Tabaco aumenta 35 cêntimos com vendas a descer 4,7%
A venda de cigarros em Portugal caiu 4,7% nos primeiros dez meses de 2005, prevendo-se que a quebra no final de 2005 venha a ser ligeiramente superior, noticiou hoje o «Diário de Notícias», adiantando que o preço do maço de tabaco vai aumentar 35 cêntimos
A venda de cigarros em Portugal caiu 4,7% nos primeiros dez meses de 2005, prevendo-se que a quebra no final de 2005 venha a ser ligeiramente superior, noticiou hoje o «Diário de Notícias», adiantando que o preço do maço de tabaco vai aumentar 35 cêntimos em 2006.
As restrições que estão a ser impostas ao fumo em locais públicos e a carga fiscal que incide sobre tabaco, que se reflecte todos os anos em aumentos do preço final acima dos 10%, estão a afastar os consumidores do vício.
De acordo com os dados da Associação dos Armazenistas de Tabacos do Norte (AATN), a quebra mais notória sente-se na família das marcas nacionais SG (Ventil, Filtro e Gigante), cujas vendas desceram quase 20% em 2005. Em ascensão estão outras marcas internacionais, como o Marlboro a crescer perto de 10% e a assumir a liderança destacada nas preferências dos fumadores portugueses.
Com o aumento de impostos de 12,9% já anunciado, cada maço de cigarros que custava este ano 2,40 euros (casos do SG Ventil, SG Filtro, Português Suave ou LM, marcas de referência para 2006) vai ser vendido ao público a 2,75 euros.
Ao que o DN apurou, a Direcção-Geral das Alfândegas já comunicou aos distribuidores os novos valores a serem homologados, que entrarão em vigor a partir de 1 de Janeiro. Um aumento de 35 cêntimos, bastante acima do verificado em Janeiro de 2005 (20 cêntimos) e que traduz um acréscimo de 14,5% no preço final de cada maço, em 2006.
Perante a subida dos impostos e a quebra nas vendas, as empresas que produzem tabaco (caso da Tabaqueira) ou que o importam (Philip Morris, grupo norte-americano que controla a Tabaqueira, Bat/Rothmans, JTI e outras) estão a reflectir os preços nos consumidores. Mas não só. Também os armazenistas, que compram aos produtores e importadores para depois distribuírem pelos retalhistas, vêm as suas margens a encolher.
«A Tabaqueira quer reflectir o aumento dos impostos do tabaco nos armazenistas e retalhistas», acusa Serafim Neves da Silva, presidente da AATN e proprietário de uma firma que trabalha com aquela empresa.
«Os armazenistas trabalham com margens muito baixas e a Tabaqueira quer reduzi-las ainda mais, de forma unilateral, para manter a sua facturação», acrescenta este responsável.