Fitch antecipa menos crescimento e agrava previsão do défice
A agência de notação financeira Fitch antecipa que a economia portuguesa cresça 1,2% neste ano e que o governo chegue ao fim do ano com um défice no Orçamento do Estado equivalente a 3,4% do PIB, de novo além do limite máximo de 3% permitido pelas regras europeias e bem acima dos 2,2% inscritos no OE e dos 2,5% recentemente aceites por Bruxelas. Para 2017, prevê uma quase estagnação no ritmo de progressão do PIB (1,3%) e do novo endividamento público, esperando um défice de 3,3%.
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Os novos números foram divulgados nesta quinta-feira, 4 de Agosto, no âmbito de um relatório onde a Fitch faz um ponto de situação sobre a evolução recente da economia e da situação orçamental portuguesas antes de proceder à actualização do "rating" da República, o que está previsto para 19 de Agosto.
Em Março, a agência previa que a economia portuguesa crescesse 1,6%, já abaixo da previsão do governo de 1,8%, e que o défice fosse reduzido de 4,4% para 2,8% do PIB. Nessa altura, a Fitch manteve o "rating" de Portugal em "BB+", o primeiro nível de "lixo", mas baixou a perspectiva de "positiva" para "estável", sinalizando que uma melhoria da notação do risco de Portugal ficara mais distante. A Fitch justificou então essa decisão com o facto de o défice de 2015 ter ficado muito acima do esperado e de a meta de 2016 estar também ameaçada.
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A Fitch atribui agora a redução das suas previsões de crescimento da economia ao mau desempenho do investimento e das exportações, e sublinha o risco de uma crise política poder estar ao virar da esquina. "Há o risco de a Comissão Europeia exigir novas medidas de redução de défice no Orçamento de 2017, o que poderá conduzir ao ponto de ruptura da coligação parlamentar", escreve a agência. "Até agora, o governo PS tem mostrado vontade em cumprir as regras orçamentais da UE, mas um período renovado de incerteza política poderia prejudicar a confiança e o crescimento, o que, por sua vez, tornaria a consolidação orçamental e a redução da dívida muito mais difícil", acrescenta.
(notícia actualizada às 17h30)
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