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#OneLove e o Mundial do Qatar: que braçadeira é esta, que causou tanta polémica?

Já existe desde 2020, mas foi com o mundial de futebol no Qatar que veio ganhar notoriedade global. Jogadores, ministros e primeiros-ministros querem usá-la, mas a FIFA proibe. Afinal, o que é que a braçadeira arco-íris tem?

Negócios jng@negocios.pt 26 de Novembro de 2022 às 20:00

A braçadeira arco-íris – em defesa dos direitos LGBTQ+ – tem estado nas bocas do mundo nas últimas semanas. Várias equipas europeias quiseram usá-la durante o Mundial de Futebol, como protesto contra a discriminação que esta comunidade sofre no Qatar, mas a FIFA deu cartão vermelho à ideia. Mas afinal, que braçadeira é esta? 

O adereço, composto por uma bandeira arco-íris em forma de coração e com o número 1 no meio, onde ainda se poder ler "#OneLove", foi lançado no ano de 2020 como parte de uma campanha da Associação Real Holandesa de Futebol. Além da orientação sexual, a campanha pretendia opor-se também à discriminação com base na etnia, na cor de pele, na cultura, na religião e na idade.

O seu uso cresceu nas passadas semanas. Tudo por causa do Mundial Qatar 2022. Os capitães das equipas de Inglaterra, do País de Gales, da Bélgica, dos Países Baixos, da Suíça, da Alemanha e da Dinamarca planeavam utilizar a braçadeira durante o Mundial de forma a protestar contra as leis vigentes no Qatar, nomeadamente no que diz respeito à homossexualidade.

Porém, recentemente, estes clubes de futebol revelaram ter sido ameaçados pela FIFA com cartões amarelos caso usassem a braçadeira. De acordo com as regras da FIFA, nenhum equipamento pode conter slogans, imagens ou demonstrações de ideais políticos, religiosos ou pessoais.


Apesar deste obstáculo, manifestações não faltaram, algumas bem criativas. A ministra da Administração Interna alemã, por exemplo, usou, na passada quarta-feira, a braçadeira "OneLove" durante o jogo de estreia da sua seleção contra o Japão. Também os próprios jogadores alemães acabaram por se manifestar contra a FIFA ao posarem para a fotografia de equipa com a mão a tapar a boca.

Já a ex-primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, assistiu ao jogo da sua seleção contra a Tunísia com um vestido azul com as várias cores da comunidade LGBTQ+ na manga direita. Hadja Lahbib, ministra dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, também usou a braçadeira.

No Qatar, as relações entre pessoas do mesmo sexo são ilegais. Por esta razão, alguns jogadores têm vindo a mostrar-se preocupados com os fãs da comunidade LGBTQ+ que queiram viajar até ao país para assistir ao Mundial.

De acordo com a Reuters, Khalid Salman, embaixador do Mundial Qatar disse, numa entrevista à emissora alemã ZDF, que a homossexualidade era um "defeito na mente" e que todos aqueles que tencionem viajar ao Qatar deviam respeitar as regras do país. Apesar destas declarações, os organizadores do Mundial têm afirmado que qualquer pessoa é bem-vinda. Aliás, Nasser Al Khater, o diretor executivo deste Mundial, confirmou que os membros da comunidade LGBTQ+ não seriam perseguidos e que o Qatar era um país tolerante.

Estas declarações não foram suficientes para tranquilizar a comunidade internacional.  O presidente da Associação de Futebol Alemã criticou a decisão da FIFA, afirmando que, mesmo sendo sem precedentes, é injusta para os jogadores, que podem ter de arcar com as consequências de utilizar a braçadeira. A Associação de Futebol Holandesa, por seu lado, disse que a decisão de não usar a braçadeira foi tomada com um grande "peso no coração".

A decisão da FIFA resultou em inúmeras críticas por parte da comunidade LGBTQ+. Segundo a Reuters, também um grupo de representantes dos adeptos ingleses confessou ser "mais que dececionante os capitães europeus estejam a ser confrontados com a possibilidade de sofrerem cartões amarelos pelo simples facto de chamarem à atenção para problemas com a defesa dos direitos humanos". A própria Amnistia Internacional considerou que a FIFA está a falhar naquilo que é a defesa dos seus próprios valores e responsabilidades.

Esta quarta-feira, a empresa que produz a braçadeira "OneLove", na Holanda, informou a Reuters que o adereço esgotou, depois de serem vendidas mais de 10 mil braçadeiras nas últimas duas semanas. Só o Parlamento Europeu encomendou 500.

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