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Secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa detido na operação "Lúmen"

Constituído arguido, Alberto Laplaine Guimarães é suspeito de beneficiar a Castros Iluminações Festivas, sediada em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, considerada uma das maiores empresas de instalação de luzes de Natal em várias autarquias do país.

Câmara Municipal de Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa Pedro Catarino
18:24

O secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, é um dos quatro detidos esta terça-feira no âmbito da operação "Lúmen", que investiga a prática de alegados crimes económicos, incluindo corrupção, em contratos públicos para iluminações de Natal.

Fonte judicial acrescentou à agência Lusa que o arguido é suspeito de beneficiar a Castros Iluminações Festivas, sediada em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, considerada uma das maiores empresas de instalação de luzes de Natal em várias autarquias do país.

A Castros Iluminações Festivas foi igualmente alvo de buscas pela Polícia Judiciária (PJ), que deteve também um administrador e um funcionário desta empresa.

A presidente da União de Associações de Comércio e Serviços (UACS), Carla Salsinha, reeleita em janeiro deste ano para o triénio 2026-2029, é a outra das detidas pela PJ.

A UACS é a responsável pela contratação da iluminação de Natal da Câmara de Lisboa, através da celebração de um protocolo entre ambas as entidades.

A PJ deteve hoje quatro pessoas suspeitas dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa, relacionados com o fornecimento e a instalação de iluminações festivas.

Outra fonte judicial indicou anteriormente à Lusa que as buscas decorreram em 10 municípios: Lisboa, Tavira, Lamego, Maia, Figueira da Foz, Viseu, Trofa, Póvoa de Varzim, Ovar e Santa Maria da Feira.

Em comunicado, a PJ acrescenta terem sido detidos "um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação privada e um funcionário público".

A Câmara Municipal de Lisboa confirmou ter sido alvo de buscas relacionadas com a operação "Lúmen".

Fonte camarária indicou que o município está a colaborar com as autoridades e disse desconhecer se o funcionário público que integra o grupo de detidos é ou não do quadro da autarquia, mas fonte judicial indicou à Lusa tratar-se de um funcionário da capital.

Em dezembro, a Câmara Municipal de Lisboa indicou que o investimento nas iluminações de Natal foi de 749.500 euros, o mesmo valor que foi disponibilizado em 2023 e 2024, no âmbito de um protocolo entre o município e a UACS, ou seja, a autarquia não contrata diretamente qualquer empresa, o que é da responsabilidade da associação.

As autarquias da Maia, Viseu, Trofa, Tavira, Póvoa de Varzim e Santa Maria da Feira já confirmaram igualmente à Lusa terem sido hoje alvo de buscas.

Contactada pela Lusa, a empresa de iluminações escusou-se a prestar declarações.

Os detidos vão ser presentes na quarta-feira ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

Na operação "Lúmen", foram efetuadas 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias, em várias zonas do país, em entidades e empresas públicas e privadas.

De acordo com a PJ, a investigação teve origem numa denúncia ligada com a "pretensa viciação de procedimentos de contratação pública relacionados com o fornecimento e instalação de iluminações festivas, utilizadas nas épocas de Natal e na celebração de diversas festividades".

As diligências realizadas pela autoridade revelaram a existência de "um esquema criminoso, de caráter organizado e sistémico, tendente à viciação de procedimentos de contratação pública".

"Mediante a obtenção ilegal de informação privilegiada a troco de contrapartidas de cariz financeiro atribuídas a elementos de entidades adjudicantes, em subversão das regras da transparência, igualdade e concorrência do mercado, eram garantidas adjudicações à empresa visada em valores que ascendem a 8 milhões de euros", refere a nota.

O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto.

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