Problemas do Dubai podem dar origem a "grande incumprimento soberano"
Os problemas do Dubai com o pagamento de dívida poderão piorar e assumir o estatuto de "grande incumprimento soberano", susceptível de agitar os países em desenvolvimento e levar a um corte dos fluxos de capital para os mercados emergentes, segundo o Bank of America.
Os problemas do Dubai com o pagamento de dívida poderão piorar e assumir o estatuto de "grande incumprimento soberano", susceptível de agitar os países em desenvolvimento e levar a um corte dos fluxos de capital para os mercados emergentes, segundo o Bank of America.
“Não podemos excluir a hipótese de isto escalar para um problema de grande incumprimento soberano, o que, a acontecer, acabará por ressoar em todos os mercados emergentes, tal como sucedeu com a Argentina e inícios da década de 2000 ou com a Rússia em finais dos anos 90”, salientam os estrategas Benoit Anne e Daniel Tenengauzer numa nota de análise do Bank of America citada pela Bloomberg.
As bolsas de todo o mundo caíram fortemente devido aos receios em torno da reestruturação da dívida da estatal Dubai World. O passivo desta empresa de investimento, no valor de 59 mil milhões de dólares, poderá juntar-se aos 1,72 biliões de dólares de perdas e amortizações decorrentes da crise global do crédito, sublinha a Bloomberg.
O Dubai, que contraiu empréstimos de 80 mil milhões de dólares num período de quatro anos de “boom” do sector da construção para transformar a sua economia num centro turístico e financeiro, sofreu as maiores quedas mundiais no mercado imobiliário durante a recessão. Os preços das casas caíram 50% face ao pico de 2008, de acordo com os dados do Deutsche Bank, citados pela Bloomberg.
“No melhor cenário, esta situação continuará a restringir-se a um problema do sector empresarial do Dubai, com alguns resgates por parte das autoridades dos Emirados Árabes Unidos ou uma reestruturação amigável da dívida”, refere ainda a nota de “research” dos analistas do Bank of America.
As agências de notação de risco Moody’s e Standard & Poor’s cortaram ontem os “ratings” das empresas estatais do Dubai, dizendo que poderão considerar o plano da Dubai World de prorrogação do reembolso da dívida como um incumprimento.