União Europeia Governo britânico desmente ter dito a Bruxelas que acordo do Brexit "morreu"

Governo britânico desmente ter dito a Bruxelas que acordo do Brexit "morreu"

O ministro britânico do Brexit, Stephen Barclay, rejeita ter dito ao chefe da missão negocial europeia, Michel Barnier, que o acordo de saída da UE "morreu", desmentindo assim a informação avançada pelo Times. O ministro das Finanças do Reino Unido considera "assustador" que um dos mais importantes aliados de Boris Johnson tenha afirmado que uma saída sem acordo iria impulsionar a economia britânica.
Governo britânico desmente ter dito a Bruxelas que acordo do Brexit "morreu"
Reuters
David Santiago 17 de julho de 2019 às 16:06

Stephen Barclay desmentiu esta quarta-feira, 17 de julho, que tenha tido, na semana passada, uma discussão acalorada com o negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier, e rejeita ter afirmado que o acordo de saída da União Europeia "morreu". As declarações foram feitas esta manhã durante uma audição parlamentar.

O ministro britânico responsável pelas conversações com Bruxelas acerca da saída do bloco europeu desmente assim a informação avançada pelo Times sobre uma alegada conversa tensa com Barnier em que se avaliava como poderia ser resolvido o impasse com o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.

O Times citada uma fonte diplomática europeia segundo a qual Barclay havia afirmado cinco vezes que o acordo de saída era inviável.

"Acerca do acordo de saída, aquilo que eu disse foi que a Câmara [dos Comuns] rejeitou-o em três ocasiões, incluindo por uma margem significativa na terceira votação; e que como os resultados das eleições europeias agravaram as posições na Câmara, não vejo como o texto, permanecendo inalterado, poderá ser aprovado [pelos deputados britânicos]", afirmou Barclay citado pelo Politico sublinhando não considerar que tal observação possa ser vista como "controversa".

Do lado europeu não houve comentários quanto à notícia em causa, porém um porta-voz de Barnier reiterou que o acordo de saída permanece a "prioridade" de Bruxelas.

Esta quarta-feira tem sido pródiga em esclarecimentos. Philip Hammond, ministro britânico das Finanças, corrigiu as afirmações do conservador e apoiante de peso de Boris Johnson na candidatura à liderança dos "tories", Jacob Rees-Mog, que assegurou existirem estudos económicos que apontam para um impacto positivo para o Reino Unido na ordem de 80 mil milhões de libras (cerca de 89 mil milhões de euros) no caso de uma saída desordenada da UE.

Numa altura em que surgem notícias que dão conta da possibilidade de Hammond abandonar o governo ainda liderado por Theresa May já na próxima semana, o ministro rejeita haver margem para qualquer impulso à economia decorrente de um Brexit sem acordo e reitera que o produto britânico sofreria um impacto negativo em torno dos 90 mil milhões de libras (perto de 100 mil milhões de euros).

Também esta quarta-feira terá lugar o último de 16 debates entre os dois candidatos à liderança dos "tories" e à sucessão de May na chefia do executivo do Reino Unido, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, e o atual detentor dessa pasta, Jeremy Hunt.

Nãos e trata de nenhum debate televisivo dada a rejeição de Boris Johnson, mas de um debate em que participam também militantes do Partido Conservador. A votação em curso para eleger o próximo líder do partido encerra na próxima segunda-feira.

Johnson tem vindo a garantir que o Reino Unido sairá da UE na data prevista de 31 de outubro com ou sem acordo, enquanto Hunt prefere evitar esse cenário pese embora não o coloque definitivamente de parte.

Já Ursula Von der Leyen, ontem confirmada como presidente eleita da Comissão Europeia, diz estar disponível para adiar novamente o dia marcado para efetivar o Brexit de forma a evitar uma saída sem enquadramento jurídico e uma consequente entrada em terreno desconhecido.




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