Sousa e Castro: "O PCP perdeu os seus objetivos estratégicos"
O coronel Sousa e Castro regressa ao 25 de novembro de 1975 para desconstruir o olhar que boa parte dos portugueses tem sobre aquele momento histórico e avalia a atual situação política em Portugal. Para o militar de Abril, "António Costa centrou-se no centro político".
O coronel Rodrigo Sousa e Castro acredita que o "PCP perdeu os seus objetivos estratégicos" ao longo dos últimos anos, sobretudo porque "as condições gerais se alteraram".
"Onde está o centralismo democrático, onde está o sair do Euro ou da União Europeia", questiona o militar de Abril no próximo episódio do podcast Conversas Visíveis.
Homem próximo do antigo Presidente Ramalho Eanes, o também antigo porta voz do Conselho da Revolução acredita que no atual momento político que atravessamos "António Costa sentou-se no centro político" e não será fácil "arredá-lo de lá". Por isso, adianta, nas próximas legislativas "O PS terá uma votação razoável, o PSD poderá crescer alguma coisa e vão-se afastando os extremos".
Sousa e Castro, convidado das Conversas Visíveis, recuou também ao passado para para detalhar os movimentos vividos no pós-revolução dos cravos. "Quando pretendemos interpretar o 25 de novembro como uma grande mudança estrutural, como se existisse um regime radical de esqierda a mandar no país, estamos a analisar muito mal os factos que ocorreram", descreve.
A conversa conduzida por Jorge Marrão e Joaquim Aguiar debruçou-se sobre o papel do Conselho da Revolução e o 25 de Novembro.
Poderá ouvir a conversa na íntegra, a partir de quinta-feira, no site do Jornal de Negócios ou nas plataformas Spotify e Apple. Para os assinantes premium, a entrevista ficará também disponível em formato de vídeo. O que são as Conversas Visíveis?
O que são as Conversas Visíveis?
As Conversas Visíveis são um novo projeto que é complementar da Mão Visível, o espaço de opinião que junta Álvaro Nascimento, António Nogueira Leite, Joaquim Aguiar, Jorge Marrão e Paulo Carmona. A cada quinze dias, dois destes colunistas vão conduzir um entrevistado pelos "mistérios da estrada da democracia em Portugal".
As Conversas Visíveis procuram identificar o que está na sombra da política, o que se esconde nos discursos e nas decisões, mas que acabará sempre por se revelar na realidade efetiva das coisas. O compromisso assumido pela equipa da Mão Visível é o de que irá falar sobre as sombras e os mistérios da democracia portuguesa, onde se escondem os fatores que geram endividamento sem estimularem crescimento, onde se agravam as desigualdades sociais e onde persiste o crescimento da despesa pública e da expansão de funções do Estado.