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Centeno convencido que DBRS manterá avaliação a Portugal

Em entrevista à Bloomberg, o ministro das Finanças justificou que a "desaceleração" da procura externa e do investimento levaram ao corte de previsões do Governo, que está a preparar um amplo pacote legislativo para o crédito malparado.

Miguel Baltazar
Negócios jng@negocios.pt 10 de Outubro de 2016 às 09:16
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Mário Centeno assegurou que a DBRS "sente-se muito confortável sobre a posição orçamental" portuguesa, que considerou "muito forte". Em declarações à agência Bloomberg depois do encontro com a agência de "rating" canadiana, o ministro das Finanças referiu que "a expectativa é que não irão mudar o ‘outlook’ ou a notação" na avaliação que será divulgada a 21 de Outubro.

 

Preocupado com a imagem externa em vésperas da entrega do Orçamento do Estado para 2017, agendada para sexta-feira, 14 de Outubro, o Governo está a tentar descansar potenciais investidores externos e agências de "rating" quanto ao ambiente político, económico e financeiro em Portugal. A escolha de Centeno em encontrar-se com a DBRS não é um acaso, já que esta é a única agência, entre as quatro grandes, que ainda coloca Portugal em grau de investimento (e não "lixo"), o que mantém o país no programa de compra de dívida pública do Banco Central Europeu.

A duas semanas de rever o rating de Portugal, a agência de notação financeira DBRS considerou na quinta-feira, 6 de Outubro, que a economia portuguesa está presa num "ciclo vicioso" de dívida elevada, baixo crescimento e adiamento de reformas económicas. No início da semana, também o FMI colocou Portugal na cauda da Europa em termos de crescimento, só acima da Itália em 2017.

 

Já confrontado com a revisão em baixa das estimativas para o crescimento e para a redução da dívida – em Abril, o Executivo previa crescer 1,8% e que a dívida baixaria para 124,8% do PIB –, Centeno explicou que fica a dever-se ao abrandamento das exportações face ao cenário previsto há meio ano, que atribui apenas à "desaceleração da procura externa", reconhecendo que também há uma "desaceleração no investimento" e que é "incerto" até onde poderá quebrar.

 

Pacote legislativo para o crédito malparado

Na mesma entrevista à Bloomberg, o ministro das Finanças adiantou que o Governo socialista está a "preparar um pacote legislativo que vai permitir aos bancos retirar maior valor da reestruturação dos seus empréstimos". "Isto significa que vai ser mais fácil venderem os activos. O valor desses activos também vai aumentar porque será mais flexível e mais fácil de fazê-lo", explicou.

 

Por outro lado, acrescentou, há a questão sobre o crédito malparado pode sair dos balanços dos bancos. O governante sublinhou que "para isso também [está] a trabalhar numa solução, na condição de que isso não envolva ajudas do Estado", e que o veículo para resolver o problema deve ter uma "participação substancial" dos bancos e do sector privado. As negociações com a Comissão Europeia vão arrancar ainda durante este mês.

 

Há uma semana, António Costa já tinha garantido que não seria possível activar este veículo em Outubro, como pretendia a Comissão Europeia. Confrontado com a resistência dos bancos a essa proposta, o primeiro-ministro foi lapidar ao dizer que "há coisas que quando têm que ser têm mesmo que ser". "Não tenho dúvidas nenhumas que o país tem de entrar em 2017 com o sistema financeiro estabilizado, com boas condições de poder financiar a economia", sustentou.

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