Trump disponível para reunião com Putin e Xi para negociar fim da guerra na Ucrânia
Segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a proposta de uma possível reunião entre os três presidentes nas próximas semanas para tratar do fim da guerra, sem a participação de Kiev ou dos seus aliados europeus, partiu do presidente russo.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se esta segunda-feira disponível para reunir com os seus homólogos da Rússia e da China, Vladimir Putin e Xi Jinping, para negociar o fim da guerra na Ucrânia.
"Reunir-me-ia e faria tudo o que pudesse para acabar com a guerra", garantiu Trump em declarações aos jornalistas à saída da Casa Branca.
Donald Trump, que nos últimos dias tem feito várias declarações e tomado decisões favoráveis à Rússia, assegurou que, caso a reunião tripartida se realize, não será "sobre a Ucrânia".
"A Rússia tem-se comportado bem em relação à Ucrânia. Não têm feito grande coisa ultimamente", acrescentou o presidente norte-americano.
O dia de hoje foi marcado por rumores sobre uma possível reunião entre os três presidentes nas próximas semanas para tratar do fim da guerra, sem a participação de Kiev ou dos seus aliados europeus.
Segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a proposta partiu do presidente russo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, admitiu hoje que a questão foi abordada durante a conversa telefónica que Putin manteve com Trump em 09 de outubro, mas negou que exista um acordo para realizar o encontro durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para novembro em Shenzhen, na China.
"No entanto, nenhuma proposta concreta ou acordo, seja sobre a realização do encontro em si, seja sobre uma eventual agenda, foi discutido ou formulado por quem quer que seja", esclareceu durante a sua conferência de imprensa diária.
Estimou ainda que qualquer acordo final para pôr fim ao conflito na Ucrânia é "impossível sem a participação de representantes de Kiev dispostos a assumir as suas responsabilidades".
Em Pequim, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, referiu, por sua vez, "não ter qualquer informação, neste momento", sobre uma reunião trilateral.
Também questionado sobre o assunto na segunda-feira, durante uma visita a Samarcanda, no Uzbequistão, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, mostrou-se evasivo.
Para o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha, uma cimeira deste tipo apenas "encorajaria [Vladimir] Putin a continuar esta guerra", dado que a Rússia "não pode vencer e não quer pôr fim" ao conflito.
Defendeu, em vez disso, um encontro entre os líderes ucraniano, norte-americano e russo.
Zelensky rejeitou também a proposta e acusou hoje Washington de procurar a capitulação da Ucrânia, ao alegadamente limitar o intercâmbio de informações de inteligência e atrasar o fornecimento de mísseis antibalísticos.
Trump, que nas últimas semanas intensificou as críticas a Zelensky e apelou à sua substituição como presidente da Ucrânia, acusou o responsável ucraniano de "não estar a ajudar muito" a pôr fim ao conflito.
Depois de Zelensky ter afirmado que Trump "não está do lado certo da história" por ter permitido à Rússia exportar gasóleo para o mercado internacional, o presidente norte-americano insistiu hoje que outro interlocutor deve assumir as negociações em nome de Kiev.
"Zelensky não sabe do que está a falar. Zelensky é um homem que já devia ter resolvido esta guerra há muito tempo. Está na altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia", frisou o republicano.