Forças Armadas com mais de 2.100 militares no apoio à população
Acompanhe os desenvolvimentos desta quarta-feira relativamente aos estragos e condicionamentos provocados pelo mau tempo em diferentes regiões do país.
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Forças Armadas com mais de 2.100 militares no apoio à população
As Forças Armadas pré-posicionaram esta quarta-feira 44 botes nas zonas de Coimbra, Tancos e Águeda e ativaram a capacidade de resgate anfíbio no rio Lis e Tejo, tendo empenhado um total de 2.173 militares.
O gabinete do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) referiu ainda, em comunicado, que foram posicionadas unidades de bombagem de água, viaturas de transporte de emergência e equipas para apoio à implementação de barreiras para responder a cheias, em Tancos, distrito de Santarém.
No total, estiveram hoje empenhados 2.173 militares, 155 viaturas, 23 máquinas e engenharia e 44 botes, pode ler-se.
As Forças Armadas realçaram ainda que estão em processamento sete pedidos de apoio solicitados pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Entre os pedidos estão a desobstrução de vias, produção de energia, operações anfíbias de busca e salvamento, transporte de pessoas ou alojamento e alimentação.
As Forças Armadas mantêm disponíveis seis helicópteros, uma aeronave C-130 e uma aeronave de reconhecimento de asa fixa P3C da Força Aérea.
O gabinete do EMGFA apontou que entre 28 de janeiro e hoje estiveram empenhados 6.290 militares, com 633 meios terrestres e 69 máquinas de engenharia.
Entre os apoios estão a ajuda a 480 pessoas com alojamento e alimentação, 29 equipamentos Starlink para reforço/disponibilidade de comunicações de emergência ou 71 geradores.
A Marinha e a Autoridade Marítima Nacional (AMN) também divulgaram hoje que projetaram para a Marinha Grande, distrito de Leiria, dois pelotões de fuzileiros para "apoio geral à população, desobstrução de vias e reparação de telhados, bem como uma equipa para apoio técnico na área elétrica".
"Até ao momento, neste apoio à população afetada, maioritariamente na região Centro do país, já foram removidas seis toneladas de destroços de árvores junto de escolas e estradas, retiradas cerca de 66 toneladas de destroços do rio Lis, em Leiria, bem como desobstruídos aproximadamente dez quilómetros de estrada", pode ler-se no comunicado sobre as ações de apoio desde o início da situação de mau tempo em Portugal continental.
Na zona de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, os elementos da Direção de Combate à Poluição do Mar (DCPM), da AMN, "continuam a reforçar a capacidade de esgoto de água das áreas inundadas, tendo, até ao momento, esgotado mais de 2000 metros cúbicos de água", sublinhou a mesma fonte.
Até ao momento estiveram empenhados cerca de 410 militares e militarizados, 42 viaturas, 39 botes, quatro geradores e 17 drones, a que acresce um helicóptero em prontidão, acrescentou, sublinhando que "continuam a aumentar, de forma gradual e de acordo com a avaliação efetuada junto das autarquias, o pessoal e meios no local".
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Ministra do Ambiente prevê que 95% dos clientes voltem a ter eletricidade até sábado
A ministra do Ambiente e Energia disse esta quarta-feira que 95% das pessoas que ficaram sem energia deverão estar ligadas no sábado, 98% no dia 14 e os restantes no final do mês.
Em declarações aos jornalistas após uma reunião sobre a gestão de cheias na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na Amadora, Maria da Graça Carvalho disse que o Governo pediu à E-Redes um calendário de reposição da energia, na sequência do corte generalizado em várias regiões do centro do país devido à depressão Kristin, da semana passada.
Segundo a empresa na tarde de hoje havia ainda 76.000 clientes sem energia.
A ministra disse que os últimos dois por cento de reposição de energia são os mais difíceis, mas que a E-Redes disse que vai fazer tudo para estarem resolvidos até ao final do mês.
Maria da Graça Carvalho afirmou que cinco dias após a passagem da depressão, na semana passada, 80% das pessoas tinha acesso à rede e destacou a complexidade de restabelecer a eletricidade.
"Ficámos com o sistema elétrico nacional naquela zona afetada completamente destruído. Aquele sistema em condições normais demoraria muitos meses a ser construído", disse a ministra, recordando que ficaram destruídos quase mil postos elétricos.
A reposição do serviço, muito específico, destacou também, tem de ser feito por pessoas credenciadas, estando mesmo assim mais de 2.000 pessoas a trabalhar, com o apoio de profissionais que chegaram da Madeira, de Espanha, de França e, a partir de quinta-feira, da Irlanda.
Questionada sobre os geradores disponibilizados a ministra explicou que estão ligados 318 e há 500 mobilizados, alguns que chegaram de Espanha.
Maria da Graça Carvalho justificou com questões logísticas a maior demora em ligar os geradores e disse que de todas as freguesias afetadas só 20 não tinham gerador.
Na quinta-feira ou no sábado todas as freguesias da zona afetada terão gerador, disse a ministra, citando a E-Redes.
Disse que é impossível reconstruir uma rede elétrica em pouco tempo e recordou que os postos não só caíram como se partiram e ficaram retorcidos.
Recordou ainda que na zona afetada há muita população dispersa e isolada, com estradas obstruídas nos primeiros momentos.
Marcelo defende "canal de entrada" de imigrantes para reconstruir zonas afetadas pela tempestade Kristin
O Presidente da República defendeu hoje a abertura de "um canal de entrada" de imigrantes para dar resposta à falta de mão-de-obra para reconstruir as zonas afetadas pela tempestade Kristin, que atingiu Portugal há uma semana.
O primeiro-ministro apresentou no domingo um pacote de ajuda destinado às famílias e empresas afetadas pela tempestade, mas as vítimas têm alertado para a falta de pessoal para avançar com as obras, disse Marcelo Rebelo de Sousa durante uma visita a uma empresa em Soure inaugurada no início de janeiro e devastada 15 dias depois pela tempestade.
"Tem de se encontrar uma solução. Acho que o Governo vai pensar em abrir uma via, um canal de entrada de mão-de-obra especialmente vocacionada para este tipo de desafio", disse o chefe de Estado, defendendo que não se trata de "haver vontade", mas sim da necessidade de resolver "um problema".
Marcelo disse ter ouvido já várias pessoas com a mesma preocupação: "Um dos problemas levantado por vários empresários e setores afetados, até instituições como os bombeiros, foi dizerem-me que tudo isto é muito bonito, mas é preciso haver mão de obra para o fazer".
Sobre se o pacote apresentado no domingo será suficiente para responder às necessidades, voltou a defender que tudo depende da execução e dos montantes envolvidos: "É importante que a máquina funcione bem e depois que haja rapidez" na resposta.
O dia de Marcelo começou hoje no posto de comando de Ourém, onde contactou com populares à procura de material de construção para reparar as suas casas, como Florinda Verdasca, que aos 83 anos disse à Lusa não ter memória de "uma tempestade com a força" de Kristin.
Enquanto isso, num outro edifício, uma equipa da proteção civil recebia outros populares com outro tipo de pedidos, como o senhor João que garantiu ter todo material necessário e precisar apenas de ajuda para voltar a ligar a energia.
Depois de Ourém, segui para Pedrogão Grande e terminou o dia em Soure.Poucos minutos antes de a comitiva chegar, Carlos Sousa voltou a ter luz depois de "uma semana às escuras".
À entrada de Soure, na Rua de São Pedro, no Pateão, a sua casa e a da vizinha eram hoje ao inicio da tarde as únicas que continuavam sem energia. "Os vizinhos têm luz desde sábado, mas nós só agora é que vamos conseguir", contou à Lusa o estofador que teve o negócio parado por falta de energia.
"Estamos numa luta poste a poste", contou o presidente da Câmara Municipal de Soure, Rui Fernandes, referindo-se à reposição de eletricidade durante uma reunião Serviço Municipal da Proteção Civil, onde esteve Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário de estado Rui Rocha e vários responsáveis locais.
Na Proteção Civil, Marcelo Rebelo de Sousa inteirou-se da situação na região que hoje vive mais um dia difícil, agora devido às chuvas. O Presidente da República visitou Soure e esteve em vários pontos junto ao rio, contando aos jornalistas que provavelmente dentro de poucas horas aquela zona "será outro mundo".
E-Redes aponta 76 mil clientes ainda sem eletricidade ao final da tarde
No balanço operacional das 17h30 desta quarta-feira, a E-Redes registava 76 mil clientes sem fornecimento elétrico em todo o território nacional, dos quais 74 mil correspondem a avarias nas zonas mais críticas afetadas pela Depressão Kristin.
O distrito de Leiria mantém-se como o mais impactado, com 55 mil clientes sem eletricidade, seguido de Santarém com 13 mil, Castelo Branco com 4 mil e Coimbra com 2 mil clientes. A empresa explica que estes números refletem sobretudo falhas persistentes na rede de baixa e média tensão, em áreas rurais e de elevada dispersão populacional.
APA alerta para chuva intensa até quinta-feira de manhã, sobretudo no centro e norte do país
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, fez esta quarta-feira um balanço sobre a gestão de cheias, destacando como um dos casos mais preocupantes o rio Sado, em Alcácer do Sal.
Numa reunião com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o responsável disse que a depressão Leonardo já afetou toda a região sul, que todas as barragens do Algarve estão a fazer descargas (incluindo a Bravura, que durante anos não passava de 15%) e que o rio Guadiana também está a chegar a níveis muito elevados, por conta de descargas do lado de Espanha.
Na reunião Maria Felisbina Quadrado, diretora do Departamento de Recursos Hídricos da APA, fez também um ponto da situação, alertando que a próxima noite e a manhã de quinta-feira serão muito importantes, porque se espera muita chuva, especialmente no centro e norte do país.
Além das ribeiras do sotavento algarvio e do rio Sado, a responsável falou, entre outros, dos rios Tejo, Mondego, Lima e Douro.
Para hoje e quinta-feira a previsão é de elevado risco de inundações significativas para o Rio Vouga, designadamente para as zonas de Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos e Cantanhede, enquanto no Águeda poderá ser afetada a cidade de Águeda.
Com o aumento do caudal do Mondego, devido à previsão de chuvas fortes, poderão ser afetadas as zonas de Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho e Soure.
No Rio Tejo, o aumento do caudal poderá afetar Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha, enquanto o Rio Sorraia poderá afetar a área de Benavente.
Com elevado risco de inundações estão, no Rio Lima, as cidades de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima, no rio Cávado, Braga, Bracelos, Vila Verde e Esposende.
No Rio Ave, poderá haver inundações em Santo Tirso, Trofa, Vila nova de Famalicão, no Rio Douro em Gondomar, Porto, Vila Nova de Gaia, Lamego e Peso da Régua.
No Rio Tâmega em Chaves e Amarante, no Rio Lis em Leiria e no Rio Sado Alcácer do Sado e Santiago do Cacém.
Portugal continental está a ser afetado pela depressão Leonardo, prevendo-se até sábado chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Moedas apela a que se evitem deslocações desnecessárias em Lisboa
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, apelou esta quarta-feira que se evitem deslocações desnecessárias, sobretudo esta noite, entre a meia-noite e as 06:00, tendo em conta as previsões de chuva intensa.
Carlos Moedas falava aos jornalistas no Centro de Coordenação Operacional Municipal da Proteção Civil, em Monsanto, Lisboa, onde se deslocou para acompanhar o evoluir da situação relacionada com as atuais condições meteorológicas e as previsões para os próximos dias.
"Vamos ter aqui dias muito desafiantes até domingo, de chuva e de vento, sobretudo esta noite, entre a meia-noite e as seis da manhã e, por isso, eu deixava aqui alguns conselhos importantes para os lisboetas: o primeiro é evitar deslocações desnecessárias, o segundo é evitar tudo o que são as zonas-ribeirinhas e o estacionamento nessas zonas-ribeirinhas", alertou.
O autarca disse ainda ter dado "ordem imediata para o fecho de todos os jardins municipais da cidade" como é o caso do Jardim da Estrela, Serafina e Alvito.
Carlos Moedas acrescentou também que algumas juntas de freguesia já estão fechar os seus jardins, alertando que "as águas estão a ensopar o terreno e, portanto, pode haver o perigo de queda de árvores nos jardins", sendo locais a evitar.
O responsável máximo da proteção civil municipal da capital pediu que se tomem preocupações nas zonas ribeirinhas da cidade, sublinhando que as autoridades estão a ter em conta o evoluir da situação e as medidas de segurança a adotar, como o tamponamento das portas de casa porque "todas as medidas são importantes para prevenir estas cheias".
Presidente de Leiria critica: "Parece que estamos num país de faz de conta"
O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, disse esta quarta-feira que parece que se está "num país de faz de conta", criticou a ausência de comunicação e admitiu que o seu grau de tolerância começa a esgotar-se.
"Quem está a dar a cara sou eu, todos os dias a comunicar-vos a pouca informação que tenho e o processo tem de ser mais transparente, o processo tem de ser mais claro. Na [pandemia] de covid tínhamos 'briefing' e comunicação ao país sobre o que estava a acontecer e eu acho que ninguém comunica ou não querem comunicar. Parece que estamos num país de faz de conta", declarou Gonçalo Lopes.
O autarca falava aos jornalistas nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações do município na sequência da depressão Kristin que, há uma semana, afetou gravemente o concelho.
Questionado se se trata de uma crítica ao Governo, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, o presidente do município socialista respondeu que "o que aconteceu em Leiria é algo demasiado grave para que não haja uma comunicação credível, transparente sobre a evolução das reparações na rede".
"O grau de escrutínio que colocam à minha atividade como político tem de ser colocado também a quem é responsável de gerir as redes nacionais, seja o fornecimento de água em alta, seja o fornecimento de eletricidade. Tem de existir mais transparência", prosseguiu.
Segundo Gonçalo Lopes, a transparência passa por dizer 'estou a fazer esta obra, tenho estes meios, de ontem para hoje conseguimos reparar uma torre', insistindo que "esse grau de transparência de informação tem de existir", para "criar confiança".
EDP anuncia apoio de "mais de 800 mil euros" e suspensão temporária da faturação
A EDP anunciou esta quarta-feira um apoio de "mais de 800 mil euros" às comunidades afetadas pela tempestade Kristin, com a suspensão temporária da faturação e apoio a clientes com centrais solares danificadas.
"No total, a EDP vai assumir um custo de mais de 800 mil euros de forma a poder apoiar os seus clientes nas regiões afetadas pelo mau tempo", anunciou a empresa em comunicado.
Na nota, a elétrica dá também conta que "suspendeu o envio de faturação aos seus cerca de 700 mil clientes com casas ou empresas nas zonas mais afetadas pela tempestade que atingiu o pais".
"Serão ainda disponibilizados acordos de pagamento ajustados à situação de cada cliente, sem juros", prossegue a nota.
A empresa revela que as iniciativas na região incluem, além da deslocação de equipas técnicas de várias zonas do país para apoiar a limpeza e reconstrução, o envio de materiais de construção para apoio à recuperação das infraestruturas danificadas, apoio aos clientes com centrais solares afetadas e suspensão temporária da faturação.
"A EDP está ao lado das famílias e empresas afetadas pela tempestade Kristin e está a implementar um conjunto de medidas para os clientes nos 69 concelhos mais atingidos. O objetivo é mitigar as dificuldades sentidas neste momento, reforçando o apoio imediato e garantindo informações essenciais de segurança", pode ler-se na nota.
Segundo a EDP, já estão também no terreno equipas especializadas em instalações solares "para prestar apoio direto às famílias e às empresas com infraestruturas danificadas".
Como medidas de segurança, a EDP recomenda que caso existam painéis solares, cabos, inversores ou outros componentes aparentemente danificados "não sejam manuseados nem utilizados até serem avaliados pelas equipas técnicas" que a empresa disponibilizar para ir ao terreno.
"Mesmo painéis solares partidos ou deslocados podem continuar a produzir eletricidade durante o dia, representando risco elétrico. Recomendamos igualmente que não se aproxime nem aceda às áreas afetadas, devendo o acesso às mesmas ser evitado até essa avaliação", revela a nota.
A EDP aconselha ainda a não ser utilizado qualquer equipamento elétrico, incluindo postos ou carregadores de mobilidade elétrica, que tenha sido atingido por objetos, apresente danos visíveis ou se encontre em zonas inundadas.
Câmara de Alcoutim alerta para "aumento drástico" do Guadiana
A Câmara de Alcoutim alertou esta quarta-feira os navegantes e as populações da margem do rio para o "aumento drástico" dos caudais do Guadiana, devido às descargas em barragens para libertar água da chuva caída nos últimos dias e horas.
Numa publicação feita nas redes sociais cerca das 13:30 horas, a autarquia do nordeste algarvio dá conta de uma "comunicação urgente" feita pela capitania de Vila Real de Santo António, a apelar à população ribeirinha para adotar medidas de proteção "imediatas" de pessoas, animais e bens.
"Aviso a todos os navegantes e populações ribeirinhas do Rio Guadiana. Face ao aumento drástico dos caudais das barragens (Pedrógão, Chança, Odeleite e Beliche), devem ser adotadas as seguintes medidas imediatas", pode ler-se na informação publicada pelo município de Alcoutim.
Em causa está um "período de risco máximo", por ocasião da preia-mar da tarde, prevista para cerca das 16:30 horas, que terá como foco crítico as "zonas a montante entre Alcoutim e Mértola", precisou.
Entre as medidas de proteção aconselhadas estão o reforço de amarrações, com a verificação e duplicação das espias das embarcações e a confirmação de que as bombas e sistemas de esgotamento estão operacionais e têm baterias carregadas, indicou.
Cerca de 250 pessoas deslocadas, evacuação de lar em Coruche em avaliação
Até esta quarta-feira, há 251 pessoas deslocadas devido ao mau tempo nos distritos de Leiria, Santarém e Castelo Branco, estando a ser avaliada a retirada de 132 utentes de um lar em Coruche, informou a Proteção Civil.
Em conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, o comandante nacional indicou, citando dados da Segurança Social, que há 145 pessoas deslocadas no distrito de Leiria, 53 no de Santarém e outras 53 no de Castelo Branco.
No caso de Leiria, dos 145 deslocados, 122 foram encaminhados "para uma zona de concentração e apoio a pessoas" e 23 foram "acolhidos em respostas alternativas" de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), precisou Mário Silvestre.
Em Santarém, está ainda a ser avaliado se será necessário evacuar um lar com 132 utentes em Coruche, devido à eventual subida do caudal do rio Sorraia.
"Já temos o plano de evacuação dessa ERPI devidamente efetuado, com articulações feitas ao nível do município e dos comandos sub-regionais", acrescentou.
Gulbenkian cria Fundo de Apoio Extraordinário de cinco milhões de euros
A Fundação Calouste Gulbenkian criou um Fundo de Apoio Extraordinário no valor de cinco milhões de euros destinado às pessoas afetadas pelas tempestades que têm assolado o país, anunciou em comunicado.
Este apoio de emergência e pós-emergência vai ser articulado com a Estrutura de Missão para a Reconstrução da região Centro do País e com as entidades locais das áreas envolvidas.
O conselho de administração da fundação, que criou o apoio, salienta a sua solidariedade com todas as pessoas afetadas pelo mau tempo.
Desde a semana passada, com a passagem da depressão Kristin, o mau tempo provocou a destruição de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas, registando-os os maiores estragos nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
E-Redes: 83 mil clientes sem eletricidade às 12h00 após Depressão Kristin
A E-Redes regista 83 mil clientes ainda sem fornecimento de eletricidade, às 12h00 desta quarta-feira, na sequência das avarias provocadas pela passagem da Depressão Kristin, que continuam a afetar a rede de distribuição em várias regiões do país.
Nas zonas mais críticas, as interrupções totalizam 81 mil clientes, com o distrito de Leiria a concentrar o maior impacto, somando 59 mil clientes sem energia. Seguem-se Santarém, com 14 mil clientes, Castelo Branco, com 5 mil, e Coimbra, onde 3 mil clientes permanecem sem fornecimento elétrico.
A E-Redes é a principal operadora de redes de distribuição de eletricidade em alta, média e baixa tensão em Portugal Continental.
Aldeia do Lousal em Grândola isolada devido à subida de ribeira
A chuva que tem caído fez transbordar esta quarta-feira a Ribeira da Corona, no concelho de Grândola, estando a população da aldeia do Lousal isolada, desde as 06:00 horas, disse à agência Lusa o presidente da junta.
"As chuvas contínuas desta noite e desta manhã fizeram transbordar a Ribeira da Corona, junto ao Lousal, e os únicos acessos do Lousal para o exterior estão impedidos", relatou o presidente da Junta de Freguesia de Azinheira de Barros, no distrito de Setúbal, Pedro Ruas.
De acordo com o autarca, os principais locais de acesso à aldeia, que estão submersos, foram sinalizados pelas autoridades, estando a ser feitos apelos à população para que se mantenha em segurança.
"Estamos a fazer um apelo para as pessoas não correrem riscos, para não se meterem em aventuras, não tentarem passar as pontes, nem da Ribeira da Corona, nem da Ribeira do Lousal. É um risco demasiado grande", alertou.
Casal e filho desalojados após casa desabar parcialmente em Ourique
Um casal, com cerca de 70 anos, e o filho, de 40, ficaram esta quarta-feira desalojados depois de a casa onde viviam ter desabado parcialmente devido ao mau tempo, no concelho de Ourique, distrito de Beja, foi divulgado.
Fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Baixo Alentejo indicou à agência Lusa que o alerta para o desabamento parcial desta habitação foi dado às autoridades às 07:57.
Contactado pela Lusa, o comandante dos Bombeiros de Ourique, Mário Batista, referiu à Lusa que a casa, situada no lugar de Foros da Favela, a cerca de oito quilómetros da vila, ficou sem condições de habitabilidade.
A habitação "tem paredes em taipa" e as chuvas intensas podem ter originado "infiltrações de água" na estrutura, que provocaram o desabamento parcial, apontou.
Igualmente contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Ourique, Marcelo Guerreiro, salientou que os três moradores, um casal, com cerca de 70 anos, e o filho, de 40, vão ser realojados temporariamente numa casa do município.
As operações de socorro mobilizaram os Bombeiros de Ourique e o Serviço Municipal de Proteção Civil.
No distrito de Beja, várias estradas estão cortadas ao trânsito devido ao mau tempo.
Ansião com mais de 100 realojados precisa de telhas e mão-de-obra
Mais de uma centena de pessoas foram realojadas no município de Ansião, que mantém 35% do seu território sem energia, disse à Lusa o presidente da câmara, pedindo "muitas telhas" e mão-de-obra qualificada.
"Temos mais de uma centena de pessoas realojadas, fora as que não nos foram comunicadas, porque estão com familiares e amigos ou vizinhos. Temos pessoas em IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social] e no quartel dos Bombeiros" Voluntários de Ansião, disse à Lusa o presidente Jorge Cancelinha.
O autarca precisou que no quartel dos bombeiros estão sobretudo cidadãos que precisam de aparelhos de suporte ou auxílio ao sono ou de terapia de oxigénio que carecem de energia elétrica estável para o seu bom funcionamento.
"Há muita gente a dormir em casa por resistência, mesmo a chover lá dentro, mas estamos a monitorizar constantemente, até porque esta noite foi bastante agressiva e estamos a fazer essa avaliação", referiu.
Na manhã de hoje, "ainda faltava restabelecer 35% da rede elétrica, o equivalente a mais de 2.500 residências, ainda que os outros 65% estão a ser alimentados a geradores, ou seja, soluções provisórias que não permitem ter grande estabilidade energética".
Prejuízos na indústria da Figueira da Foz podem chegar a dezenas de milhões de euros
A Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIFF) ainda não tem um valor efetivo dos estragos nas grandes indústrias do concelho, mas antevê prejuízos de algumas dezenas de milhões de euros.
"A tempestade Kristin terá provocado danos no tecido empresarial da Figueira de Foz de algumas dezenas de milhões de euros", disse a presidente da associação à agência Lusa, salientando que esta depressão provou mais estragos que a Leslie, em 2018, e atingiu todos os ramos de atividade.
Nas grandes indústrias, situadas na zona sul do concelho, a mais afetada, foram reportados danos significativos.
A presidente da ACIFF, Vitória Abreu, destacou ainda estragos muito consideráveis em duas grandes indústrias de produção de pasta de papel e numa unidade de transformação de resina. Nas grandes indústrias, "o impacto acumulado (direto e indireto) "poderá atingir vários milhões de euros, considerando a paragem de linhas de produção e danos estruturais".
Num levantamento efetuado, a ACIFF contabilizou ainda prejuízos diretos em 55 micro e pequenas empresas do concelho, superiores a 1,5 milhões de euros.
A associação reconhece que o Governo apresentou um pacote de apoios "estruturado", destacando as linhas de crédito, o 'lay-off', as isenções à Segurança Social e a simplificação de licenciamentos, mas alertou "que a celeridade na aplicação é o fator crítico para a sobrevivência das empresas".
"Os efeitos da tempestade ultrapassam a destruição física. A interrupção de energia e comunicações, a deterioração de 'stocks' e as penalizações contratuais criaram uma asfixia económica que exige soluções práticas e desburocratizadas agora", sublinhou.
SMAS de Leiria pedem uso racional de água para conseguir restaurar abastecimento
Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Leiria, com cerca de 72 mil clientes, apelaram esta quarta-feira ao uso racional da água, para que a empresa consiga restaurar a rede de abastecimento, afetada pela depressão Kristin.
"Apelo às pessoas para terem um uso racional de água, dado que não conseguimos ainda restaurar a rede de distribuição de água em permanência e era importante que as pessoas tivessem um uso racional e ajustado ao seu consumo mínimo de água, para que se pudesse, de alguma forma, restabelecer os níveis de restauro em todo o concelho, para que todas as pessoas possam usar", declarou à agência Lusa o administrador-delegado dos SMAS, Ricardo Gomes.
Ricardo Gomes disse compreender que, "nesta fase, há pessoas que tiveram vários dias sem água, provavelmente há necessidades que vão ter de ser garantidas", como tomar banho, lavar louça ou outras, "mas era importante que fizessem o uso racional" para se poder "restabelecer o fornecimento de água e estabilizar o sistema, porque, neste momento, o que se trata é de estabilizar o sistema".
"Já não é a questão de fornecer água, mas, sim, garantir que a água chegue à torneira do cliente em quantidade", salientou.
Este responsável esclareceu que os SMAS conseguiram "colocar água na maior parte dos reservatórios da rede de distribuição de água", porém há reservatórios que têm a roturas a jusante, pelo que não consegue garantir o fornecimento de água a uma parte da população.
"É preciso reparar as roturas, para depois poder garantir esse fornecimento", explicou, referindo que as "zonas mais afetadas" são Bidoeira e Caranguejeira.
Desmoronamento provoca condicionamento de trânsito no IC2 em Águeda
Um desmoronamento está a provocar condicionamentos à circulação rodoviária no Itinerário Complementar (IC) 2 na zona Águeda, no distrito de Aveiro, informou esta quarta-feira a GNR.
Na sua informação diária sobre o estado das vias no distrito de Aveiro, a GNR refere que existem 25 vias interditas ou condicionadas, a maioria das quais devido a inundação.
Uma dessas vias é o IC2 que está condicionado junto à saída para Lamas do Vouga, em Águeda, no sentido Norte/Sul, devido a um desmoronamento.
Segundo fonte da GNR, o trânsito está a circular de forma condicionada, naquela zona, em virtude da supressão da berma.
Ainda no concelho de Águeda, segundo a GNR, mantêm-se interditas a Estrada Municipal 577 (Fontinha), a Rua da Pateira (Fermentelos), a Estrada do Campo (Espinhel e Recardães), a Rua do Campo (Segadães) e a Rua Ponte da Barca (Serém), devido à inundação do rio Águeda. A Rua do Covão, em Valongo do Vouga, também continua interdita devido a desmoronamento.
Em Ovar, está interdita a Avenida da Praia (Esmoriz), devido a desmoronamento.
Cerca de 99% da população de Ourém deverá ter água ao final da tarde
Cerca de 99% da população do concelho de Ourém, no distrito de Santarém, deverá ter o abastecimento de água restabelecido até ao final da tarde desta quarta-feira, anunciou a Be Water – Águas de Ourém.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a empresa referiu que “cerca de 80% dos sistemas de abastecimento do concelho estão a operar com energia proveniente de geradores (aproximadamente 25 no total)”.
“Devido à sua sensibilidade, estes equipamentos estão sujeitos a paragens e avarias, exigindo vigilância contínua e circuitos de reabastecimento ininterruptos, assegurados por duas equipas em permanência”, explicou.
Segundo a Be Water, foi feito o reforço do abastecimento em alguns reservatórios através do transporte de água entre sistemas e “algumas zonas abastecidas com hidropressores estão temporariamente a funcionar em ‘bypass’”, o que poderá levar a que a pressão de serviço seja inferior ao normal.
Há também a possibilidade de surgirem “pequenas interrupções devido a roturas ou danos na rede de distribuição”, mas a empresa referiu que, “para assegurar uma intervenção rápida”, está a recolher informações junto do município de Ourém, da Proteção Civil e dos munícipes.
“Os trabalhos estão a decorrer para normalizar totalmente o abastecimento o mais rapidamente possível”.
Nível de cheia subiu para 1,2 metros na baixa de Alcácer do Sal
O nível de cheia na zona baixa de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, "já ultrapassou 1,20 metros", disse esta quarta-feira à agência Lusa o comandante sub-regional da proteção civil, realçando que "a situação agravou-se".
"O nível de cheia já ultrapassou 1,20 metros e prevê-se um agravamento das condições meteorológicas, a continuação da precipitação e do vento", disse o comandante sub-regional de Emergência e proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio.
Além disso, acrescentou, "as barragens continuam a descarregar", com essa água a chegar ao Rio Sado que 'banha' a cidade de Alcácer do Sal.
"A situação agravou-se. Tivemos a maré cheia por volta das 05:00 horas e a próxima será às 18:00 horas", relatou.
Tiago Bugio indicou que "a avenida está inundada e ruas adjacentes e diversas ruas estão cortadas ao trânsito".
O comandante destacou que também a Estrada nacional 253 (EN253) que faz a ligação entre Alcácer do Sal e Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, encontra-se fechada à circulação rodoviária.
Além disso, tal como nos últimos dias, os acessos às localidades de Santa Catarina, São Romão, Arez e Casebres estão cortados ao trânsito, mas estas povoações têm ligações a municípios vizinhos, enquanto Vale do Guizo, cujo acesso também está cortado, "está isolado".
Perante as condições meteorológicas previstas, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral deixou um apelo à população.
"O importante é que os habitantes se cinjam às deslocações essenciais, porque as condições meteorológicas vão agravar-se", alertou.
Circulação suspensa na Linha ferroviária do Sul em Grândola
A circulação ferroviária na Linha do Sul estava às 09:00 horas desta quarta-feira suspensa entre Azinheira dos Barros e Grândola, no distrito de Setúbal, devido a instabilidade da via provocada pela chuva, informou a CP.
De acordo com a empresa, mantinham-se às 09:00 horas a suspensão na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, e na Linha do Oeste.
Portugal continental está a ser afetado pela passagem da depressão Leonardo com chuva forte, vento, agitação marítima e queda de neve, tendo já sido emitidos avisos, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Segundo a proteção civil, a maioria das ocorrências (33) foram registadas na sub-região de Lisboa e na Península de Setúbal com 26.
O IPMA informou na terça-feira em comunicado que as ondulações frontais associadas à depressão Leonardo irão afetar o estado do tempo em Portugal continental até sábado, com períodos em que a precipitação será persistente e por vezes forte, queda de neve nas terras altas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima forte
“Para os dias seguintes prevê-se a passagem de novas superfícies frontais e a continuação deste padrão muito instável”, é referido na nota.
Há uma semana, Portugal continental foi afetado pela passagem da depressão Kristin, causando a morte a 10 pessoas.
Timor-Leste aprova donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal
O Governo de Timor-Leste aprovou esta quarta-feira, em conselho de ministros, um donativo de 4,2 milhões de euros de apoio a Portugal para fazer face à destruição ocorrida na sequência da depressão Kristin.
"Este apoio financeiro visa contribuir para os esforços de resposta imediata e recuperação das áreas mais afetadas", pode ler-se no comunicado do conselho de ministros.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Proteção civil registou 121 ocorrências entre a meia-noite e as sete da manhã
A Proteção civil registou 121 ocorrências, entre as 00:00 horas e as 07:00 horas relacionadas com o mau tempo, mantendo-se as autoridades a avaliar e monitorizar o nível das águas em várias regiões, que se mantém estável.
Em declarações à agência Lusa, Rui Oliveira, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse que apesar da chuva forte que caiu de noite, não houve registo de ocorrências graves durante a noite.
"Entre as 00:00 horas e as 07:00 horas [de quarta-feira] foram registadas 121 ocorrências, a maioria (33) na sub-região de Lisboa e na Península de Setúbal com 26. As restantes ocorrências estão distribuídas por outras regiões do país", disse.
Quanto à situação do nível das águas, Rui Oliveira disse que não há alterações significativas relativamente a terça-feira, mantendo-se as autoridades a monitorizar a situação, continuando vigilantes para um possível agravamento.
Contactado pela agência Lusa, fonte do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa adiantou que entre as 00:00 horas e as 08:00 horas registaram cerca de 20 ocorrências relacionadas com o mau tempo, a maioria inundações e queda de árvores e estruturas e movimentos de massa, mas sem gravidade.
Todos os distritos sob aviso amarelo por causa da chuva a partir de hoje
Todos os distritos de Portugal continental estão esta quarta e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de chuva por vezes forte, passando a aguaceiros, devido à passagem da depressão Leonardo, segundo o IPMA.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou na terça-feira em comunicado que as ondulações frontais associadas à depressão Leonardo irão afetar o estado do tempo em Portugal continental até sábado, com períodos em que a precipitação será persistente e por vezes forte, queda de neve nas terras altas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima forte.
"Para os dias seguintes prevê-se a passagem de novas superfícies frontais e a continuação deste padrão muito instável", é referido na nota.
Esse sistema frontal começa pela região sul e irá estender-se gradualmente às restantes regiões do continente durante o dia, prevendo-se que o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja na noite de quarta para quinta-feira, passando gradualmente a regime de aguaceiros, que poderão ser de granizo e acompanhados de trovoada.
Devido a esta previsão meteorológica, o IPMA emitiu aviso amarelo de chuva por vezes forte para os distritos de Évora, Faro, Setúbal e Lisboa até às 15:00 horas e a partir desta hora até às 09:00 horas de quinta-feira.
Viseu, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo e Braga estão sob aviso amarelo por causa da chuva até às 21:00 horas e depois entre as 03:00 horas e as 09:00 horas de quinta-feira.
Já os distritos de Bragança, Porto, Guarda, Leiria, Beja, castelo Branco, Aveiro, Coimbra e Portalegre vão estar sob aviso amarelo devido à chuva entre as 03:00 horas e as 09:00 horas de quinta-feira.
Portugal enfrenta nova tempestade ainda sem recuperar da Kristin
Portugal enfrenta esta quarta-feira a chegada de uma nova tempestade, ainda com populações privadas de eletricidade e a precisar de ajuda, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que causaram 10 mortes e deixaram 68 concelhos em calamidade.
Os autarcas dão conta das necessidades da população em sucessivos apelos para a reconstrução de casas e infraestruturas, que exigem materiais e mão-de-obra qualificada.
A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados, durante reparações, ou intoxicação com origem num gerador.
Os estragos estão ainda a ser contabilizados, desde a destruição total ou parcial de casas, redes de abastecimento de energia e comunicações, num momento em que se teme o agravamento das condições meteorológicas e uma nova subida das águas dos rios, já a transbordar.
O rasto da tempestade afetou fortemente as vias de comunicação, estradas, caminhos-de-ferro, escolas, deixando populações isoladas e pessoas desalojadas.
Os feridos contabilizam-se em centenas.
Desde terça-feira, vários distritos do continente e os arquipélagos da Madeira e dos Açores mantém-se sob aviso devido ao vento, chuva, agitação marítima e queda de neve.
A depressão Leonardo começa a atingir Portugal continental com aproximação ao Baixo Alentejo e Algarve, com chuva persistente e rajadas de vento que podem atingir os 75 quilómetros por hora no litoral a sul do Cabo Mondego e 95 quilómetros/hora nas terras altas, de acordo com a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Autoridades nacionais não divulgam número de feridos. Ministério da Saúde remete para direção executiva do SNS
As autoridades nacionais não indicam o número de feridos das tempestades que têm atingido o país na última semana, com o Ministério da Saúde a remeter para a Direção Executiva do SNS, que não disponibilizou ainda os dados.
Desde sexta-feira, a agência Lusa tem tentado, junto de várias entidades oficiais nacionais, obter o número de pessoas que ficaram feridas em Portugal continental desde que a depressão Kristin assolou parte do território, nos dias 27 e 28 de janeiro, mas não conseguiu obter respostas.
A Lusa questionou formalmente, na última sexta-feira, o INEM sobre se tinha registado um aumento de solicitações de socorro resultantes da tempestade, não obtendo resposta, mas fonte do instituto adiantou hoje que a contabilização "dos mortos e dos feridos é feita de forma centralizada, de modo que os números estejam corretos entre todas as entidades".
Cinco dias após a depressão Kristin ter atingido o país, na conferência de imprensa diária de segunda-feira, a Lusa voltou a perguntar aos responsáveis da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) qual o balanço do número de feridos, que remeteram para o INEM.
Já hoje foram questionados o Ministério da Saúde e a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, que também não responderam às questões colocadas por correio eletrónico.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo, mas o número global de feridos não é conhecido.
Na terça-feira, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, adiantou à Lusa que o Hospital de Santo André, em Leiria, recebeu 756 feridos com traumas desde o início da depressão Kristin.
A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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