Impacto da guerra seria 12% pior se UE não tivesse diversificado energia, diz líder do Eurogrupo
Kyriakos Pierrakakis mostrou-se otimista quanto à capacidade da economia da área do euro para "resistir a este novo choque".
O presidente do Eurogrupo disse hoje que o impacto da atual crise energética seria 12% pior se a União Europeia (UE) não tivesse vindo a diversificar a sua energia desde 2022 e admitiu "perturbações sérias" ao nível económico.
"O impacto que estamos agora a observar e a sentir desta crise é cerca de 12% inferior ao que teria sido se não tivéssemos diversificado as fontes de energia desde 2022", afirmou o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, numa audição na comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas.
Além disso, "as medidas não direcionadas - como medidas de apoio à eletricidade, aos combustíveis - acabaram por ajudar mais os ricos do que os pobres [...] e isso mostra, entre outros fatores, o porquê de a Comissão estar a promover um conjunto de medidas direcionadas e temporárias como sendo as mais adequadas", acrescentou.
Numa altura em que se assinalam mais de dois meses desde o início do conflito no Médio Oriente - dados os ataques israelitas e norte-americanos e a resposta iraniana, que levou a bloqueios no estreito de Ormuz, crucial para a passagem mundial de petróleo -, o responsável admitiu ser "bastante difícil prever a gravidade do impacto final".
Ainda assim, certo é que "a guerra no Médio Oriente tem potencial para perturbar seriamente o funcionamento das economias" europeias, assinalou Kyriakos Pierrakakis, citando "dados e indicadores recentes, [que] já apontam para o aumento da inflação e para o enfraquecimento da atividade económica", isto "num contexto de tendência estagflacionista".
"A questão agora é saber se conseguimos liderar. Estamos a enfrentar um novo choque de oferta sob a forma de outra crise energética, que volta a testar as nossas economias, evidenciando de forma dolorosa que a energia já não reflete apenas custos. A energia é também poder, a energia é também segurança e, fundamentalmente, é também soberania", adiantou.
Kyriakos Pierrakakis mostrou-se, porém, "otimista quanto à capacidade da economia da área do euro para resistir a este novo choque".
"Mas a política orçamental também tem um papel importante. Muitos governos estão a tomar medidas para aliviar o impacto dos elevados preços da energia nas empresas e nas famílias, [...] mas estamos conscientes de que, para conter a inflação, é importante que as medidas de apoio orçamental sejam temporárias e direcionadas, preservando os sinais de preços necessários para reduzir o consumo de energia", avisou.