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Estudo do Deutsche Bank defende que empregados em teletrabalho devem pagar mais impostos

Num relatório, o banco propõe uma taxa de 5% para pessoas que trabalham em casa regularmente e não por causa de uma medida de quarentena imposta pelos governos.

Bloomberg 15 de Novembro de 2020 às 11:00
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Escolher ganhar o "pão nosso de cada dia" em casa quando a pandemia acabar é um privilégio pelo qual as pessoas devem pagar, de acordo com estrategas do braço de research do Deutsche Bank.

"Trabalhar em casa fará parte do ‘novo normal’ bem depois da pandemia", escreveram oa analistas liderados por Luke Templeman num relatório. "O nosso argumento é que trabalhadores remotos deveriam pagar um imposto pelo privilégio."

A equipa propõe uma taxa de 5% para pessoas que trabalham em casa regularmente e não por causa de uma medida de quarentena imposta pelos governos. A implementação do imposto poderia arrecadar 48 mil milhões de dólares por ano nos Estados Unidos e cerca de 16 mil milhões de euros na Alemanha, afirmam. Receitas que poderiam ser utilizadas para financiar subsídios para profissionais de baixa remuneração e essenciais que não podem trabalhar remotamente.

O Deutsche Bank Research realizou uma investigação para avaliar a grande transição global rumo ao trabalho remoto que ocorreu como resultado da pandemia de covid-19, e que pode perdurar já que muitas pessoas descobriram os benefícios financeiros, pessoais e profissionais da mudança. De acordo com os resultados, mais da metade dos que trabalham remotamente querem continuar nesse esquema entre dois e três dias por semana, mesmo após o fim da crise de saúde. O inquérito, com a participação de 800 pessoas, foi realizado em setembro.

Trabalhar no conforto da própria casa economiza dinheiro com transportes, almoços e eventos sociais, de acordo com o Deutsche Bank Research, e oferece maior segurança e flexibilidade no emprego, disseram os estrategistas. Ainda assim, as pessoas que trabalham remotamente também contribuem menos para a infraestrutura da economia, o que poderia afetar ainda mais o crescimento nacional, ressalvam.

"Esse é um grande problema para a economia, pois foram necessários séculos e décadas para construir uma infraestrutura económica e de negócios mais ampla que apoiasse o trabalho presencial", disse Templeman.

O imposto proposto seria pago pelo empregador caso a empresa não forneça uma mesa ao empregado, ao passo que se o trabalhador decidir ficar em casa com base nas suas próprias necessidades seria tributado por cada dia de trabalho remoto, de acordo com o o Deutsche Bank. Nos Estados Unidos, calculam os estrategistas, esse imposto poderia pagar um subsídio de 1500 dólares aos 29 milhões de trabalhadores que ganham menos de 30 mil por ano e não podem trabalhar de casa.

"Faz sentido apoiar o grupo de pessoas que foram repentinamente deslocadas por forças fora do seu controlo", defende Templeman. "Aqueles que têm a sorte de estar numa posição de se ‘desconectar’ da economia cara a cara devem-lhes isso".

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