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No Chipre a banca é sete vezes maior que a economia

Com o resgate ao Chipre subiu para cinco o número de países da Zona Euro dependentes de ajuda externa.

Rita Dias Baltazar rbaltazar@negocios.pt 18 de Março de 2013 às 13:55
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A dimensão ideal de um sistema financeiro em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ainda não está definida. No caso do Chipre, a banca é 7,1 vezes maior do que a economia, de acordo com o espanhol “El País”. Perto de 37% do total de depósitos na banca cipriota pertence a não residentes.

 

Na ilha de Chipre, o sector de serviços representa quatro quintos da economia, com o turismo, serviços financeiros e Estado a assumirem maior relevância, segundo os dados disponibilizados no “CIA World Factbook”.

 

Desde 2000, a economia cipriota tem crescido bastante abaixo da média da União Europeia (UE), sendo actualmente a terceira menor economia da região, atrás de Malta e da Estónia. O PIB do país é de 19 mil milhões de euros, o que corresponde a 0,2% do PIB da Zona Euro.

 

Apôs a aplicação de um programa de austeridade, o Chipre conseguiu alcançar um excedente orçamental de 1,2% em 2008, e reduzir a taxa de inflação para os 4,7%.

 

No ano de 2009, turismo e construção abrandaram como consequência da crise económica e financeira que pressionou a procura do estrangeiro. A economia contraiu 1,7% nesse ano, registando nova contracção em 2012, atingindo desta vez os 2,3%, após dois anos de crescimento diminuto.

 

O agravamento da situação económica grega, no início de 2011, elevou os custos de financiamento do Chipre, devido à exposição do país à dívida da Grécia. Ao mesmo tempo, a Zona Euro afundava-se na crise. Neste ano o défice orçamental cipriota ascendeu aos 7,4% do PIB, violando as normas da União Europeia (UE) que impunham um défice máximo de 3% do PIB.

 

Apesar de ter implementado medidas para cortar a despesa pública, reduzir a evasão fiscal e diminuir o défice para 4,2% do PIB, o Chipre tornou-se em 2012 o quinto país da Zona Euro a pedir ajuda externa. A dívida pública atingiu os 14 mil milhões de euros, 75% do PIB em 2012. Já em Janeiro deste ano, a taxa de desemprego atingiu os 14,7%.

 

Um dos perigos que a situação do Chipre coloca é o facto de os bancos cipriotas possuírem um grande número de agências bancárias na Grécia, deixando os responsáveis preocupados com um possível contágio. Caso comece a ser posta em causa a segurança dos depósitos nas agências gregas desses bancos, os clientes podem começar a questionar também os bancos gregos.

 

O país deverá receber 10 mil milhões de euros da troika, colectivo formado pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE).

 
Chipre em números

PIB: 19 mil milhões de euros

 

Dívida pública: 14 mil milhões de euros, ou 75% do PIB

 

Depósitos de não residentes em bancos cipriotas: 37% do total 

 

Desemprego: 14,7% 

 

População: 1,1 milhões de pessoas

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