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Putin acusa Kiev de retomar ataques a refinarias russas 

"Ontem tentaram atacar algumas refinarias. Atingiram alguns alvos sem que fosse nada de grave, mas continuam a fazê-lo", disse o líder do Kremlin numa intervenção por vídeo no fórum 'Rússia Empresarial'.

Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa
Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa Gavriil Grigorov / Associated Press
22:26
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O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou esta quinta-feira a Ucrânia de retomar ataques às refinarias russas, apesar da trégua energética anunciada pelo líder norte-americano, Donald Trump, à qual Moscovo também não aderiu.

"Ontem tentaram atacar algumas refinarias. Atingiram alguns alvos sem que fosse nada de grave, mas continuam a fazê-lo", disse o líder do Kremlin numa intervenção por vídeo no fórum 'Rússia Empresarial'.

Anteriormente, a Rússia informou que a Ucrânia atacou uma refinaria na região de Ryazan, a 200 quilómetros de Moscovo, na noite passada, e na quarta-feira acusou Kiev de atacar outras duas nas regiões de Saratov e Ryazan.

O Kremlin tinha garantido na véspera que o acordo sobre a trégua energética entre a Rússia e a Ucrânia nunca foi fechado, pelo que não se pode dizer que a Rússia o esteja a violar.

Putin acrescentou hoje que os gigantes russos do comércio eletrónico -- Ozon e Wildberries -- também sofreram recentemente com ataques ucranianos.

"Estão a tomar medidas que, francamente, deveríamos ter previsto", reconheceu.

Esta quinta-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou ao Financial Times que "a proibição" de atacar as refinarias russas foi levantada.

Kiev reportou cortes de emergência no fornecimento de energia na quarta-feira, após mísseis russos terem atingido as três centrais termoelétricas que operam na capital ucraniana e na região envolvente.

Foram ainda anunciados cortes em Kharkiv, que também foi alvo deste último ataque de mísseis russos contra instalações energéticas.

No sábado, Trump propôs às duas partes uma moratória de 60 dias sobre os ataques a refinarias e infraestruturas energéticas, uma iniciativa que tanto Moscovo como Kiev se têm acusado de não respeitar e que coincidiu com o levantamento das sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo.

Desde então, tem crescido a pressão de Washington para que a Ucrânia suspenda os ataques contra estas instalações, a par de duras críticas de Trump a Zelensky, sob a ameaça de interrupção do fluxo de informações secretas --- essenciais para deter ataques russos --- e da suspensão das comunicações via Starlink, a rede de Internet da SpaceX, do empresário norte-americano Elon Musk.

Kiev e Moscovo acusaram-se mutuamente de violar o "cessar-fogo energético" desde o início.

Hoje, o chefe de Estado ucraniano afirmou que a ofensiva russa em grande escala, ocorrida nos últimos dias contra o setor energético, outras instalações e o parque habitacional ucranianos, já anteriormente por ele referida, é a resposta de Moscovo "a mais uma tentativa do Presidente norte-americano para reduzir a intensidade dos ataques".

Sublinhou que as refinarias e outras infraestruturas do setor energético russo voltarão a ser alvos do Exército ucraniano, em reação à recusa de Moscovo de aderir ao plano de Trump e denunciou ainda que foram deliberadas as falhas nas comunicações via satélite da Starlink, sistema fundamental para comunicações militares, que levaram à suspensão de algumas missões.

"Nos últimos dias, ocorreram várias vagas de ataques [com mísseis] balísticos e, de facto, há também ataques aéreos maciços no nosso espaço aéreo. Desde ontem (quarta-feira) de manhã, os russos lançaram quase mil drones", descreveu Zelensky, após reunir-se em Bruxelas com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

Zelensky salientou que este tipo de ofensiva, "no contexto das restrições às operações da Starlink na Ucrânia", representa um "grande desafio", tornando-se fundamental que os países da Aliança Atlântica continuem a colaborar com as forças ucranianas.

"Isto é especialmente verdade no que diz respeito aos intercetores balísticos e às munições para os [caças] F-16", afirmou o Presidente ucraniano, que debateu estas e outras questões com Rutte, a quem agradeceu o apoio.

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