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Granizo e temperaturas altas afundam produção de maçã, pera e azeitona

As previsões agrícolas publicadas esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para “diminuições significativas” na produção de maçã, pera e azeitona, devido a “condições meteorológicas adversas”.

Miguel Baltazar
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 18 de Novembro de 2020 às 11:56
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A produção de peras e maçãs vai sofrer este ano uma "diminuição significativa". Segundo as previsões agrícolas reveladas esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as campanhas "pouco favoráveis" devem-se a "condicionalismos fisiológicos" e a "condições meteorológicas adversas. 

A produção de maçã deverá apresentar uma quebra de 25% face à campanha anterior. A colheita teve início em julho, com mais de uma semana de atraso face ao normal, e ainda decorreu durante o mês de outubro, na variedade Fuji. Em Trás-os-Montes, uma das principais regiões produtoras, a queda da produção ficou a dever-se a "quedas localizadas de granizo e a situações de escaldão". Já no Ribatejo e zona Oeste, e em particular no Alto e Baixo Oeste, as variedades "mais significativas" (Fuji e Grupo das Galas)  apresentaram "uma forte alternância". Espera-se que a produção total atinja as 265 mil toneladas, "com um nível de qualidade muito heterogéneo". Na campanha de 2019 a produção foi "historicamente elevada". 

Já a produção de pera deverá cair 35% face ao ano passado, prevê o INE. Na região Oeste, a colheita decorreu em agosto e setembro, tendo sido afetada pela chuva. 


Em queda está também a produção de azeitona, tanto de mesa como para azeite, que deverá tombar 30%. Segundo o INE, a chuva de outubro "foi benéfica para alguns olivais, nomeadamente os de sequeiro, mas não suficiente para contrariar o efeito do conjunto de fatores negativos que afetaram o potencial produtivo desta cultura ao longo do seu ciclo". A produção foi ainda afetada por "prolongados períodos quentes e secos". 

O INE alerta ainda que, devido à queda de produtividade, "existem áreas significativas de olivais tradicionais que não serão colhidas", uma vez que "os custos de colheita superariam a valorização da produção". A situação terá efeitos nas unidades de transformação, já que "os lagares mais pequenos ainda não abriram e os de maior dimensão têm linhas de laboração paradas". 

A meteorologia vai afetar também a produção de vinho, que deverá cair 5% em relação ao ano passado. No interior Centro, houve problemas "provocados por geadas e quedas de neve tardias". No interior centro "registaram-se ainda prejuízos causados pela queda de granizo, enquanto as regiões do interior Norte, Ribatejo e Alentejo foram prejudicadas por escaldões. Apesar da queda de procução, há "boas perspetivas em termos qualitativos" mas "apreensão quanto ao escoamento do produto" devido á pandemia.

A descer está também a produção de amêndoa, que deverá ser 15% menor face a 2019. Ainda assim, deverá ser a segunda maior dos últimos 20 anos, apenas atrás da colheita de 2019, que chegou às 34 mil toneladas.

No tomate, o INE antecipa uma quebra da produção de 15%, "em consequência da diminuição da área instalada, bem como da produtividade média". As boas notícias ficam reservadas para a produção de tomate para a indústria. A colheita "decorreu sem constrangimentos" e a matéria-prima "chegou às indústrias de transformação em bom estado sanitário".

As previsões do INE apontam ainda para uma quebra de 10% na produção de arroz, para as 137 mil toneladas, enquanto a produção de milho deverá manter-se em linha com os valores do ano passado, próxima das 750 mil toneladas.

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