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ISEG estima queda do PIB entre 8% e 10% este ano

O ISEG estima que o Produto Interno Bruto (PIB) registe uma queda entre 8% e 10% este ano, de acordo com uma síntese de conjuntura hoje divulgada.

pessoas crise recessao economia covid mascaras metro transportes
pessoas crise recessao economia covid mascaras metro transportes Bruno Colaço
03 de Agosto de 2020 às 14:44

"Para 2020, dado o resultado da primeira metade do ano e a progressiva retoma da maioria das atividades face às maiores restrições de abril e maio, estima-se como mais provável que a variação final do PIB se venha a situar entre -10% a -8%. Este resultado pressupõe que a crise sanitária não irá evoluir de forma substancialmente mais negativa até ao final do corrente ano", acautelou a instituição.

Na mesma síntese, o ISEG indicou que, "dada a origem da queda da economia no 2.º trimestre, determinada pelo confinamento e encerramento de atividades em Portugal e no exterior, a economia recomeçará naturalmente a crescer trimestralmente, mas não tão cedo em termos homólogos, com a reabertura de atividades e a progressiva retoma das redes de interdependência económica setoriais nacionais e internacionais".

O organismo acredita que "isto mesmo é indiciado pela evolução dos indicadores qualitativos ou do consumo de eletricidade em julho", mas alerta que, "porque o problema sanitário ainda não está resolvido e o seu controlo envolve perdas de produtividade" e tendo em conta que, "entretanto, as restrições de atividade geraram problemas de rendimento e de enfraquecimento da procura e porque a confiança dos consumidores, sobretudo, permanece baixa, o ritmo desta retoma poderá não ser tão rápido quanto o desejável".

O ISEG ressalva que "a economia portuguesa será ainda penalizada", devido "à incerteza da retoma da procura turística externa e à quebra nas exportações turísticas", entre outras coisas, sendo ainda "de esperar, mesmo com políticas contrárias, que as consequências sociais negativas da crise económica, nomeadamente em termos de emprego e de falências, se venham a agravar por alguns meses".

Segundo o ISEG, em julho, "os indicadores de clima e confiança empresariais caracterizaram-se, na generalidade da área euro e em Portugal, por novas subidas, afastando-se mais dos mínimos de abril ou maio. As melhorias são maiores nos setores da construção e da indústria e menores no comércio a retalho e, sobretudo, nos serviços. O indicador de confiança dos consumidores desceu marginalmente na área euro e, de forma ligeira, em Portugal. Em geral, a recuperação da confiança dos consumidores está a ser comparativamente mais lenta", lê-se na mesma síntese de conjuntura.

O ISEG recordou ainda que, "segundo a estimativa rápida preliminar do INE [Instituto Nacional de Estatística], no segundo trimestre, o período de maiores restrições de atividade impostas pelo combate à pandemia covid-19, o PIB português caiu 16,5% em termos homólogos e 14,1% em relação ao trimestre anterior".

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