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Costa diz que a Alemanha "não sabe unir" a Europa

Numa entrevista à Euronews, concedida a propósito do Web Summit, o primeiro-ministro coloca esperança em Juncker e na Comissão Europeia para que retomem o lugar central na União, perante a fraqueza da Alemanha.

Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 18 de Novembro de 2016 às 11:58
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O primeiro-ministro critica a maior economia da Europa por não ter – nem "querer ter" - a capacidade para unir os cidadãos e os países da União Europeia, acusando-a de falta de liderança e reforça que o ministro germânico das Finanças desconhece Portugal.


"A Alemanha não sabe como fazê-lo. Nunca foi um unificador e nunca aprendeu a sê-lo. É muito difícil para a Alemanha ter esta posição de liderança e infelizmente não há outros países que consigam desempenhar esta função," afirmou, numa entrevista concedida por António Costa à Euronews.


A ausência dessa liderança leva o Governo português a colocar esperanças na equipa da Comissão Europeia, que agora tem uma "oportunidade" para regressar à posição central que tinha nos anos 80 e 90 com Jacques Delors.


"Penso que é um paradoxo, porque [a Alemanha] é a única que pode mas infelizmente não quer ser líder, porque o líder deve ter a capacidade de unir as pessoas: os pobres, os ricos, os pequenos, os grandes, os países do Leste, do Ocidente, do Sul," reforçou.

Na entrevista publicada esta quinta-feira, 17 de Novembro, e concedida a propósito do Web Summit, que decorreu na semana passada em Lisboa, o governante voltou a acusar o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, de ignorar a realidade da economia portuguesa, depois de em finais do mês passado este ter afirmado que Portugal estava a ser "bem sucedido" até à entrada do Governo do PS e das esquerdas.

"Infelizmente o ministro Schäuble tem um atitude hostil para com o nosso Governo, baseada na ignorância da realidade da economia portuguesa. (…) Digo com frequência que estou muito interessado nos alemães, em particular nos que estão interessados, conhecem bem, têm confiança e investem em Portugal", disse.

Perguntado sobre se admite demitir-se caso não consiga pôr a economia a crescer – a entrevista ocorreu antes de conhecidos os dados do desempenho do PIB no terceiro trimestre, um crescimento de 0,8% em cadeia e 1,6% em termos homólogos - , Costa diz que os indicadores económicos dão conta da melhoria da confiança e que esta não é uma questão que se coloque neste momento. "Temos uma maioria parlamentar estável, uma relação muito boa com o Presidente da República e com os parceiros sociais," argumenta.

No rescaldo das eleições presidenciais norte-americanas, que deram a vitória ao republicano Donald Trump na mesma semana em que ocorreu a conferência tecnológica de Lisboa, o chefe de Governo afirma ainda que Portugal e Espanha escapam à maré populista que tem estado a percorrer vários pontos da Europa porque Portugal "não é um país fechado no meio da Europa, está no Atlântico, aberto ao mundo".

"Espero sempre que qualquer decisão infeliz, como o Brexit, ou a vitória de Trump, sirva como uma vacina para evitar novos erros e triunfos do populismo nas próximas eleições na Europa [França e Alemanha]. Felizmente continuamos imunes, continuamos abertos ao mundo e determinados quanto ao nosso futuro. É parte da nossa história mas também do nosso futuro", conclui.

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