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Switch no lugar do Swing que bombava desde 1981 e foi destruído numa noite de São João

No icónico espaço que era frequentado pela autora da saga Harry Potter e onde foram filmadas algumas cenas do filme “O Lugar do Morto”, vai ser inaugurado o clube Switch, na próxima sexta-feira.

Sérgio Rebelo e Ruben Domingues.
Sérgio Rebelo e Ruben Domingues. José Coelho/Lusa
10:56

Quando abriu, em 1981, num imóvel localizado no Parque Itália, na zona da Boavista, o Swing veio revolucionar a noite portuense.

Tornou-se uma das discotecas mais famosas do país, tendo bombado fortemente nos anos 80 e 90 do século passado.

Frequentada por músicos, atores e famosos, nacionais e internacionais, como J.K. Rowling, autora da saga Harry Porter, nesta discoteca foram também filmadas algumas cenas do filme “O Lugar do Morto”.

A 24 de junho de 2007, dia de São João, um problema elétrico resultou num incêndio que destruiu o Swing, levando ao seu encerramento.

Após o incêndio, o espaço permaneceu fechado durante três anos, tendo reaberto no verão de 2010, mas funcionou apenas cerca de um ano e meio, tendo encerrado novamente por volta de janeiro de 2012 devido a dificuldades financeiras e baixa afluência, o que levou à insolvência da empresa gestora pouco tempo depois.

2 de maio de 2026: O clube Switch, baseado na música eletrónica mas que não quer resumir-se a uma só coisa, abre no próximo fim de semana no Porto, no sítio onde funcionou nas décadas de 1980 e 1990 o icónico Swing.

À Lusa, Ruben Domingues mostra o local na Rua Júlio Dinis, e ao mesmo tempo o conceito novo do mesmo lugar que marcou uma geração, aqui preservado e reimaginado no projeto de arquitetura assinado por Sérgio Rebelo, que começa a mostrar-se à cidade a partir de sexta-feira.

"É um clube que está instalado num espaço que já tem muita tradição, que faz parte da paisagem noturna do Porto, e sobretudo de outras gerações. (...) Acaba por ser uma ponte entre o tempo, entre uma geração antiga e uma nova geração. O Switch é uma nova geração que vive num local com memória e com tradição, o Swing, e vai ser organizado numa lógica narrativa", conta.

Depois de 12 anos no clube Indústria, entre 2010 e 2022, Domingues, que é responsável também pelo festival Elétrico, entre outros projetos, procurou trazer para a Boavista uma resposta a um "público que quer sair, que quer conviver e ouvir música", a começar pelo primeiro piso, um bar a fazer lembrar o antigo, e espelhado.

Em baixo, a que se chega pelas escadas restauradas das originais ou, no caso de mobilidade reduzida, por um elevador que leva a outra entrada, as "madeiras escuras" e as cores no bengaleiro e, ao lado, as casas de banho, sem género definido.

"A pista é um espaço superinteressante, porque um dos elementos arquitetónicos mais marcantes do Swing era o chão. Era um chão em resina e colorido com um padrão de luz. O que nós fizemos foi pegar nessas mesmas peças, os quadrados, combinando-os com a madeira, que já remete para um ambiente mais acolhedor. Não é tanto 'underground', industrial, mas mais como se se estivesse em casa de amigos", conta o arquiteto, Sérgio Rebelo, à Lusa.

O clube não terá, de resto, zonas VIP ou áreas só acessíveis mediante um pagamento superior, com toda a gente em pé de igualdade, colocando a cabine do artista ao centro, numa pista que preserva 'toques' do chão original do Swing e é ladeada por bares.

"Estas luzes espalham-se de forma muito uniforme ao longo de todo o pavimento, o que faz com que todo o espaço se torne muito dinâmico, ao programar individualmente cada uma delas. Permite criar vários ambientes, várias zonas de atenção, e, no fundo, é a transferência histórica do Swing, antigo, para o Switch, novo", descreve o responsável.

Com uma outra área, além do piso superior, para o público se poder desdobrar, a acessibilidade na pista também foi tida em conta, com uma rampa que dá acesso à única parte elevada, e foi dado cuidado especial "à acústica, com a imersão como opção".

O Switch, explica Ruben Domingues, quer-se "confortável, inclusivo, seguro" e a "lutar contra o estigma de que os clubes já são passado".

A cabine ao centro e os bares de lado, com as linhas arquitetónicas, visam criar "um templo da dança", para 'honrar' o legado do Swing, mas o espaço é mutável, assim como a linha programática - Ruben Domingues pretende que este seja mais um polo cultural à disposição da cidade, para concertos ou outras apresentações.

 

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