Europa Macron e liberais juntam-se numa plataforma para as eleições europeias

Macron e liberais juntam-se numa plataforma para as eleições europeias

O partido do presidente francês vai aliar-se aos liberais europeus numa plataforma para as eleições. A Iniciativa Liberal, partido português no ALDE, garante que apesar das diferenças, as duas partes do acordo partilham as mesmas ambições em relação à Europa.
Macron e liberais juntam-se numa plataforma para as eleições europeias
Reuters
Tiago Varzim 09 de novembro de 2018 às 18:43
As dúvidas acabaram: o partido En Marche de Emmanuel Macron vai integrar uma plataforma europeia para concorrer às eleições europeias com os liberais europeus. Mas isto não significa que o partido entrará no ALDE, onde já estão outros partidos emergentes como o Ciudadanos (Espanha) e, mais recentemente, o partido português Iniciativa Liberal. Para já, a cooperação centra-se nas eleições de 2019 num momento em que a vaga populista ameaça a União Europeia.

A confirmação chegou esta sexta-feira, 9 de Novembro, numa altura em que os partidos da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE) reúnem-se num congresso em Madrid, de onde sairá um manifesto para as eleições. O anúncio foi feito por Astrid Panosyan, a responsável pelas relações externas do En Marche: "O ALDE é a base a partir da qual o En Marche quer trabalhar em conjunto para uma Europa melhor", disse aos presentes.
A francesa admitiu mesmo que "o En Marche existe graças ao ALDE", referindo o apoio dado a Emmanuel Macron "desde o primeiro momento". "Temos de agarrar numa nova narrativa para a Europa na qual a protecção da democracia e o cumprimento da lei são cruciais", afirmou, assinalando que a "Europa não é um supermercado onde podes ir financiar-te por um lado e, por outro lado, não te comprometeres com o cumprimento da lei". 

A ideia oficializada hoje é lançar uma plataforma conjunta para as eleições europeias que conjugue os partidos do ALDE, o En Marche e ainda partidos liberais, progressistas e europeus que se queiram juntar. A colaboração é, para já, apenas eleitoral, mas deverá estender-se ao Parlamento Europeu, consoante os resultados. 

Esta é, portanto, uma espécie de coligação pró-UE contra os extremistas e os populistas, o que vai ao encontro das intenções de Emmanuel Macron. O próprio presidente francês teve de travar uma batalha com a Frente Nacional, o partido nacionalista liderado por Marine Le Pen, candidata que passou à segunda volta nas presidenciais francesas de 2017. 

Em Portugal, a representação desta plataforma é feita pela Iniciativa Liberal, o partido português que integra o ALDE. Uma comitiva da IL reuniu-se esta sexta-feira com os responsáveis do En Marche, à margem do congresso em Madrid. Ao Negócios, o presidente do partido, Carlos Guimarães Pinto, adianta que "o acordo hoje anunciado é fruto de um longo trabalho entre vários partidos que, apesar das diferenças, partilham as mesmas aspirações liberais e reformistas em relação à Europa".

"Tivemos hoje uma reunião bilateral entre a Iniciativa Liberal e o La République En Marche e estamos motivados para defender conjuntamente os valores liberais europeus", afirmou, assinalando que "a renovação dos actores políticos é uma necessidade tanto em Portugal como no resto da Europa". 

'Spitzkandidaten' substituído por uma equipa 

O ALDE, que apoia o processo Spitzkandidaten (expressão alemã para cabeça-de-lista às eleições) nas europeias, decidiu criar uma equipa para a campanha do próximo ano - tal poderá ser explicado por Macron ser contra o método. A constituição dessa equipa começará com reuniões entre os primeiros-ministros do ALDE representados no Conselho Europeu e os comissários europeus, onde se inclui a dinamarquesa Margrethe Vestager, a sueca Cecilia Malmström e a checa Vera Jourová.

O partido tem ganho peso no Conselho Europeu, órgão onde estão representados os Governos. Neste momento, são sete os primeiro-ministros do ALDE (em 28 Estados-membros): Andrej Babis (República Checa), Xavier Bettel (Luxemburgo), Lars Løkke Rasmussen (Dinamarca), Juri Ratas (Estónia), Mark Rutte (Holanda) e Juha Sipila (Finlândia).

A decisão de formar uma equipa em vez de optar por um candidato único foi tomada esta sexta-feira por mais de mil delegados dos partidos liberais europeus. A tarefa de reunir os nomes dessa equipa está nas mãos do eurodeputado holandês Hans van Baalen, que também é presidente do partido.

"Os liberais europeus têm vários líderes fortes e decidimos que eles deveriam fazer a campanha eleitoral como uma equipa", justificou Hans van Baalen. A composição dessa equipa será decidida num congresso eleitoral que se irá realizar em Berlim no início de 2019.

Neste momento, o ALDE é o quarto partido com mais eurodeputados no Parlamento Europeu, tendo como líder o holandês Guy Verhofstadt.



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