Primeiro-ministro checo anuncia demissão após acusar ministro das Finanças de fuga ao fisco
Foi com um misto de surpresa e incredulidade que os media internacionais receberam esta terça-feira, 2 de Maio, a notícia de que o primeiro-ministro da República Checa, Bohuslav Sobotka, vai apresentar ainda esta semana a demissão do seu Governo ao presidente do país, Milos Zeman.
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Este anúncio acontece a cerca de seis meses das legislativas previstas para Outubro e deverá forçar a actual coligação governativa, composta por três partidos, a chegarem a acordo sobre a formação de um novo Executivo que governe até às eleições ou sobre o antecipar do dito dito acto eleitoral.
Em conferência de imprensa realizada ao final desta manhã, em Praga, o ainda chefe de Governo disse aos jornalistas que "não posso continuar a suportar a responsabilidade como primeiro-ministro numa situação destas", pelo que anunciou que "estou a adoptar a única solução razoável que agora existe e que passa pela demissão do Governo".
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Esta decisão surge na semana seguinte a uma troca azeda de palavras e acusações entre o primeiro-ministro Sobotka, que é também líder do Partido Social Democrata Checo, e o seu ministro das Finanças, o multimilionário Andrej Babiš que é líder do partido considerado populista ANO 2011 (Acção dos Cidadãos Insatisfeitos).
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Na semana passada, Sobotka acusou aquele que é um dos homens mais ricos da República Checa de ter enriquecido através de "truques fiscais ou mesmo da evasão fiscal". Sobotka instou mesmo o seu ministro a explicar à opinião pública os seus negócios, alegando que Babiš tirou partido de vazios legais para emitir obrigações isentas de impostos.
O multimilionário Andrej Babiš rejeitou desde logo as acusações, admitindo que a intenção do primeiro-ministro passaria por demiti-lo e avisando que não sairia do Governo pelo seu próprio pé.
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Esta sequência de eventos, a meio ano das legislativas, assinala a tendência da República Checa para a instabilidade política, um país que em 10 anos teve seis governos distintos. Nesta altura, o ANO 2011 de Babiš segue à frente nas sondagens, beneficiando de uma vantagem de dois dígitos sobre os social-democratas que foram a força mais votada nas legislativas de 2013.
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