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Brexit: Credit Agricole fica em Londres até 2025, UBS espera para ver

As duas instituições europeias deram um sinal de confiança ao centro financeiro londrino, quase cinco meses depois do referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Ontem também a Google renovou a aposta.

Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 16 de Novembro de 2016 às 09:13
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Os bancos UBS e Credit Agricole vão manter a sua presença nos próximos meses e mesmo anos em Londres, à espera de desenvolvimentos na desvinculação do Reino Unido da União Europeia, um processo decidido em Junho e que deverá ser desencadeado até ao final de Março do próximo ano.

"Não estamos a prever mudar nada no curto prazo e vamos ver onde é que a poeira assenta," afirmou esta quarta-feira, 16 de Novembro, Axel Weber, o presidente do banco suíço UBS e antigo quadro do Bundesbank, citado pela Reuters.

O responsável acrescentou que espera que o Brexit possa gerar ainda mais volatilidade nos mercados ao longo dos próximos meses e que as principais decisões deverão ser tomadas na fase final das negociações.

Já o francês Credit Agricole  estendeu o contrato de aluguer de escritórios na capital britânica até 2025, o que sinaliza, segundo o Financial Times, que terá desistido de encontrar uma nova sede para as suas operações na sequência do Brexit.

Ontem, o Banco Central Europeu admitiu estar a ser contactado por várias instituições financeiras no âmbito dos seus planos de contingência para preparar uma eventual saída ou a deslocalização de parte das suas actividades da City londrina.


"Muitos bancos estão a pedir-nos entrevistas e reuniões para que possam identificar onde é que a nossa pressão [prudencial] e métodos diferem" dos britânicos, afirmou Sabine Lautenschlaeger, membro da comissão executiva do BCE. "Claro que estamos a preparar-nos" para os pedidos de esclarecimento dos bancos, acrescentou, citada pela Reuters.

Mas esta terça-feira também a Google manifestou a intenção de quase duplicar a sua presença em Londres, passando dos actuais 4.000 para 7.000 funcionários, com a expansão do seu edifício em King’s Cross, anunciou o CEO da tecnológica norte-americana, Sundar Pichai.

"Estamos empenhados no Reino Unido e empolgados para prosseguirmos o nosso investimento no nosso novo campus de Kings Cross", salientou Pichai, citado pela Reuters.

A saída da União Europeia, aprovada em referendo em 23 de Junho, e as suas consequências nomeadamente no acesso do Reino Unido ao mercado único europeu, abriram a porta para que instituições financeiras e multinacionais repensem a sua presença em território britânico.

O processo de desvinculação – dois anos de negociações depois de accionado o artigo 50.º do Tratado de Lisboa - pode sofrer atrasos, dada a batalha judicial em curso, depois de o Tribunal Superior ter dado razão a uma pretensão que defendia que cabe ao Parlamento e não ao Governo a última palavra na saída da UE.

O Executivo recorreu desta sentença para o Supremo Tribunal e esta instância deverá ouvir as partes no início do mês que vem e tomar uma decisão no início do próximo ano.

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