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Boris Johnson rejeita debate com rival e Hunt acusa-o de "cobardia"

Os dois "finalistas" na corrida à liderança do Partido Conservador, e consequentemente à chefia do governo britânico, já não vão realizar o debate televisivo na Sky previsto para esta terça-feira. Boris Johnson recusou debater com o seu adversário, Jeremy Hunt fala em "desrespeito" e considera tratar-se de "cobardia".

Mary Turner/Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 24 de Junho de 2019 às 13:48
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Está ao rubro a disputa da liderança do Partido Conservador. Tudo parecia indicar que a corrida, agora reduzida a dois candidatos, seria ganha pelo favorito e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, porém uma série de eventos recentes permitiram equilibrar a balança.

A estação televisiva Sky anunciou esta segunda-feira, 24 de junho, o cancelamento do frente a frente entre Johnson e Jeremy Hunt, o outro candidato à chefia dos "tories" e atual ministro dos Estrangeiros, marcado para esta terça-feira.

Dada a recusa de Johnson em ser alvo de escrutínio público, a Sky viu-se obrigada a cancelar o debate, deixando ainda assim a porta aberta para uma data alternativa (1 de julho) para esse frente a frente.

"No que diz respeito a debates, ele (Boris Johnson) está a ser um cobarde. É uma cobardia não aparecer em debates frente a frente", acusou Hunt citado pela Reuters. Dada a posição do seu adversário, Jeremy Hunt garante que, em algum momento, Boris Johnson "terá de responder a essas questões".

A imprensa britânica escreve que Johnson não aceita participar nestes tipo de debate por forma a não ter de esclarecer o que fará em relação ao processo do Brexit, em particular se é ou não favorável à promoção de uma saída britânica da União Europeia sem acordo.

Boris Johnson tem tentado assumir-se como o único conservador capaz de garantir a concretização do Brexit agora agendado para 31 de outubro, seja com ou sem enquadramento jurídico. Johnson, que foi um dos principais rostos da campanha favorável à saída da UE e o principal entre os "tories", tenta estancar a perda de intenções de votos para o recém-criado partido Brexit, de Nigel Farage.

Por sua vez, Jeremy Hunt, que votou a favor da permanência no referendo popular de 2016, mudou entretanto de posição e é agora favorável ao abandono do bloco europeu, uma mudança causada pela inflexibilidade demonstrada pela Comissão Europeia nas negociações com Londres.  

Hunt afiança que também quer consumar o Brexit a 31 de outubro, porém assegura que se, até lá, o parlamento britânico rejeitar tal opção, não irá contra a vontade dos deputados.

Nesta fase, o também antigo "mayor" de Londres continua a ser o grande favorito à sucessão de Theresa May como líder dos "tories" e, consequentemente, como futuro primeiro-ministro do Reino Unido.

Entretanto, o Guardian avança que a irredutibilidade de Johnson relativamente ao processo do Brexit e uma possível defesa ativa da saída sem acordo poderá levar os deputados conservadores a promoverem uma moção de censura contra um governo que venha a ser chefiado pelo também antigo jornalista.

Disputa pela liderança "torie" mais renhida

As probabilidades atribuídas à vitória de Johnson estão em queda, já que os mercados de apostas lhe atribuem agora 79% possibilidades de vencer face aos 92% registados há apenas uma semana.

A penalizar o ex-ministro está ainda a polémica de sexta-feira passada. Segundo o The Guardian, um vizinho anónimo ouviu uma discussão entre Johnson e a namorada, Carrie Symonds, um problema só resolvido com a intervenção da polícia. Boris Johnson recusou-se até ao momento a prestar quaisquer declarações sobre o incidente.

Depois deste caso, uma sondagem conduzida pelo instituto Survation mostrava que a vantagem de Johnson sobre Hunt caiu de 27 pontos percentuais para apenas 11 pontos.
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