Mulher do PM espanhol Pedro Sánchez processada por quatro crimes
Após dois anos de investigação, o juiz de instrução Juan Carlos Peinado processou Begoña Gómez, casada com Pedro Sánchez, por tráfico de influências, corrupção nos negócios, desvio de fundos públicos e apropriação indevida.
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A mulher do primeiro-ministro espanhol foi processada por quatro crimes por um juiz de instrução de Madrid, que propôs que seja julgada por um júri popular, segundo um despacho conhecido esta segunda-feira.
Após dois anos de investigação, o juiz de instrução Juan Carlos Peinado processou Begoña Gómez, casada com Pedro Sánchez, por tráfico de influências, corrupção nos negócios, desvio de fundos públicos e apropriação indevida.
O juiz propôs ainda que Begoña Gómez seja julgada por um júri popular e que se sentem também no banco dos réus uma assessora da mulher do primeiro-ministro, Cristina Álvarez, e o empresário Juan Carlos Barrabés.
Defesas e Ministério Público têm cinco dias para se pronunciar e a decisão final de levar ou não a mulher do primeiro-ministro espanhol a julgamento caberá a outro juiz.
O Ministério Público pediu durante a instrução o arquivamento das acusações contra Begoña Gómez.
Segundo o despacho conhecido hoje, citado por diversos meios de comunicação social espanhóis, Begoña Gómez foi processada por tráfico de influências num projeto ("uma cátedra") que tinha na Universidade Complutense, de Madrid.
O juiz considerou que desde que Pedro Sánchez é primeiro-ministro (desde 2018) foram tomadas "determinadas decisões públicas" favoráveis a essa "cátedra universitária" (um mecanismo jurídico que em Espanha serve para promover a colaboração entre instituições de ensino superior, empresas e outras entidades, através da celebração de protocolos).
Quanto ao crime de corrupção nos negócios, o juiz disse que Begoña Gómez mobilizou fundos privados "não para a cátedra universitária pública", que considerou ser uma fachada, mas para "os integrar no seu património pessoal", e referiu ainda "retribuição encoberta" a várias empresas relacionadas com promessas de adjudicações em concursos públicos.
A acusação de desvio de fundos públicos está relacionada com a assessora Cristina Álvarez, que era funcionária da Presidência do Governo e, por isso, auferia um salário pago com fundos públicos, mas, segundo o juiz, prestava serviços a Begoña Gómez ligados à atividade profissional da mulher do primeiro-ministro.
Já o crime de apropriação indevida tem a ver com o registo e uso, por parte de Begoña Gómez, de um 'software' desenvolvido na "cátedra universitária".
Begoña Gómez, de 55 anos, foi investigada desde abril de 2024 por corrupção e tráfico de influências, na sequência de queixas apresentadas por duas associações classificadas como próximas da extrema-direita: Manos limpais (Mãos limpas, na tradução em português) e Hazte oír (Faz-te ouvir).
Foi chamada diversas vezes pelo juiz Juan Carlos Peinado e negou sempre qualquer irregularidade.
O juiz que tutelou a instrução decidiu avançar com a investigação judicial apesar de dois relatórios da Guarda Civil (que tem a tutela da investigação judiciária em Espanha) terem concluído a inexistência de infrações e apesar do pedido do Ministério Público para o arquivamento do caso.
A abertura da investigação judicial a Begoña Gómez levou Pedro Sánchez a assumir, em abril de 2024, que ponderava sair do Governo, dizendo-se, com a mulher, vítima há meses de uma "máquina de lodo" da direita e da extrema-direita (Partido Popular e Vox).
Em setembro do ano passado, por causa deste caso e de outro que envolve o irmão, David Sánchez, o primeiro -ministro considerou que há em Espanha juízes "a fazer política".
"Ainda que confiando na Justiça e ainda que pensando que a imensa maioria de juízes fazem bem o seu trabalho, há juízes que não [são assim]", disse Sánchez, numa entrevista à televisão pública espanhola (TVE).
"São uma minoria, mas provocam um dano terrível à justiça", acrescentou o líder do Governo espanhol e do Partido Socialista Espanhol (PSOE).
Sánchez disse que tanto o irmão como a mulher foram alvo de "denúncias falsas" de "organizações da extrema-direita" e que espera que a justiça e o tempo "coloquem as coisas no seu lugar".
David Sánchez começa a ser julgado em maio por tráfico de influências com outras dez pessoas, num processo relacionado com a sua contratação pela administração da província de Badajoz, liderada pelos socialistas.