Higino Carneiro intimado a comparecer na PGR angolana
Higino Carneiro foi constituído arguido em dezembro do ano passado em dois processos, envolvendo crimes de peculato e burla qualificada.
O pré-candidato à liderança do MPLA Higino Carneiro foi intimado a comparecer quarta-feira na Procuradoria-Geral da República (PGR) para "tratar de assuntos do seu interesse", o que assessores vêem como forma de inibir a candidatura.
A convocatória tem data de 11 de maio, o mesmo dia em que foi anunciada e formalizada a recandidatura de João Lourenço, Presidente de Angola e presidente do MPLA, à liderança do partido.
O documento não detalha o motivo da convocatória, adiantando apenas ser no âmbito dos trâmites que correm no Ministério Público.
Higino Carneiro foi constituído arguido em dezembro do ano passado em dois processos, envolvendo crimes de peculato e burla qualificada.
Para os seus assessores, a convocatória não constitui novidade.
"Era previsível e são mecanismos que visam inibir a nossa candidatura", disse à Lusa o assessor Paulo Guimarães.
Em dezembro do ano passado, a PGR anunciou que Higino Carneiro era arguido em dois processos-crime, um relacionado com a utilização de fundos públicos para fins particulares enquanto governador da província do Cuando Cubango, e outro por ter recebido de uma empresa privada mais de 60 viaturas no período em que era governador da província de Luanda, que foram distribuídas a várias pessoas sem que tivesse procedido ao respetivo pagamento.
O militante do MPLA, que anunciou em julho de 2025 a intenção de se candidatar à liderança do partido no poder em Angola desde 1975, ocupou cargos de alta relevância, como ministro das Obras Públicas, vice-ministro da Administração do Território, governador das províncias do Cuanza Sul, Luanda e Cuando Cubango, vice-presidente da Assembleia Nacional e deputado.