Kiev vai receber empréstimo de 90 mil milhões após aval final do Conselho da UE
Tal concretização foi possível devido ao levantamento do veto da Hungria e da Eslováquia, que estavam a bloquear os passos finais até ao fornecimento de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que já foi entretanto restabelecido.
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A Ucrânia vai receber um empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros após o Conselho da União Europeia dar esta quinta-feira aval final, dado o levantamento do veto húngaro e eslovaco, avançando-se ainda com mais sanções à Rússia.
"Os procedimentos escritos para a alteração ao regulamento do Quadro Financeiro Plurianual, que sustenta o empréstimo de apoio de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, bem como o 20.º pacote de sanções contra a Rússia, foram concluídos com sucesso e ambos os dossiês foram adotados por unanimidade", indicou fonte oficial da presidência rotativa do Conselho da União Europeia (UE), ocupada este semestre por Chipre.
Tal concretização foi possível devido ao levantamento do veto da Hungria e da Eslováquia, que estavam a bloquear os passos finais até ao fornecimento de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que já foi entretanto restabelecido.
Budapeste e Bratislava não se opuseram neste procedimento escrito que começou na quarta-feira e terminou hoje.
"A presidência cipriota trabalhou incansavelmente para garantir que a União Europeia continue a apoiar de forma decisiva a Ucrânia na defesa da sua soberania e integridade territorial", adiantou Nicósia, em informação divulgada junto da imprensa em Bruxelas.
Citado na nota informativa, o ministro das Finanças de Chipre, Makis Keravnos, vincou que este era o "último elemento necessário para permitir o desembolso do empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia", pelo que a mobilização de verbas ao país "começará a ser efetuada o mais rapidamente possível, proporcionando um apoio vital às necessidades orçamentais mais urgentes" de Kiev.
O 20.º pacote de sanções da UE à Rússia reforça a pressão económica e militar, incluindo novas restrições a bancos, exportações de tecnologia e empresas ligadas ao setor de defesa, bem como sanções a indivíduos e medidas para impedir a evasão.
Já no que toca ao empréstimo, na prática, foi permitida uma alteração necessária ao Quadro Financeiro Plurianual para que a Comissão Europeia possa usar o orçamento comunitário como garantia da dívida comum a favor da Ucrânia, sendo este o último elemento necessário para permitir o desembolso.
A ideia é, com este crédito comunitário que teve "luz verde" inicial do Conselho Europeu de dezembro passado, colmatar as necessidades financeiras da Ucrânia neste ano e no próximo.
O aval foi possível depois de uma reviravolta histórica na política da Hungria que marca o fim de 16 anos consecutivos de governo ultranacionalista conservador de Viktor Orbán (do partido Fidesz) e a ascensão do partido de centro-direita Tisza, liderado por Péter Magyar, que será o novo primeiro-ministro húngaro após vencer as eleições legislativas do passado dia 12 de abril.
O crédito de 90 mil milhões de euros foi condicionado pelo ultranacionalista Viktor Orbán devido a uma disputa paralela sobre o trânsito de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, exigindo a reposição dos fluxos energéticos antes de levantar a objeção.
Fortemente dependente do petróleo russo, a Hungria acusou a Ucrânia de atrasar as reparações do oleoduto.
O oleoduto Druzhba, a artéria mais importante para o transporte de petróleo russo para a Europa Central, estava fora de operação desde final de janeiro devido a um ataque russo num troço na Ucrânia.