Centeno defende que taxas de juro de 10% são coisa do passado
O ministro das Finanças não antecipa que sejam necessárias medidas adicionais e espera que o Novo Banco seja vendido num prazo de 12 meses.
Mário Centeno acredita que os tempos em que as taxas de juro da dívida portuguesa estavam em valores proibitivos fazem parte do passado. Numa entrevista à Bloomberg, o ministro das Finanças garantiu que as taxas de juro acima de 10% são algo do passado. E defendeu que "o trabalho do Governo é tranquilizar os mercados quanto ao facto de que o compromisso de deixar esses tempos para trás é muito firme".
O ministro das Finanças defendeu que tem de existir um esforço conjunto entre os governos e os bancos centrais para conter a subida das taxas de juro. Isto após em Fevereiro os juros implícitos das obrigações nacionais terem vivido dias de volatilidade, com a taxa a superar os 4,5%. No entanto, essa pressão abrandou, com a "yield" a transaccionar em torno de 3% esta terça-feira.
Mário Centeno voltou a afastar a necessidade de renegociar a dívida, dizendo que Portugal não iniciará esse debate: "É uma matéria para ser tomada a nível europeu e não iremos promover esse processo".
Plano B não será necessário
Após a aprovação do Orçamento do Estado para este ano, Mário Centeno não espera que sejam necessárias medidas extraordinárias para atingir as metas definidas, apesar de a Comissão Europeia defender que Portugal precisará de tomar novas medidas.
"Não pensamos que seja necessário. O plano A é muito exigente, mas grande parte desse plano depende das nossas acções e pensamos que conseguiremos corresponder", disse o ministro das Finanças. Centeno afirmou ainda que a aprovação do Orçamento do Estado foi um sinal de que o Governo mostrou que os partidos políticos se podem comprometer.
Centeno reiterou que o Governo "continua bastante empenhado no processo de consolidação, para refrear o nível da dívida face ao PIB". Nesse sentido, considera que as reformas estruturais são necessárias para o crescimento.
Governo segue de perto processo do Novo Banco
Outra das questões abordadas por Mário Centeno na entrevista à Bloomberg esteve relacionada com o Novo Banco. O ministro das Finanças considera que uma venda bem sucedida seria "muito importante" para o sistema financeiro e que o atraso no processo não ajuda.
Ainda assim, Centeno apontou um prazo de 12 meses para que o Novo Banco seja vendido e declarou que o Governo está a acompanhar de "muito perto" esse processo.