Estímulo orçamental livra economia alemã da contração, diz Bundesbank
A maior economia europeia só vai escapar a uma contração este ano devido ao megapacote de investimentos públicos anunciados pelo chanceler Friedrich Merz, de acordo com as previsões atualizadas pelo Bundesbank esta sexta-feira, 12 de junho. A inflação deverá aproximar-se dos 3% e só em 2028 ficará ligeiramente abaixo dos 2%.
As previsões do banco central alemão foram revistas em baixa, com o PIB a crescer 0,5% em vez dos 0,6% admitidos em dezembro. Para o próximo ano, o corte é mais severo, com os técnicos do Bundesbank a apontarem para uma expansão da atividade económica de 0,8%, quando há sete meses admitiam um crescimento do PIB de 1,3%. As previsões são conhecidas um dia depois de conhecida a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de aumentar a taxa de juro diretora em 25 pontos-base para 2,25%.
PUB
A única coisa que evita uma contração é a despesa pública. "A política orçamental expansionista será o único fator a impedir uma queda do produto interno bruto (PIB) no semestre de verão", afirmou o Bundesbank. "Isto irá, de certa forma, compensar o impacto da guerra no Médio Oriente", acrescenta o supervisor. O banco central estima que os gastos públicos, particularmente no setor da defesa, impulsionarão o crescimento em 1,3 pontos percentuais até 2028, ano em que a terceira maior economia mundial deverá crescer 1,4% depois de anos de quase estagnação.
Apesar de tudo, o presidente do supervisor, Joachim Nagel, está otimista para os próximos dois anos. "A atividade económica voltará a ganhar impulso ao longo do nosso horizonte de previsão, até 2028", afirmou o responsável na apresentação das previsões económicas, confirmando que a recuperação vai ficar a dever-se, sobretudo, aos estímulos orçamentais. "A recuperação será impulsionada pela queda dos preços da energia, pelo fortalecimento da economia mundial e, acima de tudo, por um forte estímulo da política orçamental", detalhou.
PUB
O Bundesbank prevê que a inflação global na Alemanha atinja os 2,9% este ano e os 2,7% em 2027, o que corrobora as declarações do presidente da instituição de que o BCE estará pronto para voltar a aumentar as taxas de juro em julho, se necessário.
Saber mais sobre...
Saber mais Economia Se Economista Economia negócios e finanças Banca Banco Central Europeu Alemanha Joachim Nagel Friedrich MerzMais lidas
O Negócios recomenda