Irão encerra partes do Estreito de Ormuz. Petróleo responde em alta
Teerão justifica a medida com exercícios militares que acontecem no mesmo dia da segunda ronda de negociações com os EUA. Brent e WTI registam ganhos.
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O Irão anunciou esta terça-feira o encerramento "durante várias horas" de partes do Estreito de Ormuz - por onde passa um quinto do petróleo consumido em todo o mundo e 20% do gás natural. A televisão estatal iraniana, citada pela agência Bloomberg, justifica a medida como parte de exercícios militares.
"As principais rotas do Estreito de Ormuz estão sob o controlo da Marinha do IRGC [Islamic Revolutionary Guard Corps], e o Irão não tem linhas vermelhas no que toca à salvaguarda da segurança nesta região", afirmou a televisão estatal.
Estas movimentações acontecem ao mesmo tempo que decorre a segunda ronda de negociações entre o Irão e os Estados Unidos, em Genebra. A notícia já fez mexer os preços do petróleo, que se encontram em alta, tanto na Europa como os EUA. O Brent, negociado em Londres, segue a ganhar 0,51% para 69,03 dólares por barril - quando pelas 9h caía mais de 0,70% - e o WTI, referência para o mercado norte-americano, sobe 1,91% para 64,11 dólares por barril.
O Estreito de Ormuz liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e é um dos pontos estratégicos para o comércio mundial. Tem apenas 33 quilómetros de largura no seu ponto mais estreito.
Esta segunda-feira o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irão, sublinhando "as consequências de não se chegar a um acordo", antes de uma segunda ronda de negociações sobre o programa nuclear de Teerão. A bordo do avião presidencial, a caminho de Washington, Trump expressou ainda esperança de que ambas as nações cheguem a um acordo, "em vez de enviar" bombardeiros B-2 dos EUA "para destruir o seu potencial nuclear".
Também o líder supremo iraniano, o Ayatollah Ali Khamenei, deixou ameaças, dizendo que os EUA vão sofrer se atingirem o Irão. "Eles estão sempre a dizer 'Vamos enviar bombardeiros para o Irão. Bem, um bombardeiro é certamente uma arma perigosa, mas mais perigosa que um navio de guerra é a arma que pode afundar o navio de guerra", disse.
Notícia atualizada