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BCE não deve decidir sobre retirada de estímulos antes do Outono

O vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, diz que a autoridade está comprometida com os estímulos até Dezembro. Portanto, a política actual só deverá ser repensada depois do Verão.

O antigo secretário-geral do Partido Socialista e actual vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, lamentou a morte de Mário Soares como a perda do 'maior político português do século XX'. Numa declaração escrita enviada à Lusa, Constâncio sublinhou que 'democracia e participação no projecto europeu foram as ideias mestras pelas quais se bateu toda uma vida e que felizmente (...) conseguiu realizar', esperando 'que o país lhe saiba agradecer devidamente'. 'Pessoalmente, sinto a sua perda como a de um amigo que marcou a minha vida e que assim sempre recordarei', referiu Vítor Constâncio, que foi ministro das Finanças do então primeiro-ministro Mário Soares em 1978. O antigo governador do Banco de Portugal realçou que Mário Soares foi o mais influente político 'nos destinos estruturantes da modernidade' do país.
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 11 de Maio de 2017 às 16:49
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O Banco Central Europeu (BCE) não deverá tomar uma decisão sobre uma eventual redução do programa de estímulos à economia – nomeadamente sobre o programa de compra de activos – antes do próximo Outono. O prazo é apontado pelo vice-presidente da autoridade monetária do euro, o português Vítor Constâncio, que alerta para o risco de retirada destes mecanismos cedo de mais.

"Uma política monetária acomodatícia num período mais longo é menos arriscada que uma retirada prematura dos estímulos. (…) Estamos explicitamente comprometidos com a nossa política até Dezembro, isso significa que, automaticamente, no Outono teremos de decidir o que fazer a seguir," afirmou Constâncio esta quinta-feira, 11 de Maio, citado pela Bloomberg.

Se não tomar na próxima reunião – 8 de Junho - uma decisão sobre os estímulos em curso, a autoridade deverá aguardar assim até ao encontro de Setembro, altura em que publicará novas previsões para a economia da Zona Euro.

O responsável defende ainda que é necessário ter certeza sobre a sustentabilidade do caminho em direcção aos objectivos para a inflação – próxima mas abaixo dos 2%, como previsto no mandato de estabilidade de preços do BCE -, nomeadamente ao nível dos salários "que são os factores domésticos mais importantes para que a inflação atinja um maior crescimento."

Em Abril, a Zona Euro registou uma aceleração dos preços para 1,9%, impulsionada pelos gastos associados à época da Páscoa (este ano comemorada em Abril e em 2016 celebrada em Março). Em Portugal – soube-se esta quinta-feira -, os preços no consumidor registaram também uma aceleração naquele mês, para os 1,98%. Esta foi a variação homóloga mais elevada desde Dezembro de 2012 e também impulsionada por despesas relacionadas com o consumo turístico associado à época de férias da Páscoa.

Perante os sinais de aceleração da inflação nos últimos meses, economistas alemães sugeriram recentemente que é altura de o BCE começar a repensar o programa de estímulos e o ambiente de juros baixos (a taxa de referência está em 0% e a taxa de depósitos junto do BCE em -0,4%) que penalizam a rendibilidade das poupanças dos aforradores germânicos. Mas Mario Draghi, presidente do BCE, desvalorizou as subidas, que atribuiu ao reforço dos preços da energia, que contribuem para a formação de preços.

Ainda ontem Draghi reconheceu o reforço da economia da Zona Euro, mas admitiu que os estímulos da autoridade monetária não surtiram totalmente o efeito pretendido:

 

"A recuperação económica evoluiu de frágil e desigual para uma retoma firme e ampla", afirmou Mario Draghi, no parlamento holandês, citado pela Bloomberg. Ainda assim, o responsável considera que "é muito cedo para declarar sucesso".

O BCE reserva 60 mil milhões de euros mensais no âmbito do actual programa de compra de activos (títulos de dívida pública e privada) nos mercados, um programa que se mantém, pelo calendário mais recente, até ao final deste ano. Em Dezembro do ano passado, o banco reduziu de 80 para 60 mil milhões o valor alocado a esta finalidade, prolongando então pela segunda vez o prazo de execução do programa.

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