Macron diz que tensões com EUA ainda não acabaram e pede novas "euro bonds"
Líder francês considera que os europeus precisam de uma nova abordagem no relacionamento com os EUA. Investimentos em áreas estratégicas e desafio ao dólar na "agenda" de Macron.
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O Presidente francês, Emmanuel Macron, considera que os países da União Europeia não devem cair numa falsa sensação de segurança agora que as tensões com os EUA, sobretudo as relacionadas com a Gronelândia, estão numa fase mais calma.
"Temos um tsunami chinês no plano comercial e, do plano americano temos uma instabilidade minuto a minuto. Estas duas crises criam um choque profundo – uma rutura para os europeus", sublinhou o líder francês numa entrevista que deu a sete meios de comunicação europeus, incluindo o Financial Times.
Macron sublinha que a sensação de alívio que existe "não é verdadeira, porque existe uma instabilidade permanente".
"Penso que o que devemos fazer não é curvarmo-nos ou tentar alcançar um acordo. Tentamos essa estratégia durante meses. Não está a resultar", complementou, numa tirada a propósito do posicionamento mais agressivo dos EUA sobre a necessidade de domínio da Gronelândia.
Macron defende novo recurso às "euro bonds"
O Presidente francês defendeu ainda o uso de um novo empréstimo conjunto dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), que financiaria investimentos estratégicos e permitiria à UE "desafiar a hegemonia do dólar".
"Chegou o momento de a União Europeia lançar uma capacidade de endividamento comum, através das eurobonds", afirmou Macron, dois dias antes de uma reunião informal de chefes de Estado e de Governo da UE centrada em como impulsionar a competitividade europeia.
O objetivo dessa emissão conjunta de dívida seria investir em conjunto na transição ecológica, na inteligência artificial e na tecnologia quântica, para que a UE não fique para trás nestes setores.
"Esta é uma oportunidade única, que também nos permitiria desafiar a hegemonia do dólar. Na verdade, o mercado global tem cada vez mais medo do dólar americano. Procura alternativas. Ofereçamos-lhe dívida europeia", propôs Macron, para quem seria "um grave erro não aproveitar esta capacidade de endividamento".
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