papua - Nova Guiné e Vietname", disse Miguel Barreto ao Negócios. Agora a empresa espera para saber quais os mercados que lhe calharão. Para "distribuir jogo", leia-se planeamento energético, em África... e não só.

 

 

 

 

Perguntas a Miguel Barreto, CEO e fundador da Gesto Energia

 

"Empresas portuguesas têm uma mais valia grande nos PALOP, que é a língua"

 

Quando a Gesto foi criada já nasceu com a internacionalização como peça central da sua estratégia?
A Gesto quando nasceu já tinha em perspectiva uma vertente internacional. Nascemos para o desenvolvimento de projectos renováveis na área da geotermia e da hídrica e o nosso alvo era tanto Portugal como o mercado internacional. Na altura o nosso enfoque era 50/50. O enfoque tem-se alterado e hoje é 95% exportação.


Os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) foram o início…
A Gesto começou por nascer como "developer" de energia, como um braço especializado em nichos na área das energias renováveis. Por várias razões a Gesto começou a tornar-se cada vez mais uma consultora de energia. Alguns países onde fazia sentido ligar geotermia e bombagem eram países como Cabo Verde. Daí nasce a ida para Cabo Verde. A partir daí o caminho para a consultoria com foco nos PALOP.


É difícil conquistar mercados fora do espaço lusófono?
É mais difícil. As empresas portuguesas têm uma mais valia grande, que é a língua. A história pode ser uma desvantagem, mas há uma afinidade. Muitos dos nossos interlocutores não se sentem à vontade com a língua estrangeira.


Já têm algum projecto fora do espaço lusófono?
Sim, vários. Somos líderes de consórcio num projecto na Namíbia, em que fizemos o estudo do potencial solar. E, por tudo aquilo que fizemos nos PALOP, fomos recentemente seleccionados pelo Banco Mundial como um dos três consultores com que eles vão trabalhar a nível mundial no mapeamento do potencial hidroeléctrico.





Ideias-chave

 

 

O que a experiência da Gesto Energia lá fora ensinou sobre o sucesso na internacionalização

 

CAPITALIZAR A REDE DA AICEP FORA DE PORTUGAL
"Uma coisa que podemos fazer sempre é capitalizar as estruturas portuguesas lá fora, na rede da Aicep - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, nas embaixadas", sugere Miguel Barreto. "Esse apoio tem existido sempre e tem sido importante", acrescenta o fundador da empresa portuguesa de consultoria energética.


PROJECTOS AJUSTADOS ÀS NECESSIDADES LOCAIS
O segundo conselho é fazer projectos ajustados às necessidades locais. "Não basta ir… É preciso encontrar os projectos e soluções que façam sentido e acrescentem valor. Não basta empurrar soluções que já temos, é importante perceber do que é que os nossos clientes precisam", salienta o presidente da Gesto.


NÃO DISPERSAR OS ESFORÇOS DE EXPANSÃO
A terceira dica de Miguel Barreto é "não dispersar". "No nosso caso tem sido pertinente começar por exportar para alguns países com sucesso e não ir a todos ao mesmo tempo", explica o gestor.


SABER QUEM MANDA
É ainda preciso saber "estabelecer relações". "É muito importante perceber quem são os "decision makers". Em muitos países os governos têm ainda um peso importante, é muito importante conseguir as reuniões certas", lembra Miguel Barreto.

 


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