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Montenegro diz que país precisa de "sindicalistas com arrojo"

Primeiro-ministro questiona se o país vai "ficar a olhar para as questões e a ver os outros" a ultrapassarem-no ou vai "pôr as mãos nos problemas e resolvê-los com tranquilidade".

Luís Montenegro, primeiro-ministro
Luís Montenegro, primeiro-ministro Hugo Delgado / Lusa - EPA
15:10

O presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, criticou hoje os "sindicatos do século XX" e considerou que o país precisa de "sindicalistas com arrojo", ao abordar a reforma laboral.

"Vamos agora para o Parlamento discutir este ponto e eu espero que se tenha a profundidade que não se teve na concertação social por razões que eu não sei explicar, mas não são do interesse dos trabalhadores e, muito menos, são dos jovens trabalhadores, porque, com a rigidez de algumas regras, a possibilidade de haver bons projetos para vocês terem bons percursos, bons salários, está limitada", afirmou Luís Montenegro.

Ao discursar em Porto de Mós (Leiria), no encerramento da 15.ª Universidade Europa, perante uma plateia de jovens, o líder social-democrata questionou se o país vai "ficar a olhar para as questões e a ver os outros" a ultrapassarem-no ou vai "pôr as mãos nos problemas e resolvê-los com tranquilidade".

Luís Montenegro garantiu que "ninguém quer estar a retirar direitos a ninguém", mas, antes, "dar um exercício aos direitos, nomeadamente dos trabalhadores, que tenha um melhor resultado".

Para o chefe do executivo, "isto tem tudo a ver com a Europa, porque é por estas e por outras que a Europa fica para trás", sustentando que, no continente europeu, "há estes exemplos face aos outros blocos", de "falta de capacidade de decidir e de implementar, de arrojo".

"E nós precisamos de políticos com arrojo, precisamos de empresários com arrojo, precisamos de sindicalistas com arrojo, não precisamos de estruturas que funcionam com os enquadramentos do século XX, para serem competitivos no século XXI", declarou, defendendo que estes "não têm hipótese nenhuma" e "é por isso que, depois, têm um decréscimo de representatividade".

Na opinião de Luís Montenegro, é também por isso que há "um desfasamento completo entre aquilo que verdadeiramente interessa aos setores mais dinâmicos e aquilo que verdadeiramente é viver centrado no seu próprio interesse".

Antes, perguntou aos presentes como se vão "encarar estes desafios, que são os desafios do século XXI, da economia do século XXI, do mercado do século XXI, com as receitas do século XX, com os partidos que pensam como se pensava no século XX, com os sindicatos do século XX", desafiando a "olhar para aquilo que é necessário fazer".

Para o presidente do PSD, é necessário "discutir com humildade, com espírito democrático e de abertura", reiterando que o país, que está "a discutir regras que nos outros países há vezes dois, vezes três e vezes quatro", tem de ser mais competitivo e produtivo.

Considerando que o mercado laboral flexível é "no sentido do interesse do trabalhador, não é flexível para ser despedido, como querem confundir aí as coisas", Montenegro insistiu que "é no interesse do trabalhador, no interesse da gestão da empresa, da produtividade da empresa, para ganhar mais, para pagar mais".

"É isto que se faz na Europa, em Portugal não se quer fazer", lamentou.

As negociações sobre a reforma laboral terminaram na quinta-feira sem acordo entre o Governo e os parceiros sociais, assumiu a ministra do Trabalho, dizendo que um dos parceiros foi intransigente, mas o executivo quer levar uma iniciativa ao parlamento.

"Encerrámos o processo de negociação relativo ao anteprojeto Trabalho XXI", disse a ministra no final da reunião plenária de Concertação Social, que, em Lisboa, referindo que "infelizmente, não foi possível chegar a um a acordo, apesar de todo o esforço que o Governo fez".

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