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"Normalidade democrática" foi reposta no Porto, diz Pedro Duarte

O autarca afirmou ainda não reconhecer legitimidade democrática às assembleias populares, referindo que estas não fazem parte do quadro constitucional português.

Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto
Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto Estela Silva/Lusa
10:39
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O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou esta terça-feira que "a normalidade democrática" foi reposta na cidade após a retirada dos manifestantes da Praça D. João I, no Porto, depois de um ultimato da PSP para a sua desmobilização.

"Sim, a informação que tenho é que de facto decorreu tudo dentro de uma normalidade que deve ser saudada e, portanto, eu enalteço esse facto, julgo que a normalidade democrática, digamos assim, está reposta na cidade do Porto", disse o autarca aos jornalistas, à porta da Câmara Municipal.

Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) disse também que "o direito à manifestação mantém-se intacto, como sempre esteve", e salientou que a retirada dos manifestantes decorreu "de forma ordeira e que estes acataram as ordens das autoridades".

"Nós não deixamos de ouvir aquilo que é a preocupação de muitas pessoas, nomeadamente sobre o problema da habitação, mas tudo isso é feito dentro de um quadro de normalidade e de legalidade", salientou.

Pedro Duarte disse esperar que a praça, entretanto sujeita a trabalhos de limpeza e higienização, volte rapidamente a estar disponível para usufruto público, apesar de, ao início da manhã, o acesso ao local ter sido vedado com grades.

O autarca reconheceu como legítimas as preocupações manifestadas em relação à crise da habitação, mas afirmou ter dificuldade em compreender algumas das críticas dirigidas à Câmara, apesar de se mostrar disponível para ouvir propostas.

"Estou disposto para uma reunião de trabalho para ouvir propostas, ouvir sugestões. A autarquia ainda não recebeu uma resposta do movimento à proposta de reunião", afirmou.

Destacou que o município do Porto é "de longe o que tem, de facto, a maior aposta em termos de habitação pública".

"Nós temos cerca de 13% da nossa população a viver em habitação pública, designadamente municipal, com uma renda média à volta dos 78 euros, enquanto a média nacional é de 2%", sustentou.

O autarca afirmou ainda não reconhecer legitimidade democrática às assembleias populares, "ou algo parecido com isso", referindo que estas não fazem parte do quadro constitucional português.

Questionado sobre a possibilidade de os manifestantes regressarem à praça às 19:00, como anunciaram, disse esperar a conclusão dos trabalhos de limpeza até essa hora, ressalvando que a decisão depende das entidades responsáveis pelos trabalhos e da avaliação da segurança pelas autoridades policiais.

Sobre a carga policial na madrugada de quinta-feira, afirmou ter confiança nas autoridades, mas salientou que estão a decorrer inquéritos para apurar o sucedido.

"A polícia tem que se sujeitar a isso", disse, acrescentando que não lhe cabe julgar a atuação policial, uma vez que não tutela a PSP e não esteve presente.

Pedro Duarte reiterou que "o objetivo da Câmara é garantir que a praça permaneça um espaço público acessível a todos", sublinhando que a forma como foi realizada a retirada dos manifestantes "não é da responsabilidade direta do município".

Os manifestantes a favor de mais habitação mostraram-se surpreendidos, hoje de madrugada, pela ordem dada pela PSP para desmobilizarem da Praça D. João I, afirmando que a polícia reuniu um elevado número de agentes do corpo de intervenção.

"Fomos surpreendidos [cerca das 05:00], não podíamos fazer mais nada, não era nossa intenção não acatar as ordens. Mesmo obedecendo vimos o que aconteceu" na semana passada, quando a PSP "obrigou, com violência, à saída dos jovens", disse à Lusa uma das manifestantes que não quis identificar-se.

A mesma jovem acrescentou que os que nesta madrugada estavam presentes eram todos muito jovens e não pretendiam ficar com "ficha criminal" nesta fase da sua vida.

"A nossa causa é justa e pacífica", acrescentou.

Um total de 35 pessoas votou na segunda-feira, em assembleia popular, permanecer acampado na Praça D. João I, onde há mais de uma semana decorre um protesto pela habitação.

Antes, foram aprovados votos de solidariedade com a acampada em Lisboa e outros pontos do país, bem como pela articulação com associações de estudantes universitários na luta por habitação e quanto às propinas, estas por unanimidade.

Foi ainda aprovado por maioria, das cerca de 300 pessoas presentes, um voto de articulação para uma greve geral ibérica.

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