Líderes europeus entram em modo contrarrelógio
O primeiro dia da cimeira dos chefes de Estado e de governos dos 27 começou com a expectativa de que poderiam surgir medidas de curto prazo para a energia, mas logo a seguir ao almoço, os líderes europeus largaram o tema e focaram-se no orçamento de longo prazo da UE.
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A expectativa era relativamente alta para que fossem anunciadas, ou pelo menos sinalizadas, medidas de curto prazo para fazer face ao elevado preço da energia, mas logo a seguir ao almoço, os líderes europeus avançaram para o tema que promete consumir quase todo o tempo da cimeira de dois dias em Bruxelas, o orçamento plurianual da União Europeia (UE).
Logo à entrada do Conselho Europeu, foram vários os líderes, incluindo Luís Montenegro, a manifestarem as preocupações com o custo dos produtos nas bombas. “O preço dos combustíveis é absurdo”, declarou o primeiro-ministro à chegada, pedindo medidas com uma resposta comum da UE.
De acordo com a imprensa comunitária, os esforços para chegar a um compromisso sobre o preço elevado dos combustíveis e das emissões de carbono não deram em nada.
Ao final da tarde desta quinta-feira, ainda se esperava uma conferência de imprensa a dar conta do andamento da discussão, mas já eram visíveis os sinais de um adiamento de algumas horas, apontando para as difíceis negociações entre os chamados “frugais” e os “amigos da coesão”.
De resto, as expectativas não eram as mais otimistas. “Estamos a dois meses e meio, três meses do fim do ano e ainda muito longe de um acordo” sobre o próximo Quadro Financeiro, afirmou o chanceler alemão, Friedrich Merz, - do grupo dos “frugais” – à chegada para a reunião do Conselho Europeu.
Em causa está um envelope de 2 biliões de euros para o período 2028-2034 que já sofreu um corte de 159 mil milhões de euros na última proposta da presidência irlandesa da UE que está a dividir os 27 e que arrisca complicar o calendário do presidente do Conselho, António Costa.
Atrasar as soluções para o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) pode significar uma madrugada longa para os líderes europeus, empurrando – e retirando tempo de discussão – outros temas para o segundo dia, como a energia, o alargamento, a defesa e a guerra na Ucrânia.
Este último tema é também delicado tendo em conta que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi convidado e chegou ao final da tarde desta quinta-feira a Bruxelas. O calendário fica ainda sob maior pressão com as reuniões bilaterais de Zelensky. A primeira decorreu pouco depois da chegada com o homólogo francês, Emmanuel Macron.
*Com agências