Portugal teve o quinto maior excedente orçamental da UE em 2025
Portugal foi um dos poucos países da União Europeia (UE) a terminar 2025 com um excedente orçamental, segundo os dados do Eurostat divulgados esta quarta-feira. O saldo positivo das contas públicas de 0,7% apresentado pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento – que superou as projeções do Governo em quatro décimas –, foi o quinto mais elevado entre os Estados-membros.
No ano passado, todos os países da UE – exceto Chipre (3,4%), Dinamarca (2,9%), Irlanda (1,8%), Grécia (1,7%) e Portugal (0,7%) – registaram défices orçamentais. Os mais elevados foram registados na Roménia (-7,9%), Polónia (-7,3%), Bélgica (-5,2%) e França (-5,1%). No grupo dos 27, o Eurostat revela que 11 Estados-membros apresentaram défices iguais ou superiores a 3% do PIB, o valor de referência dos tratados europeus para défice excessivo e acima do qual os países podem enfrentar procedimentos por parte da Comissão Europeia, com vista a impor "medidas corretivas" nas contas públicas.
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Em média, o défice orçamental da UE manteve-se estável nos 3,1% em 2025. Na Zona Euro – ainda sem incluir a Croácia, que só aderiu ao euro no início deste ano –, as contas públicas foram também deficitárias. Ainda assim, o défice orçamental da Zona Euro diminuiu ligeiramente, tendo passado de 3% para 2,9% em 2025, afastando-se da "linha vermelha" definida por Bruxelas.
O saldo negativo tanto na UE como na Zona Euro é explicado pelo facto de os Estados-membros terem registado globalmente mais despesas do que receitas no ano passado. Os dados do Eurostat revelam que, no final do ano passado, a despesa pública nos países da UE era equivalente a 49,5% do PIB e a receita pública a 46,4%, tendo ambos os rácios aumentado face ao ano anterior. No caso da Zona Euro, a despesa pública correspondeu a 49,8% do PIB e a receita pública a 46,9%.
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No caso de Portugal, o Instituto Nacional de Estatística (INE) explicou, no final de março, que o excedente orçamental de 0,7% resultou de um aumento da receita (2%) superior ao aumento da despesa (0,9%). O excedente de 2025 foi o terceiro mais elevado de sempre em Portugal, depois do saldo positivo de 2019 (0,1%, o primeiro da democracia portuguesa), de 2023 (1,1% do PIB) e de 2024 (0,6%).
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No que toca à dívida, Portugal também registou progressos em comparação com os restantes países da UE, com a dívida a encolher em contraciclo com a tendência crescente da UE. No final de 2025, a dívida pública nacional fixou-se em 89,7% do PIB, um valor que compara com 93,5% observados em igual período do ano anterior (menos 3,8 pontos percentuais). Apesar desse recuo, é ainda um dos doze países cuja dívida ultrapassa ainda o limiar de 60% do PIB estabelecido pela Comissão Europeia.
Porém, o stock da dívida pública nacional aumentou, embora não tanto como o ritmo de crescimento da economia. Em termos nominais – que não excluem o efeito da subida dos preços, que ajuda a reduzir a dívida por via de uma redução do "valor real" do endividamento e pelo aumento do PIB nominal –, o stock de dívida atingiu 275.063 milhões de euros no final de 2025, quando em igual período do ano passado tinha sido 270.902 milhões de euros.
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Com as taxas de de dívida pública em relação ao PIB mais altas e superiores a 100%, destacaram-se a Grécia (146,1%), Itália (137,1%), França (115,6%), Bélgica (107,9%) e Espanha (100,7%). Já as taxas de dívida pública mais baixas registavam-se na Estónia (24,1%), Luxemburgo (26,5%), Dinamarca (27,9%), Bulgária (29,9%), Irlanda (32,9%), Suécia (35,1%) e Lituânia (39,5%).
Em média, o rácio da dívida pública da UE aumentou de 80,7% para 81,7% do PIB, ao passo que na Zona Euro subiu de 87% para 87,8% do PIB no final de 2025.
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(notícia atualização às 11:11)
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